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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

As estelas de Copán

Chegamos a Honduras pela  fronteira ao lado da cidade de Copan Ruínas. Cheios de apreensão, acabou sendo uma das fronteiras mais tranquilas que enfrentamos até o momento, tanto para o carro quanto para nós.

Cabeça da serpente emplumada: resquicios de cor
A cidade de Copan Ruínas é pequena mas muito simpática. Tem tudo o que os turistas precisam: banco, restaurantes e hotéis. Acabamos ficando mais tempo do que planejado porque as ruínas estavam fechadas por greve. Ainda bem que isso durou apenas dois dias e pudemos visitar esse sítio arqueológico maravilhoso.

Em greve. Parque fechado por dois dias
Copán foi uma das melhores ruínas pré colombianas que fizemos. Logo na entrada um bando de araras vermelhas recepcionou os visitantes. É muito bonito ver as árvores adornadas com esses verdadeiros "brincos" vermelhos barulhentos. Aves como papagaios, araras e o famosíssimo quetzal (esse não vimos) são animais importantes para os pré colombianos e estão retratados em muitas gravuras e esculturas.

Araras vermelhas, uma recepção barulhenta

Na praça principal, a Gran Plaza, Copán já dá seu recado: estelas espalhadas contam os feitos de seus governantes em grandes blocos e pedras. Esses monolitos são geralmente esculpidos nas quatro faces, uma delas com a figura do governante e as outras três, com a história dele. A frente de algumas, está posicionado um pequeno altar para colocar oferendas. Impressionante!

Estelas na Gran Plaza
Outra grande atração de Copán é a escadaria dos hieroglifos. Em cada um dos 62 degraus, hieroglifos contam a história de seus governantes. Com 2200 glifos, a escadaria é o mais longo texto maia conhecido.
A Praça do Jaguar conta com a entrada para dois túneis que passam por dentro de algumas construções. Achamos que não valia o custo-benefício e não fizemos os túneis. Mas na praça, umas gravuras de jaguares esculpidas pareciam dançar rap.

Jaguar
Um dos mais famosos monumentos de Copán é o Altar Q. Dedicado ao rei Iax Pasaj Chan Yopaat tem esculpido em suas laterais a figura dos doze primeiros reis de Copan sentados sobre o glifo de seus nomes. Uma cópia fica exposta junto as ruínas. Mas no museu do sítio, você pode ver a original como inumeras outras peças desse habilidoso povo maia.

Literalmente, passando o bastão para o próximo governante
No museu você também encontrará uma réplica em tamanho real do Templo de Rosalila. Todo coberto com estuco vermelho, esse templo se encontra no interior do Templo XVI. Lembre-se que os pré colombianos costumavam contruir um templo sobre o outro. Na verdade, era uma obrigacão de cada governante construir dessa forma para aumentar o valor perante os deuses. Um dos melhores lugares para compreender essa construção em camadas é no Templo Mayor, na Cidade do México. O que chama a atenção no caso da Rosalila é que tomaram muito cuidado para preservá-la. Um dos tuneis que mencionamos acima passa por um pequeno trecho desse templo.

Réplica do Templo de Rosalila
Copán é um sítio de valor inigualável. Para quem pretende conhecer a história desses povos que habitaram a América antes da chegada dos espanhóis, é imperdível.
Notas:
- na bilheteria, a venda das atrações não é casada como no México. Você opta por comprar a entrada para as ruínas, o museu e os tuneis separadamente.
Estela original
- dá para chegar as ruínas caminhando cerca de 1 km a partir da praça da cidade. Para quem vai de carro, o estacionamento é gratuito.
- todas as estelas e outros monumentos que não são originais estão sinalizados. No museu você encontra os originais.
- as ruínas possuem um campo de pelotas adornado com cabeças de papagaios. No museu está a melhor explicação sobre os campos de pelotas que lemos.
- se ainda não se convenceu, vamos ser mais enfáticos: não perca o museu. Ele está bem organizado e tem a vantagem de ter muita informação já que muitos glifos de Copán já foram decifrados e são os melhores contadores de história desse povo.
- as esculturas e gravuras esculpidas tem uma qualidade estética e detalhes de cair o queixo. Não perca a escultura dos velhos, observe como quiseram retratar a expressão senil. Os jaguares, os papagaios, todos os glifos... O sítio é maravilhoso e rico em detalhes. Aproveite!















Glifos das costas de uma estela

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

No fundo do mar..



Foto cortesia Jamie/ BYCD
Foi em Honduras que fizemos nosso curso de mergulho, Open Water Diver. Isso significa que estamos certificados para realizar mergulho com cilindro até 18 metros de profundidade.
Há muito tempo atrás, pensamos em fazer esse curso em Santos, mas desistimos depois de nos informar sobre os preços. Se você também quer fazer esse curso e terá a oportunidade de ir para Honduras, espere e faça lá. Você não vai se arrepender.
Escolhemos a ilha de Utila para fazer o curso. Utila é uma das Ilhas da Baia, ou Bay Islands como são mais conhecidas. É uma ilha pequena no caribe, com águas muito claras e calmas e muita fauna marinha. Famosa por ter como principal visitante o tubarão baleia, tem vários pontos para mergulhar. É um paraíso para mergulhadores!

Mas ficamos decepcionados com a ilha em si. Esperávamos que fosse algo parecido com Caye Caulker, em Belize mas não teve nada a ver. Tem poucas opções de restaurante, todos oferecendo muito frango ao invés de deliciosos peixes e frutos do mar e a ilha tem um trânsito meio amalucado de motos dirigidas por locais numas ruas muito estreitas. Para piorar, choveu muito a semana que passamos lá e estava com uma quantidade astronômica de mosquitos e sand flies (tipo de um pólvora com mais apetite). Ou seja, a primeira recomendação é: leve e passe muito repelente, principalmente ao entardecer.
Por do sol em Utila
Mas Utila cumpriu com louvor seu objetivo que era o curso de mergulho em si. A ilha tem uma infinidade de escolas de mergulho. Todas as que visitamos eram certificadas pelo PADI. Elas oferecem praticamente o mesmo pelo mesmo preço.  Vou explicar detalhadamente o que está incluído porque nós tínhamos dúvidas nas pesquisas que fizemos na internet. O “pacote”consiste em:

Primeiras aulas em espaço confinado: piscina ou mar raso
- curso teórico, com vídeos, exercícios, provinhas escritas.
- parte prática: dois mergulhos em piscina ou espaço confinado no mar onde você vai realizar as habilidades ensinadas no vídeo. Tirar e colocar a máscara, flutuar, simular falta de ar são algumas habilidades que você terá que aprender.
- quatro mergulhos em mar aberto, dois até 12 metros e dois até 18 metros onde além de ver peixes, você terá que repetir todas as habilidades ensinadas e praticadas no confinamento.
- dois mergulhos para se divertir (fun dive), sem realizar skills, apenas aproveitando as belezas do mar
- quatro noites de hospedagem. As hospedagens variam um pouco. Nós ficamos num apartamento com ventilador, banho quente e cozinha na própria escola. Recomendamos pois com chuva, é horrível ter que se deslocar para ir para escola de manhã cedo, principalmente tendo que se encontrar as 7 da manhã durante os quatro dias...
- o material (que pode ser impresso ou digital), um caderninho para anotar as informações sobre seus mergulhos, uma camiseta e a carteirinha que será enviada para sua casa.
- todo o equipamento está incluído: máscara, snorkel, bcd (colete responsável pela flutuação onde todo o equipamento é preso), reguladores, tanques de oxigênio, cinto com pesos, nadadeiras e roupa de neoprene.
Aulas de habilidades, chatas, mas super importantes.
Vou ser sincera: a primeira parte do curso, teoria: assistir a uns vídeos e algumas provas escritas, é muito chata. Fazer as habilidades (skills) é chato também pois você tem que nadar sem máscara e fazer outras coisas muito desconfortáveis várias vezes. E o curso será todo em inglês, é importante ter um conhecimento da língua.
Mas mergulhar é uma das experiências mais intensas que você pode fazer na sua vida. Os movimentos parecem os de um astronauta, lentos. A gravidade muda, você pode mergulhar de ponta cabeça, de barriga prá baixo, não importa! A velocidade do som é mais rápida.
Mergulhar é entrar num outro mundo, cheio de animais e plantas esquisitos e diferentes. É participar de algo que continua sendo um mistério para quem vê o mar na superfície. Tudo muda depois de colocada uma máscara no rosto.
Para nós, tudo mudou apenas com um óculos de natação mesmo, o “equipamento “que usamos na Venezuela para ver peixes em Morrocoy. Em Belize, já estávamos mais equipados, com máscara e snorkel, até um pé de pato meio mequetrefe. Dai para o mergulho com cilindro foi um pulo.
Tem riscos? Claro, um monte! Por isso a parte chata é tão importante. Você tem que aprender como resolver pequenos problemas dentro da água, como pedir ajuda e como ajudar os outros. Mas é um esporte seguro. O mais importante é respirar sempre já que o maior risco são com os pulmões.

Eu tive várias nóias do tipo: 18 metros de mar sobre meu corpo equivalem a mais de duas atmosferas me esmagando; esse ambiente não é o natural para seres humanos afinal de contas, não somos peixes; tive vários problemas para tirar água de dentro da minha máscara. Vários mesmo, que aqui entra a dica mais importante desse post, principalmente para gente preocupada como eu.
A escola que você escolhe deve ser muito boa. Como disse no começo, fomos a algumas escolas antes de optar pela Bay Island College of Diving. Foi uma das melhores escolhas da nossa viagem.
O equipamento deles havia sido trocado há poucos meses e estava super novo, as instalações são boas e os barcos são ótimos, com motor potente e muito espaço.

Mas o melhor são os profissionais. Todos foram demais com a gente. Caso nosso tanque estivesse com problema, davam na hora outro tanque para você. O tamanho da roupa está pequeno, temos outras, pode trocar. O respirador não está funcionando bem, troca. A mensagem é: estamos preocupados com você e temos estrutura para te deixar sempre seguro.
Heather, Jamie e Marina
O destaque fica por conta da nossa instrutora Heather. Estadunidense, jovem e muito, muito eficaz ela era confiante e me deixou muito tranquila. Precisei ter uma aula extra na piscina por causa da máscara e de algumas outras habilidades e lá estava ela, pronta para revisar, mesmo depois de dois mergulhos... Recomendo ardorosamente seu trabalho. Faria novamente o curso nessa escola sem nenhuma dúvida.
Mergulhar é mágico. A primeira vez que mergulhei, só pensava “o que estou fazendo aqui?”. Mas assim que começamos a passear e ver todos aqueles animais, mudei. Só pensava “Por que demorei tanto tempo para fazer isso?”
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