segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Em busca do soul. E de um pouquinho de blues.


De Denver, ao invés de irmos rumo ao sul e ao México, resolvemos ir em direção leste novamente, dessa vez em busca de música.

A primeira cidade que já deu para aguçar nossos ouvidos foi Saint Louis. Saint Louis fica na beira do lendário rio Mississipi e conseguimos um camping numa localização bacanérrima, super perto de downtown ( Cahokia RV Park). A noite é boa em Saint Louis. Começamos passeando pela balada Delmar Blvd, que tem entre outros bares, o Blueberry Hill, onde dizem que o Chuck Berry toca toda terceira 5ª feira de cada mês. Mas a gente não gostou muito da Delmar, que estava meio parada. Por isso, fomos e recomendamos a Geyer Ave, muito mais animada e melhor frequentada.
Nesse bar de St Louis o guitarrista queria fazer bonito e tocava até com os dentes
 

Além da música, a cidade de St. Louis é muito simpática. Tem o Gateway Arch, o monumento mais alto dos EUA com 192 metros e o didático Saint Louis Art Museum, gratuito, localizado no Forest Park.
Forest Park numa linda tarde de domingo

Gateway Arch
Guanyin - escultura chinesa

 

 
 
 
 
 
Também tem o bairro ítalo-americano The Hill, cheio de restaurantes cuja especialidade é ravióli frito. Vale a pena experimentar.
Ravioli frito

Lá também fizemos um tour pela Anheuser-Busch Brewery, conhecida por fabricar a Budweiser, líder de mercado entre cervejas nos Estados Unidos. O tour é ok, mas o gran finale fica por conta das “provas”, duas por pessoa, num bar da fábrica. Tudo isso, gratuitamente. Lógico que aproveitamos para experimentar as coisas exóticas como cerveja de blueberry e de abóbora.
O momento mais esperado do tour. Leve sua identidade.

A próxima parada foi Nashville, Tennessee, para os íntimos a “cidade da música country”. Não conhecíamos nada sobre esse gênero musical. Para quem gosta e é fã, por lá existem muitos museus especializados no assunto. Como não era nosso caso, partimos direto para os barzinhos que lotam a Ave Broadway. E foi um ótimo negócio. Primeiro, sim, porque gostamos da tal da música country. E segundo porque o clima na Broadway estava ótimo, super animado, ainda mais por ser uma segunda feira. Tivemos até dificuldade para estacionar o carro e muitos bares estavam lotados. Mas o pessoal estava super sossegado, cada um na sua. Depois descobrimos que lá é bem famoso e até existe uma série de TV que se chama Nashville. Viajando e aprendendo.
Bar em Nashville, lotado
 

De Nashville, seguimos para Memphis, no mesmo estado. No caminho, resolvemos fazer outro tour dessa vez para conhecer a destilaria Jack Daniel’s. Foi ótimo pois pudemos acompanhar a maneira quase artesanal que produzem uísques. Fica na minúscula cidade de Lynchburg, no Tenesse. A curiosidade é que nessa cidade ainda está válida a lei seca dos anos 20 e assim não permitem a venda de bebida alcoólica nem na destilaria. Existem duas opções de tours. Na paga, você pode fazer degustação enquanto na gratuita, eles te oferecem um copo de limonada no final.

 

É fã de Elvis? Então você precisa ir para Memphis! Memphis e Elvis são sinônimos. Por lá tem até uma radio, a Elvis radio, que toca Elvis o tempo inteiro. Tem museu, a casa dele (Graceland), lojas e souvenirs. Uma overdose de Elvis! Nós sucumbimos um pouco e compramos um cd duplo dele. Agora, na Beale street a música é mais diversa. Ouvimos um blues muito do bom, com um baixista que – juro – deve dormir tocando. Mas nossa dica é: não compre o cd que eles vendem nos bares; é gato por lebre!
Porta do Graceland

Estátua do rei
 

Aproveite e não deixe de comer os BBQ’s. São deliciosos, a carne é macia e solta do osso fácil. Recomendamos o Tops Bar B-Q, com várias lojas em Memphis. Se quiser, ainda tem outros programas, como visitar gravadoras e a fábrica de guitarras Gibson, dar uma caminhadinha no centro – que é super parado durante o dia. Mas a grande vocação da cidade é mesmo noturna.
Beale street a noite

Beale de dia
 

De Memphis, saltamos para New Orleans. NOLA, como é carinhosamente chamada, não tem nada a ver com as outras cidades dos Estados Unidos por onde passamos. As pessoas são mais simpáticas (em qual outro lugar dos EUA um estadunidense vai te chamar de sweetheart na rua???), as construções são menores e mais coloridas, menos padronizadas; a comida tem outro tempero. A cidade ainda vive na sombra do Katrina, o furacão que devastou a cidade em 2005. E não parecer com as outras cidades de seu país tem o lado bom mas também tem o lado ruim: as ruas são meio acabadas, tem casas caindo aos pedaços, você se sente menos seguro. Mas apesar de todos dizerem para tomar cuidado com segurança e tal, ela é muito mais tranquila que qualquer média cidade do Brasil.

 

O lugar mais visitado e fotogênico é o French Quartier, com seus balcões lotados de samambaias. O bom é se perder por suas ruas, tentando encontrar os ângulos mais bonitos. É nessa região que fica a famosa Bourbon street. Mas apesar de toda badalação em torno dela, achamos a rua Frenchmen St. com a melhor música e com menos turistas de excursão.
Frenchmen street

 

Sobre a Bourbon street, vale um parágrafo a parte. New Orleans é vista como um lugar onde os estadunidenses vão para se divertir. O que pra eles é: beber muito (em Nola pode-se beber na rua, no restos dos EUA não), ir em casa de striptease (uma do lado da outra na Bourbon) e fazer pequenas loucuras como mostrar os seios para ganhar colares de contas. É isso mesmo. Existe esse costume de se jogar colares da varanda para as mulheres em troca de uma “olhadinha”. Dizem que isso é super comum no carnaval deles, o Mardi Grass, porém vimos uns pares de peitos dando sopa em setembro mesmo. Por outro lado, também vimos muita gente arremessando os colares em troca de nada, só por brincadeira.
Uma mulher querendo ganhar colares


Como sugestão de passeio alternativo, pegue a balsa gratuita para Algiers no Ferry próximo ao centro. As casas em estilo vitoriano são um charme!
 

Para comer, arrisque-se na comida cajun, coma Po’boys (um sanduiche com frutos do mar fritos) ou um sanduiche de crocodilo. Nós pedimos, mas não levamos pois estava em falta e tivemos que nos satisfazer com ostras fritas mesmo.

Em todas essas cidades, a grande maioria dos bares tinha música ao vivo e não se cobrava couvert artístico, com poucas exceções. Mas em todos, os músicos passam o chapéu “Band-Aid” (trocadilho pra ajude a banda) e todo mundo contribui com a caxinha. Achamos um sistema muito legal, pois nós podemos ir de bar em bar sem pagar, procurando o som que queremos. E quando achamos e ficamos em um, aí sim pagamos e o dinheiro vai direto pra banda, sem a intermediação do bar (no Brasil é discutível se o tal do couvert ‘artístico’ realmente chega pros músicos).
 

Esse caminho da música foi nossa despedida melódica de um país que tem muita diversidade para cantar. E agora, simbora pro México.

2 comentários:

  1. Marina,

    Agora já estão perto novamente!!!! Quanto tempo ainda levam para retornar ao Brasil?
    Aproveitem muito.
    Beijo
    Claudia

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Claudia! Devemos chegar no Brasil em abril de 2013. Estamos no México e apesar de ter ficado ao lado de Tlaquepaque não pudemos visitá-la! Lembrei tanto de vc e do seu post magnifico sobre esse lugar mas nos deram poucos dias de fronteira.
      Beijos,
      Marina

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