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domingo, 14 de abril de 2013

A difícil arte de comprar combustível na Bolívia


- Acabou o diesel.
- Não temos o formulário para estrangeiros.
- O próximo posto vende para estrangeiro.
- O governo ainda não definiu o preço do combustível para estrangeiros esse mês.
- Não podemos abastecer seu carro. Aqui tem câmeras.
E assim vai. Ouvimos toda a sorte de criatividade em desculpas esfarrapadas para não abastecerem nosso carro na Bolívia.
Uma hora e meia prá conseguir combustível do caminhoneiro

Quando entramos na Bolívia, na região de La Paz, fomos em 16 postos até conseguir um para abastecer comprando diesel do tanque de um caminhoneiro, passando para o nosso com mangueira. Deprimente.
Essa situação ridícula de quase pedir pelamordedeus por uns mirrados litros de combustível está assim desde 2008 quando o governo boliviano decidiu colocar um processo e preço especial para o combustível vendido a estrangeiros. Dizem que fizeram isso para prevenir o contrabando do combustível boliviano para os países vizinhos. E preço especial significa pagar três vezes mais que o local. Mesmo pagando mais, não querem te vender.
Civilização! Oba!
E olhe que o combustível boliviano é de péssima qualidade. Sem dúvida alguma foi o pior de todos os que usamos. Logo depois que saímos da Bolívia, tivemos que trocar o filtro de combustível. E isso ainda saiu barato, outros viajantes tiveram problemas bem piores, com sujeira nos bicos injetores e outros problemas sérios no motor.
O lado bom é que essa situação é pior mesmo próximo a La Paz. Em outras regiões do país, pudemos abastecer com menos dificuldade e pagando um preço melhor (lá pelo dobro do preço local). Mas em Uyuni, o problema é ainda pior: a falta de combustível mesmo. Locais e estrangeiros tem a mesma dificuldade lá. Nem pense em abastecer de final de semana. Na 6ª feira já começam filas gigantes pra abastecer. Nós conseguimos comprar 20 litros de um comerciante local que nos cobrou o preço cheio de turista.
Amamos a Bolívia, seu povo e suas paisagens. Mas foi um alívio chegar ao Chile e voltar a abastecer sem precisar ficar implorando, negociando antes e pagar com o cartão de crédito!

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Sudoeste boliviano, nosso top 2!


Achamos que a cota de belezas da Bolivia havia se esgotado no salar. Ainda bem que estávamos enganados. A inacessibilidade do sudoeste boliviano preserva suas paisagens deslumbrantes e a rica fauna selvagem e acabou ocupando o segundo lugar nos top Anima da viagem.

Nosso roteiro foi de Uyuni até San Pedro do Atacama, no Chile. Nesse trecho passamos quatro inesquecíveis dias de silêncio, frio e belezas que tínhamos experimentado apenas no Alaska.
Saímos à tarde de Uyuni, logo depois de fazermos a excursão do Salar de Uyuni. Essa primeira noite, passamos num lindo mirante na estrada.

Vista do mirante hospedagem

Na manhã seguinte, saímos cedinho para tentar encontrar os grupos de excursão na Vila Alota às 8h.
Preferimos seguir um guia local para fazer o trecho do oeste da trilha que é bem mais complicado, porém mais bonito, que a estrada que vai direto à Laguna Colorada.
Passamos por três lindas lagoas (Chullucani, Pastos Grandes e Khara) onde vimos cores que não existiam na nossa palheta ainda, como tons de azul, verde, branco e vermelho. Esses desertos são uma maravilha para descobrir cores novas! Cada laguna é única mas de uma coisa você pode ter certeza: nessa época do ano (fevereiro) tem muitos flamingos posando para fotos.


Nossa última atração com o grupo foi a Árvore de Pedra, uma formação rochosa esquisita perto do Desierto de Siloli. Daí prá frente, continuamos sozinhos pois volta-se para a estrada principal e fica bem mais dificil se perder.

Árvore de Pedra

Chegamos ao Parque Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa e pagamos a cara taxa de entrada (Bs150 ) para quatro dias de permanência, podendo realizar free campings mas sem nenhuma estrutura básica de apoio como banheiros ou água. É você e a natureza!
Visitamos um mirante para a Laguna Colorada logo a esquerda da entrada e já sentimos o vento implacável dessa região. Mesmo com ventania, conseguimos fazer o almoço do lado de fora do carro mas pouco apreciamos do mirante.
Com a barriga cheia, continuamos nosso passeio para o parque propriamente dito e depois de visitar um canyon, decidimos passar a noite em frente a Laguna Colorada mesmo. Dentro do carro, não sentimos tanto o vento e ficar com a varanda virada para essa lagoa é estar um pouquinho no paraíso.
Varanda móvel, nunca enjoa

A Laguna Colorada tem esse nome por causa de sua cor vermelha e em alguns pedaços, branca. O vermelho vem de uma alga e o branco pode ser uma mistura de três coisas: gelo, sal e outro tipo de alga. Dizem que essa parte branca tem diminuido consideravelmente através dos anos.
Laguna Colorada

No outro dia pela manhã, passeamos pela borda da lagoa, habitat das três espécies de flamingos: o chileno, o andino e o James. Ficamos algumas horas observando os flamingos que não se cansavam de posar para fotos e o resultado foi que temos aproximadamente 200 boas fotos de flamingos.


Da Colorada, fomos tomar um banho quente num poço termal ao lado da Laguna Salada e decidimos passar a noite nesse local mesmo. Paramos mais cedo nesse dia pois por volta das 16 horas, começou a nevar o que dificulta os passeios. Dormimos mais uma vez em meio ao silêncio absoluto só cortado pelo barulho do vento e dos flamingos.
A noite é fria mas o céu é um monte de estrelas. Pegamos mínima de - 3,6 graus e sabemos que estavamos na estação quente do ano. Com altitude média de 4300 metros, frio e neve estão sempre presentes. Vá com roupas quentes!
No dia seguinte, visitamos os geiseres, inclusive o mais famoso que chama-se Sol da Manhã. Passear pelos geiseres requer muito de outros órgãos do sentido: escuta-se o barulho deles que pode ser de borbulhas de lama ou de algo parecido com o chiado de uma panela de pressão; e o olfato claro, o cheiro de ovo podre e enxofre é onipresente.

Gêiser

Seguimos para as lagunas Blanca e Verde, aos pés do vulcão Licancabur que faz fronteira com o Chile passando no caminho pelo Deserto de Dali. Uma paisagem deslumbrante!
Laguna Verde

Foram tantas paisagens bonitas nesses poucos dias que ficamos em êxtase e a Bolivia nos cativou profundamente, mesmo com todo o problema que tivemos para comprar combustível como contaremos no próximo post.

Dicas para overlanders:

Quando resolvemos fazer esse caminho, tínhamos muitas dúvidas pois na internet as informações são poucas. Portanto, se você quer fazer esse trecho sem contratar excursão, recomendamos que você se informe em algumas agências de turismo e com os guias 4x4 na própria cidade de Uyuni. Primeiro, é importante saber como estão as condições das estradas. Novamente, o caminho foi restringido pela chuva e acumulo de água nas estradas. Uma boa é observar os carros que saem para fazer esse percurso e se o seu carro tem condições parecidas como altura e pneu. Imprescindível é ter carro traçado. Sem isso, esquece!
Descobrimos que os carros que fazem essas lagoas off road partem da Vila Alota as 8:00. Como não conseguimos combinar de segui-los em Uyuni, resolvemos encontra-los umas 7:50 e combinar diretamente com os motoristas. Para tanto, dormimos num mirante da estrada pois essa cidade fica distante de Uyuni.
No total, rodamos 632 kms entre Uyuni, lagunas off road, parque Eduardo Avaroa até chegar em San Pedro do Atacama. Combustível existe em Uyuni e Atacama. Portanto, calcule quanto você consome para ter uma autonomia de uns 800 kms pois imprevistos podem acontecer. Nós saímos com o tanque cheio mais dois galões de 20 litros mas voltamos com um galão cheio.
Você estará isolado. Não espere encontrar restaurantes e hospedagens super charmosos. O melhor é levar comida e água para esse período com uma folguinha principalmente de água potável. Na Bolívia tomamos sempre água mineral. A água das torneiras de Uyuni eram amareladas, enchemos algumas garrafas para usar para lavar pratos e mesmo assim ficamos ressabiados.
Venta e faz muito frio. No verão, pegamos mínima de – 3,6C e neve no meio da tarde. No inverno nos disseram que bate os -15C. Hora de usar as roupas mais quentinhas, vestindo-se em camadas e com os acessórios de frio como cachecol, gorro e luva. É interessante ter um aquecedor a gás para noite. Existem umas hospedagens no Parque caso você não queira ficar em barracas mas não fomos nos informar sobre preços pois o Jumbo é confortável, quentinho e limpo ainda mais comparado com certos lugares.
A condição das estradas é de péssima para horrorosa. O Jumbo sentiu e precisamos trocar três coisas: o filtro de combustível, o rolamento do cardan e um dos pneus que formou uma bolha gigantesca.
Que bolha perigosa


Fronteira Bolívia/Chile: Paso Cajón
Essa foi uma das fronteiras mais esquisitas por onde passamos. Para cancelar a importação temporária do carro, precisa passar na aduana que se localiza a uns 90 kms da imigração. Fomos duas vezes até a aduana pois o primeiro dia era terça feira de carnaval e segundo o segurança estavam todos borrachos (bêbados). Ainda bem que estávamos sem pressa e tínhamos comida e combustível para ficar indo e vindo.
Voltamos no dia seguinte e o procedimento foi tão tosco que não sei até que ponto é necessário cancelar esse documento. Apenas entregamos o papel e só após muita insistência nos deram uma cópia carimbada que não foi pedida na imigração.
A aduana fica a S 22*26.447’ W 67*48,358’, mais ou menos próximo ao gêiser do Sol da Manhã, a 5.000 metros de altitude. Deve ser uma das fronteiras de maior altitude em todo o mundo!
Não se deixe enganar pelos bracinhos de fora. A 5000 m estava frio.

Dai seguimos para a imigração dar baixa no passaporte. O funcionário nos pediu Bs 15 por pessoa. Quando pedimos o recibo, ele carimbou o passaporte e deixou para pedir a  propina dele para outro que não saiba que não existem taxas a serem pagas na saída da Bolívia.
Mais estranho ainda, a imigração e aduana do Chile fica super longe, na cidade de San Pedro do Atacama, a 45 quilômetros da Bolívia.
Para imigração, preenchemos a tarjeta migratória e deram entrada no passaporte. Para o carro, apresentamos o documento original do carro, CNH e carimbo de entrada no país. Eles emitem um documento de importação temporária sem custos.
Nessa e em todas as fronteiras chilenas, existe uma fiscalização sanitária, ele procuram frutas, vegetais e derivados do leite principalmente. E confiscam tudo que está proibido entrar no Chile.
Essa fronteira demorou 1:30 só no Chile pois demos o azar de chegar após dois ônibus de passageiros. 

domingo, 7 de abril de 2013

Salar de Uyuni


Visitar o Salar de Uyuni na Bolivia foi um dos pontos altos da viagem. O lugar é incrível!
Com 12.000 quilometros quadrados de área, é o maior deserto de sal continuo do mundo. 

Veja só o tamanho do salar ao lado de São Paulo
Para visualizar melhor, o salar é maior que a Grande São Paulo. Ficamos impressionados com essa informação e resolvemos colocar uma imagem do google para vocês também poderem ter um pouquinho da ideia da dimensão do Uyuni. A escala utilizada nos dois mapas é a mesma.
Quando a gente lê que o salar fica num altiplano, não tem noção do que isso significa. Uma área plana numa região alta, significou para nós mais de três semanas acima dos 3000 metros. Nós que nascemos e vivemos pé na areia, tivemos sorte e não sentimos o mal da altitude, como dores de cabeça, enjoôs, que muitos viajantes sentem. Talvez porque fizemos essa adaptação gradual, mal percebemos que o salar fica a 3650 metros. Bem, apesar que sentimos outros efeitos da altitude como frio e o ar mais rarefeito mas nada que impedisse nossos programas. Para quem pretende visitar uma região que fica nas alturas, além de uma adaptação gradual que significa subir aos poucos, em pelo menos dois dias, é importante se hidratar bem. Água e chá são os mais indicados nesse caso. E se estiver no Peru ou na Bolivia, é possível comprar folhas de coca que aparentemente também funcionam.
O salar é composto por 11 camadas, sendo que a crosta, a que vemos, tem uma profundidade de 10 metros. Estima-se que tem 10 bilhões de toneldas de sal dos quais 25.000 toneladas são extraídas anualmente. A Bolívia não precisa se preocupar com falta de sal por milhares de anos.


Além desse monte de sal, o salar é a maior reserva de lítio do mundo. Com certeza, você usa mais lítio do que imagina, já que ele está presente no celular, em pilhas e em computadores. Portanto, tem muita gente de olho grande nessa reserva. Descobrimos que a Bolivia começou a explorar essa riqueza há bem pouco tempo mas aparentemente a extração de lítio não é fácil além de precisar de muita água, coisa rara nas imediações do salar.
Nossa experiência foi um pouco distinta da de outros viajantes. Chegamos após a época de chuva, uma época curta do ano mas que coincidiu com a época que estávamos ali. Por esse motivo, não conseguimos cruzar o salar com o Jumbo nem visitar a Isla del Pescado pois a água impedia que passássemos com o carro. Mas encontramos o maior espelho que com certeza veremos em nossas vidas.
Por ser branco e plano, juntamente com a água da chuva, o salar cria paisagens surreais. A sensação é única!
Vimos também os ocos, os desenhos geométricos criados naturalmente pelo sal.
Com essa perspectiva atrapalhada, as fotos ficam interessantes. Vá com o cartão de memória bem vazio.

Saindo da cidade de Uyuni, você vai passar por uma pequena comunidade chamada Colchani. Nela, o povo trabalha com o turismo, vendendo artesanato e também da extração de sal. Suas casas são feitas de blocos de sal, assim como o hotel onde almoçamos que além das paredes tinha cadeiras, mesas e esculturas de sal.
Artesanato em sal

Esse é um dos lugares que está na lista para se visitar novamente, mas da póxima vez, na estação seca quando poderemos cruzar esse imenso branco com o carro.

As paredes são feitas de blocos de sal

Dicas:
- se for com o seu carro e sozinho leve combustível extra e tenha um GPS. Além de muita água e comida. Se perder no salar é fácil. Ele é gigantesco e confunde as pessoas com suas paisagens surreais e falta de perspectiva.
- pegamos uma excursão para visitar o salar e evitar o contato do sal líquido com o Jumbo. Como não podiamos cruza-lo já que muitos trechos estavam intransponíveis, decidimos poupar o carro, o que achamos que foi uma boa decisão.

Sal líquido não faz bem para o carro

- a cidade base é Uyuni. O que esperar de uma cidade boliviana isolada e com pouca água potável? A cidade é pequena, com poucos serviços. Chegamos na sexta feira santa e vários, repito, vários hotéis estavam fechados. Restaurantes então, era implorar pelamordedeus para te atenderem. Sobrevivemos por uma noite e após o passeio, continuamos nossa viagem pelo altiplano boliviano, dormindo na estrada rumo ao parque Eduardo Avaroa e suas lindas lagunas com flamingos.
A cidade de Uyuni

- se você quer conhecer um lugar único no mundo, visite o salar. Podem ter lugares melhores e piores mas nenhum vai causar a sensação de caminhar em um lugar tão único como aquele. E mais do que as milhares de fotos que você com certeza vai tirar, aproveite para sentir aquele lugar. E como o mundo é cheio de surpresas e coisas novas. Sempre!

Vale o esforço

domingo, 24 de março de 2013

Carnaval na Bolivia


La Paz nos causou uma baita impressão à primeira vista. Chegando da estrada, demos de cara com um vale com o maior adensamento populacional que já vimos. O susto também foi enorme. Afinal de contas, olhando aquele mundo de casas e gente, a vontade de cruza-la de carro vai ao dedo do pé. Mas como São Jorge, enfrentamos nosso dragão e descemos a montanha de peito aberto, prontos para enfrentar um trânsito que se mostrou muito mais tranquilo do que esperávamos.

Todo mundo bem amontoadinho!

Fomos direto ao camping Oberland, do outro lado do vale, num bairro chamado Massala. O camping foi ótimo, com boa estrutura, cumprindo o que prometia. O dono, suíço, criou uma ilha de conveniência para os viajantes que conta com hotel, restaurante e café. Por isso, todos os overlands param nesse camping. Acabamos jantando duas vezes no restaurante do hotel e recomendamos. Foi lá que experimentamos o quinoto, um risotto com quinua. Riquíssimo!
Pertinho do camping ficava o Vale da Lua (Bs 15), um parque criado para visitar um pedaço da Cordilhera Real onde a erosão consumiu o topo da montanha, criando formas diferentes. O passeio é bem tranquilo, dá para fazer em uma hora.
Valle de la Luna


Passeamos também pelo centro, o qual visitamos de ônibus. Passamos pela Igreja San Francisco e ali pertinho, na rua Sagarnaga se encontram um monte de lojas de souvenirs. Entretanto o mais bacana dessa área é o Mercado de Bruxaria, lojas que vendem uma porção de coisas para fazer “trabalhos”. Inclusive muitos fetos de lhama desidratados, além de fósseis que nada tem a ver com bruxaria mas deve ser ilegal vender pois nos ofereciam bem na surdina. Como contamos no post do Lago Titicaca, os bolivianos tem muito da cultura do xamã e essas lojas apenas ilustram a fé desse povo.
Igreja de San Francisco

Comércio boliviano tem bons preços

Partimos de La Paz em direção a Sucre. Resolvemos ir direto para Sucre e não ficar enrolando em outras cidades querendo fugir do carnaval, que os bolivianos comemoram fortemente. A cidade é totalmente diferente de todas as outras cidades pelas quais passamos na Bolivia pois é de estilo colonial, com prédios branquinhos e super bem preservada.
A cidade é linda e conta com cafés, restaurantes, supermercados e lavanderias, ou seja, o paraíso de viajantes! Infelizmente, era carnaval e todos os museus estavam fechados e ficamos flanando apenas pelo centro.
Floreiras em postes? Sim, estamos na Bolivia

Veja bem, flanando numas, afinal de contas a principal brincadeira do carnaval é jogar bambucha com água nos transeuntes, seja você local ou turista, você é um alvo em potencial. Portanto, flanamos sempre atentos para evitar a molhadeira pois estava frio (cerca de 15 graus durante a hora quente do dia) e não temos tanta roupa assim. Mas a galera, principalmente a molecada se divertia. O negócio é profissional nessa história de bambucha, tem até ambulante vendendo um saquinho de supemercado cheio de bambuchas cheias, prontas para serem usadas como munição.
Olha ai uma das responsáveis pela molhadeira generalizada

Também vimos como acontecem os blocos de rua durante o carnaval. É assim: você contrata uma banda junto com seus amigos e saem desfilando pelas ruas principais da cidade, geralmente com fantasias iguais. E a banda vai tocando atrás. E o pessoal que contratou a banda vai na frente dançando, pulando, jogando serpentina, bambucha, se divertindo. Nos pareceu o Brasil de anos atrás. Mas claro, nossas marchinhas carnavalescas são infinitamente melhores...
Sucre 

quarta-feira, 13 de março de 2013

Lago Titicaca

Barcos de totora


O lago Titicaca é o lago navegável mais alto do mundo, está a 3.827 m de altitude. Ele é enorme e fica na divisa entre Peru e Bolívia. Visitamos as duas principais cidades, Puno e Copacabana.
Lago Titicaca

Em Puno (Peru), aproveitamos para visitar as ilhas flotantes de Uros. Fizemos o passeio de meio dia, por conta própria, pegando um barquinho do porto. É fácil fazer por conta própria.
A história do lugar e a maneira que eles usaram as totoras para construir as ilhas é mais interessante que o passeio em si. Conta-se que as ilhas flutuantes foram a maneira que alguns grupos de indígenas encontraram para fugir dos incas. Considerando que os incas sacrificavam 500 crianças por semestre para os deuses da colheita entre outras coisas, acredito que muitos queriam distância deles. Dai, encontraram essa solução de construir essas ilhas com a totora, uma palha que cresce abundantemente no leito do lago.
Hoje, eles dizem que ainda vivem nas ilhas mas é difícil acreditar. Não existe nenhuma motivação real para continuar vivendo ali, a não ser o turismo. Para manter as ilhas flutuando, é necessário colocar totora nova a cada 15 dias. Um trabalho enorme!
Mas deve valer a pena porque nos tempos dos incas, existiam apenas quatro ilhas e hoje são por volta de 70! Sem tratamento de esgoto adequado, fica difícil usar a água do lago para alguma coisa.




Foi em Puno que sofremos a primeira agressão contra nosso carro. Tivemos que estacionar na rua porque o hostel não tinha estacionamento e picharam nosso carro. Ainda bem que foi só isso e que conseguimos remover a tinta com querosene. Mas fica de alerta, parar uma casa rodante na rua tem muitos perigos!

O dó do Jumbo!

De Puno, seguimos para Copacabana, outra cidade do lago Titicaca mas dessa vez, do lado boliviano. Na nossa primeira cidade da Bolivia, já percebemos como esse povo é festeiro. Chegamos no dia da festa mais famosa da Bolívia, da Virgem da Candelária.

E as cholas rodaram

Durante essa festa, assistimos ao desfile de Ch’utas e Cholas acompanhados de bombos e zampoñas (flautas andinas). Nesses desfiles, homens e mulheres cuidadosamente fantasiados dançam uma coreografia em homenagem aos deuses da colheita. Essa festa é antiga, remonta aos tempos dos povos pré colombianos. O que aconteceu é que na época colonial, a Igreja Católica tentou acabar com essas manifestações pagãs mas não conseguiu. Dessa forma,  ela acabou transformando essa festa numa festa religiosa, aceita e difundida. O que se vê hoje é uma grande festa com muita cultura mas pouquíssima religiosidade. Até mesmo os objetos de oferenda a Virgem da Candelária (ou deuses da colheita) se assemelham as oferendas antigas.
Rodaram muito todas a cholas

A Virgem da Candelária

As Cholas ainda fazem os tapetes decorados de flores no chão, para que a procissão passe por cima. Muito simples mas tudo com muita fé e dedicação.

Com flores! Nada de serragem colorida!

A festa é bonita mas a música é sempre a mesma, com pouca variação. E não importa a cultura, festas populares sempre são uma desculpa para se beber muito. A grande diferença para nosso carnaval é como eles consomem a cerveja: em temperatura ambiente. Muito estranho!
O esquenta e o esfria era a base de Paceña

No meio do desfile, um homem  servia whisky na tampa pros  músicos

Adoramos essa coincidência de chegar bem no dia do vuco-vuco e poder participar da festa junto com os bolivianos, por enquanto o povo mais festeiro da viagem!
Também em Copacabana, tem-se o costume de abençoar o carro com xamãs, vinho, charuto e flores. Não tem como não lembrar do candomblé, com o xamã dando volta no carro soltando fumaça do charuto pela boca, oferecendo o vinho para os proprietários e dizendo frases incompreensíveis. Não “benzemos” nosso carro, que saiu bento pelo Padre Chico lá de Santos, mas vimos vários carros benzidos, cheio de flores. Inclusive, pessoas de La Paz quando compram um carro novo levam para Copacabana para benzer.
Por causa do mal tempo, não visitamos a Ilha do Sol, o passeio mais famoso a partir de Copacabana. Ficamos vendo a festa e depois, seguimos viagem para La Paz. Mas esse pouco tempo que estivemos em Copacabana, já deu pra sentir muito da cultura e dos costumes dos bolivianos, um povo autêntico e feliz.

Os bolivianos nos surpreenderam

Fronteiras:
Trâmites para a saída do Peru: havia uma fila considerável mas foi super tranquilo. Primeiro, fizemos nossa imigração, carimbando nossa saída no passaporte. Num prédio em frente, entregamos o documento da importação temporária e seguimos rumo à Bolívia.
Trâmites para a entrada na Bolívia: foi o único país até o momento que pudemos fazer a importação do carro antes da imigração. Os documentos para tanto são os mesmos de sempre: cópia e Xerox da CNH, documento do carro e passaporte. Eles emitem o documento sem custos. Apesar do policial tentar dar uma de esperto e pedir pra ver cópia do seguro do carro, sabemos que ele não é obrigatório na Bolívia. Pule fora dessa dizendo que já tem. A imigração foi simples, apenas o carimbo de entrada no passaporte e preenchimento do papel da imigração. Tudo sem custos para brasileiros. Outros cidadãos necessitam pagar uma taxa para visto, atendendo a justa lei da reciprocidade. 
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