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sexta-feira, 22 de novembro de 2013

A volta prá casa!

Depois de um longo silêncio, voltamos a escrever no nosso blog. Dessa vez para contar de uma antiga conhecida, nossa cidade natal, Santos.
Santos não é a cidade mais bonita do mundo, nem da América. Mas é a cidade onde nascemos e crescemos e estávamos ansiosos por reencontrar nossa cidade, nossa família e nossos amigos.
Santos

Nós decidimos chegar pela BR 116, ao invés de descermos a Serra do Mar pela Anchieta/Imigrantes pois queríamos adiar o aborrecimento que são os congestionamentos nessas estradas. Fomos chegando de mansinho, passando por Praia Grande, São Vicente (passamos pela Ponte Pênsil) e finalmente, Santos! Nós moramos perto do canal 2 mas decidimos percorrer a orla um pouquinho mais e sentir nossa cidade!
Da janela do Jumbo, uma orla bem conhecida!

Nossa casa estava igualzinha! Mérito para nossa família e nossa faxineira que deixaram tudo nos trinques para nossa chegada! Ficamos emocionados ao ver nosso espaço novamente... Quanto espaço! Quanta coisa! Quanta roupa!!! Meu Deus, durante 19 meses vivemos intensamente com tão pouco, agora um apartamento com uma porção de coisas pouco utilizadas, deu um nó na gente.
Encontramos nossos familiares aos poucos. E no dia 31 de maio, aniversário da Marina, reunimos todo mundo aqui em casa para celebrar. Foi muito, muito bom!!!
Viva! Sobrinhos!!!

Família encontrada, vamos a parte prática (e chata) da volta ao lar. A primeira providência foi arranjar uma internet pra nossa casa e um número de celular. Nesse tempo todo fora, usamos apenas wi-fi nos campings, postos de gasolina, mc donald´s... Sabe aquela propaganda de wi-fi (veja aqui) que vem sendo veiculada na TV? Sim, ela é baseada em fatos reais e nós fazíamos exatamente a mesma coisa que os protagonistas. A internet chegou em casa após uma semana apenas, o que deixou a gente maluco atrás de um sinal aberto. Do tipo caminhando pelo estacionamento com o tablet atrás de uma rede.
O celular foi outra providência importante. Legal, nós chegamos mas estamos incomunicáveis. Não rola. Tivemos que resolver isso logo de primeira.
Outra coisa que nos encontrou logo de cara foi a famosa reunião de condomínio onde um dos assuntos era os riscos do Jumbo estacionado no prédio. Comparecemos mas foi um rolo só. Queriam nos proibir de estacionar o Jumbo lá. Mas principalmente porque na ata apareceram itens que não foram discutidos no dia da reunião sobre a necessidade da apresentação de inúmeros laudos que comprovassem que o Jumbo era um veículo seguro (do tipo que ele não vai explodir ou afundar o chão do edifício). Nós passamos por 18 países e em nenhum aconteceu nada parecido. Nem nas fronteiras mais chatas. Justamente onde a gente mora, houve esse tipo de problema. Parece piada, mas é a realidade. Foi pra esse tipo de coisa que voltamos...
Jumbo e seus amiguinhos de viagem, sem nenhum stress

Também logo começaram o sobe e desce prá São Paulo. Perdi as contas de quantas vezes usamos a Anchieta e a Imigrantes desde que voltamos. E também perdi as contas de quantos comboios e estrada parada pegamos. Isso que não estamos na época da safra de soja, quando a estrada pára mesmo. Juro, não sabemos o que será no ano que vem. O Mauro fica inconformado, “Dirigi 100 mil quilômetros mas nada se compara a chatice desse anda e pára da Imigrantes”.
Anchieta: mais que o dobro do tempo para chegar a Santos

Quanto a vida social, também vivemos momentos de estresse. Logo no começo, a Marina desenvolveu uma certa “fobia social”. Não conseguia ficar em grupos maiores de cinco pessoas (tirando a família próxima). Todo mundo chegava perguntando da viagem e ela não gostava de ser o centro das atenções. Mesmo porque como resumir num reencontro rápido entre conhecidos a experiência absolutamente única de se viver por 19 meses na estrada? Por onde começar? Ainda hoje existe certo pânico quando as perguntas começam.
Outro problema são os eventos. Eventos e mais eventos. Churrascada, almoço, pizzada, feijoada, aniversários, etc, etc, etc.... Chegamos e fomos anotando num quadro todos os
compromissos sociais que a gente tinha. Sim, a gente estava com saudades de todos, queríamos  reencontrar todo mundo mas passamos esse tempo alheios a certas convenções sociais. Éramos dois apenas. E nos acostumamos de tal forma um com o outro que nos
Jantar Brasil/Coreia
bastávamos. Momentos deliciosos de ... silêncio!!! Ah, mas na viagem vocês não fizeram amigos? Sim, uma porção! Inesquecíveis todos eles! Mas era tudo mais simples, combinar um jantar era no mesmo dia, quando não na mesma hora. A preparação da comida era com o que a gente tinha na despensa ou geladeira. E se não desse certo, paciência. E roupa, nem se fala! A gente não se preocupava em como estávamos vestidos. Se todos estivessem de banho tomado já estava de bom tamanho. O papo era a estrada, o país de origem, que filme baixar na internet, nossas dificuldades ou coisas imperdíveis para fazer em determinados locais. Jamais sobre a secretaria de educação, dias letivos, o cabeleireiro, a unha, o time de futebol. Jamais!!!

Santos está igual e diferente (ou diferente estamos nós??). A cidade parece ter uma orla mais apertada, o mar parece mais escuro do que nossa lembrança. Além disso tem muito mais trânsito, muito mais prédio além de inúmeras temakerias abertas. Sim, ficamos surpresos com essa moda de temakerias em Santos.


Mas escrevi, escrevi e não contei nada sobre Santos. Injusto. Nossa cidade merece um post especial, com atrativos e tudo mais que tem direito. Fica pro próximo!

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Missões Jesuíticas Guaranis: Brasil e Argentina

As missões formadas pelos padres jesuítas fazem parte de uma história desconhecida para nós brasileiros. Não aprendemos muita coisa sobre esse movimento sócio-educativo-religioso que aconteceu no coração da Cuenca del Plata, uma área fértil nos territórios do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
São Miguel Arcanjo, no Brasil

Foram 30 reduções de índios guaranis integradas que formaram as Provincia Jesuítica de Misiones. Dessas, sete ficam em território brasileiro, 15 na Argentina e oito no Paraguai. Lembrando que no tempo das missões, o território desses países ainda não tinha sido delimitado pelo Tratado de Madrid e as fronteiras dos países que hoje possuem essas ruínas ainda não estavam definidas. Todo esse território estava sob domínio espanhol.
Os jesuítas tinham como principal objetivo no Novo Mundo a difusão da fé católica. Preocupados com a expansão do protestantismo, a Igreja Católica resolveu enviar para a América os padres jesuítas, incumbidos de convocar mais almas para o reino de Deus e assim, continuar maior em número de fiéis em relação a essa nova religião que crescia.
Os missionários que vinham para cá passavam por um alistamento parecido com os militares de hoje: deveriam se adaptar a qualquer ambiente do planeta e eram vetados caso apresentassem alguma limitação física. Diferente de outras ordens religiosas, os jesuítas eram o que chamamos de PPTO (pau prá toda obra). Visitando as ruínas das antigas reduções fica claro que os religiosos eram multiuso: entendiam de construção, de domesticação de plantas, de aproveitamento de recursos hídricos, de arte, de música, de ensino entre outras habilidades e junto aos índios guaranis, organizaram cidades que somadas ultrapassavam os 140 mil habitantes ao final de 150 anos de evangelização. Essa população era maior do que a de Buenos Aires na mesma época, por exemplo.
Mapa das missões
As missões estavam em pleno florescimento econômico e cultural quando o Tratado de Madrid estabeleceu novas fronteiras entre Portugal e Espanha, representadas hoje por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Portugal trocou Colonia del Sacramento – hoje Uruguai, pelas terras ao leste do rio Uruguai - hoje Rio Grande do Sul. Nessa troca, as sete missões localizadas nesse território passaram a fazer parte da colônia portuguesa.
Com isso, os guaranis se revoltaram porque estavam estabelecidos em tais missões há anos e estas estavam prósperas e organizadas. Não queriam sair desse território nem ficar sob o domínio dos portugueses. Além do mais, os bandeirantes continuavam capturando guaranis para o trabalho escravo e essa mão de obra gratuita e especializada seria uma ótima aquisição para as fazendas de café. Por sua vez, os jesuítas foram acusados de apoiá-los e dessa forma, uma agressiva campanha foi montada contra as missões. A Guerra Guaranítica estava armada.
A pior batalha aconteceu em 1756 em território hoje brasileiro onde 1500 indígenas foram massacrados em pouco mais de uma hora pelas tropas espanholas e portuguesas. Tal batalha recebeu o nome de Batalha de Caiboaté. Houve outras batalhas todas ganhas pelos europeus e esse foi o início do fim das missões.

As ruínas e o que visitar
Acima, pusemos um pequeno histórico do que foram as reduções na América, coisas que descobrimos nas visitas aos sítios arqueológicos. Demos uma resumida para não ficar muito chato mas acreditamos que é super importante saber o que aconteceu na nossa terra já que os jesuítas ajudaram a construir a identidade do povo brasileiro.
Nós conhecemos cinco reduções: no Brasil, São João e São Miguel e na Argentina, Santa Ana, Nuestra Señora de Loreto e San Ignacio Mini. Não fizemos Trinidad no Paraguai mas as recomendações de lá são muito boas.
Traçado das reduções
A urbanização das missões é praticamente a mesma. Cidades planejadas a partir de uma cruz que marcava o centro da missão e da praça. Em uma das laterais, sobressaia a Igreja junto com a casa dos padres, colégio e oficina de um lado e do outro o cemitério e o coti guaçu (casa das viúvas e órfãos). Ainda em volta da praça se encontrava a prefeitura, as casas dos indígenas e as terras para cultivo particular e coletivo. Atrás da Igreja havia a horta dos padres, onde eles cultivavam suas hortaliças e faziam aclimatações de plantas europeias ao Brasil.
O trabalho era dividido dessa forma: os homens faziam o trabalho rural, de carpintaria e de ferreria. As mulheres eram responsáveis pelos trabalhos domésticos, pelo cuidado com as crianças, cozinhavam e teciam. Os meninos iam para escola onde aprendiam com os missionários as primeiras letras e outros conteúdos escolares. Todos participavam de trabalhos artísticos e religiosos.
Rua larga entre as casas dos indígenas

Para manter a coesão popular, os jesuítas respeitaram o poder do cacique e aplicaram um rigoroso sistema produtivo. Cai por terra quem pensava que eram unidades comunistas; as reduções foram uma nova forma social mas com hierarquias bem definidas. 
As missões que visitamos no Brasil ficam em fácil acesso a partir da RS 285. Existem placas informativas na estrada. São João tem mais informações escritas do que ruínas. Poucas coisas restaram em pé. Foi um bom começo, nela pudemos entender a organização física da missão, que se repetiria em todas as outras visitadas. Nessa a entrada é gratuita e algumas placas informam o que você está vendo.
São João Batista 

São Miguel das Missões é a melhor preservada das reduções no Brasil. Descobrimos em outra visita que a igreja de São Miguel não precisou ser reerguida pois como essa é uma redução jovem, a técnica empregada na construção foi mais moderna.  São Miguel é impactante e muito linda ao entardecer. Como ponto negativo ficam as placas informativas, quase todas apagadas e pouco legíveis. Por ser a missão mais visitada no Brasil, deveria estar melhor conservada. Nas noites sem chuva ocorre o Espetáculo de Som e Luz, uma apresentação da Batalha de Caiobaté poetizada. Achamos poético demais e informativo de menos, saímos cheios de dúvidas da apresentação, sanadas com muita pesquisa na internet e nas visitas as ruínas da Argentina.
Espetáculo de Som e Luz

Em São Miguel existe ainda um pequeno museu com lindas obras barrocas guaranis, confeccionadas pelos indígenas através da supervisão dos religiosos. As obras são todas sacras.
Arte barroco guarani

Do lado argentino, a primeira missão visitada foi a de Santa Ana. Acompanhados de guia, tivemos uma explicação bárbara sobre a vida nas reduções. Foi uma verdadeira aula de história! O sítio está bem conservado e tem como destaque não ter sido reconstruído, mantendo características originais. O lugar ganha vida com o guia que pontua detalhes que passariam despercebidos por olhos leigos.
Repare no espaço  deixado pelas vigas de madeira do telhado

Depois seguimos para as ruínas de Nuestra Señora de Loreto que tem como destaque os banheiros (latrinas) encontrados apenas nesse sítio. Não se sabe se não existiam banheiros em outros sítios. Chovia muito e limitamos nossa visita às latrinas mesmo. 
Latrinas

As últimas ruínas que visitamos foram as de San Ignacio Mini, as mais famosas de todas as reduções jesuíticas guaranis. San Ignacio foi totalmente reconstruída, reerguida e com isso, perderam-se algumas características da época. Mesmo assim, esse sítio justifica ser o mais famoso do pedaço pois a sensação da dimensão das reduções é muito maior nesse lugar. Muitas placas informativas – em várias línguas- ajudam a compreensão.
Igreja de San Ignacio Mini

O museu é bárbaro, com muitas informações e obras desse período. Esse foi o lugar onde conseguimos fechar nosso conhecimento sobre as missões.

Dicas Anima:
- separe dois dias para fazer esse roteiro. Se incluir o Paraguai, reserve mais um dia.
- faria novamente todas as reduções que fizemos, uma complementou a outra.
- no Brasil, é possível pernoitar em São Miguel das Missões. A cidade é pequena mas oferece algumas acomodações e restaurantes. Nós optamos por um camping selvagem no estacionamento da redução.  Do lado Argentino, passamos uma noite em Posadas (essa é a cidade-base para se conhecer Trinidad no Paraguai), num hotel, e em San Ignacio, num camping na rodovia.
- dá prá incluir uma visita às reduções da Argentina numa viagem a Foz do Iguaçu. Fica um pouco corrido para fazer em um dia mas é bem possível.
- Posadas é uma cidade simpática, principalmente a região beira rio. Tem bons restaurantes e bares com vista para o Paraguai, que está na margem oposta.
- em São Miguel pagamos R$ 5,00 por pessoa pela entrada e mais R$ 5 para o espetáculo de luz. Na Argentina, compra-se um ticket na primeira redução que vale por alguns dias para as quatro missões abertas para visitação nesse país – San Ignacio Mini, Santa Ana, Loreto e Santa Maria La Mayor. Pagamos AR$ 40 por pessoa (preço especial para residentes da América Latina).
San Ignacio, Argentina
- ainda existe o espetáculo sombra e luz em San Ignacio Mini que aparentemente é melhor do que o brasileiro. Perdemos, pois quando chove o espetáculo é cancelado.
- o turista que visita o lado brasileiro é na sua maioria escolar do Rio Grande do Sul. Acreditamos que acontece isso por alguns motivos. Além da pouca divulgação, nossos sítios não possuem informações em outras línguas e esse tipo de visita é mais cultural que visual, precisa ter informação escrita para ser completo. Do lado argentino, muita diferença. Tem uma estrutura melhor para o visitante, com placas em outras línguas, folders entre outros. 
- a fronteira entre Brasil e Argentina foi tranquila, usamos a identidade e apresentamos o documento do carro e a carta verde na fronteira. Não esperávamos o valor do pedágio para cruzar o rio Uruguai, AR$ 120. Esse valor poderia ser pago em reais também. Cruzamos de São Borja (BR) para San Tome (AR).
Arte para aproximar os guaranis
- para gente, conhecer esse pedaço da história do Brasil foi uma grata surpresa. Ficamos admirados com a versatilidade dos jesuítas. A estratégia deles para propagar o catolicismo foi simples: mantiveram algumas características da cultura indígena, aprenderam sua língua e utilizaram a arte como elemento evangelizador. Além disso, a fé católica tem várias similaridades com as crenças guaranis – o monoteísmo é a principal delas e os jesuítas souberam usar isso ao seu favor. Mas as missões não foram apenas centros religiosos. Também promoveram uma nova organização do trabalho e se converteram em verdadeiras unidades de produção. Os missionários também são responsáveis pela domesticação da erva mate, amplamente cultivada e consumida na Bacia do Prata.  A importância das reduções para o Brasil é muito maior do que as placas apagadas de São Miguel tentam esconder.
- Você assistiu um fime chamado "As missões" com o Robert de Niro e Jeremy Irons? Não perca seu tempo. O filme possui erros históricos gigantes e além de tudo é chato. 

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Brasil!

Nem deu para esquentar nossa chegada no Brasil. Sim, estávamos morrendo de saudades da pátria mãe mas nossos planos mudaram no decorrer da viagem e entramos no Brasil para logo depois sair para a Argentina na região das misiones.
Entramos por Chuí, a cidade mais sul do Brasil! Lembrando que saímos por Pacaraima em Roraima, a cidade mais ao norte do Brasil! Ficamos longe da nossa terra durante 16 meses. Nunca havíamos ficado tanto tempo fora do Brasil.
A fronteira foi tranquila, apenas entregamos os papéis na saída de Chuy (Uruguai). Com relação ao carro, não foi necessário fazer nada, já que estamos no Mercosul. Chegando ao Brasil foi engraçado, porque queríamos que dessem nossa entrada. Acostumamos assim, após cruzar mais de 20 fronteiras diferentes. E também queríamos a marquinha de que estávamos de volta. Mas descobrimos que brasileiros não precisam dar entrada em seu próprio país!
Iupi
Beleza, na nossa terra, falando uma língua que dominamos 100% do tempo, ainda desacostumados com as sinalizações escritas em português, precisando fazer um esforço cerebral para ler as placas. Como se o cérebro nos dissesse: não pode ser tão fácil assim a compreensão, deve ter uma pegadinha...
Depois de oito meses em países que falam espanhol, mais um bom tempo de inglês que não foi abandonado após a saída dos EUA (continuávamos falando para nos comunicar com outros viajantes), só voltando a falar sua língua com fluidez para perceber como a gente se esforçava para falar, ler e pensar em outras línguas! Com mais facilidade, menos, com algumas confusões, até que lidamos bem com a comunicação durante a viagem.
Igreja em Porto Alegre
Percebemos como falar outra língua é fundamental, principalmente para quem está viajando. Se fazer entender e entender os outros evita muitos problemas. Fora que aproxima as pessoas.  A gente sempre se esforçou para se fazer entender na língua do país. E até forçávamos a barra muitas vezes, em alguns países latinos que viam que a gente era estrangeiro e começavam a falar inglês com a gente (talvez pra treinar o ingles deles, sei lá), a gente respondendo em espanhol, e o povo falando em inglês e a gente em espanhol. Muitas vezes a gente parava com isso e falava pra pessoa: “melhor falar comigo em espanhol, não entendemos nada de inglês. E por que você está falando inglês, aqui no seu país não é o espanhol a língua oficial?” Isso aconteceu várias vezes pela América latina. Em dias sem paciência, pedíamos para falar em português. Principalmente em quiosques de informação turística. O cara dá um folder em inglês e a gente: português por favor! Ihhh, não temos! Serve espanhol? Por supuesto!
Outras vezes, a gente fingia que não entendia espanhol, principalmente com algum policial que tinha o jeito da implicância, em fronteiras... A gente dava uma enrolada, falava que não entendia. Ouvimos de viajantes mais experientes que usavam o mesmo truque que a gente que pediam até para o cara escrever. Compromete muito principalmente se o cara tá pedindo dinheiro indevido.
Em outras situações, a gente não entendia de verdade o que as pessoas diziam. Mas tudo bem também, a gente sempre se virou. Não passamos fome, nem frio, encontramos caminhos e sabíamos os preços das coisas. E ainda conseguimos dar nossa opinião e reclamar quando necessário. Até xingar de vez em quando...
Claro que fomos aprimorando no decorrer da viagem. Pegando algumas nuances das línguas. Mas voltando ao Brasil, o português parecia música de anjos para nossos ouvidos. Nos divertíamos com peculiaridades da nossa língua. Chegando a Porto Alegre, tivemos que comprar um cartão telefônico. Na loja onde compramos a moça com simpatia nos explicou: “Mas se for ligar pra celular, não espicha, senão ele come rapidinho!”. Saímos rindo da loja, gringo jamais pegaria o sentido dessa frase. Com a gente, fora do Brasil, muita coisa assim deve ter passado!
Ouvir essa frase ajudou a nos tocar, sim, estamos de volta! Prá uma realidade conhecida e confortável. Isso é bom de sentir após muito tempo fora de casa.
Outra coisa foi a natureza que encontramos logo perto da fronteira. Na margem da estrada, passando pela tripinha que liga Chuí a Pelotas, vimos maior diversidade de animais num pequeno espaço do que em toda Costa Rica. Lógico, na Costa Rica eu não me embrenhei na floresta atrás das minúsculas pererecas. Mas comparando com outras estradas, vimos jacarés e capivaras, dezenas deles convivendo pacificamente com uma quantidade enorme de aves. Da janela do carro. Encantador.
A passagem por PoA foi rápida. Encontramos um amigo do Mauro no trabalho e conhecemos pessoalmente novos amigos que contatamos pela internet. Diana e Fabiano também são viajantes, campistas de carteirinha. Eles têm um ótimo blog com a relação de campings onde ficaram não só no Brasil, como na América do Sul e Europa. Nos receberam em sua casa para um jantar e conversa. Foi ótimo!
Gurizada boa essa
De Porto Alegre tenho pouca informação. Bom mesmo foi voltar a comer por quilo, um monte de salada, comida fresquinha e saborosa. Perguntar e entender  a resposta sobre qual ônibus tomar. E também, ficar com receio de estar de relógio na rua. E reclamar um monte dos pedágios no Brasil. Que coisa de louco, muitos e caros!
Muito prazer, Brasil!

Seguimos para a região das missões. E lá encontramos uma história que desconhecíamos. Como estrangeiros no próprio território. Sobre isso, no próximo post!

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Boa Vista/ Tepequém

Chegamos no Hemisferio Norte, pela BR174 em RR

Roraima é um estado isolado, por sua posição geográfica ser no extremo norte do pais, acima do rio Amazonas, a quase 800 km de Manaus, uma tremenda barreira física.  Portanto, a maneira mais fácil de se chegar e de se sair de Boa Vista é de avião. No nosso caso, fomos pela estrada mesmo, pegamos a BR174, saindo de Presidente Figueiredo. Essa foi uma estrada difícil, primeiro porque mais de 100km passam por dentro da reserva indígena dos Waimiri-Atroari, trecho que pode ser cruzado apenas das 6 as 18 horas. Depois disso, 300 km de estrada muito ruim, até chegar Caracaraí. Dai para frente, a estrada fica boa.
Por causa desse isolamento, não tínhamos a menor ideia do que encontrar. Mas fomos positivamente surpreendidos com uma capital com comércio dinâmico, restaurantes, hotéis farmácias, supermercados, empresas além de pessoas maravilhosas.
Foi em Boa Vista que provamos o melhor tambaqui da viagem. O tambaqui é um peixe dos rios da Amazônia, saboroso. A melhor parte dele são as costelas. Prove assado na grelha. Com as sobras do almoço, fizemos um risoto que ficou simplesmente divino.
Orla Taumanan, Boa Vista, RR
Na capital você pode para passar uma tarde nas praias que surgem na época da seca (outubro a abril) no leito do rio Branco. O acesso é através de barcos que saem do porto e cobram R$ 4 pp, ida e volta. Também não deixe de passear na Orla Taumanan, de onde é possível avistar as tais praias.
Mas as principais atrações de Roraima ficam fora da capital. A Serra do Tepequém é o mais famoso deles. Com 1500 m de altura, a vila Tepequém dista 50 km do município de Amajari, trecho todo em asfalto. As muitas cachoeiras fazem o sucesso do lugar. Existem algumas pousadinhas simples e campings. Nós ficamos em casas de amigos e acampamos no carro mesmo. A vegetação é o lavrado, campos naturais com vegetação rasteira que se assemelha a savana encontrada na Venezuela.
Mirante da Cachoeira do Paiva
Visitamos as cachoeiras do Paiva (e seu lindo mirante), do Cabo Sobral, do Barata e o Igarapé Preto. Dessas, o Igarapé Preto é a única que se precisa de um 4x4 alto. Ainda tem a Cachoeira do Funil e a visita ao mirante do Sr. Cuia, também passeios off road. Importante: leve e passe muito repelente, os mosquitos em toda Tepequém são implacáveis. Apesar de serem gratuitas, as cachoeiras tem trilhas bem demarcadas mas não oferecem serviços de bar e restaurante. Leve seu lanche e não esqueça de trazer o lixo de volta!
Os amantes de off road também tem outros destinos no estado, como a Serra do Sol e a região de Uiramutã. Mas se informe antes com o pessoal do 4x4 local sobre passeios organizados a esses locais porque não são passeios para se realizar sozinho, primeiro por causa da dificuldade em si e segundo, por passar dentro de reservas indígenas (como a Raposa Serra do Sol) e necessitar da autorizaçao dos indígenas. Pode falar com o Elmer, da Retífica Central, sobre a ocorrência desses passeios. Ele tem uma mecânica que serve como ponto de encontro da galera off road da cidade e tem dicas e muitas informações.
Indicamos muito esse destino desconhecido no Brasil, principalmente para os amantes da natureza e do mundo off road. 

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Manaus e Presidente Figueiredo


Por não ser novidade para nós, programamos uma passagem rápida tanto em Manaus como em Presidente Figueiredo. Estávamos envolvido com os últimos preparativos para a saída do país e portanto, Manaus acabou sendo um lugar para resolver algumas pendências.
Não tivemos interesse em repetir programas, como a visita guiada ao Teatro Amazonas, que é muito legal. Muito menos o encontro das águas, programa que não achamos a menor graça, o típico pega-turista. Um dia inteiro andando de barco, com parada para almoço pré-programado num barco-restaurante onde você não tem outra opção de alimentação, para um gran-finale muito do sem graça ao ver o barco navegar com água de uma cor (e densidade, velocidade, pH) de um lado e de outra do outro.
Programa diferente e que vale a pena é hospedar-se em hotel  de selva. Mesmo sendo um pouco de turista, aí sim você terá a chance de ver de perto o que se imagina ser uma floresta tropical. Vegetação exuberante, com árvores altíssimas em várias camadas. E se for na época da vazante (de junho a novembro) ainda tem maior chance de ver a fauna também, com macacos, araras, jacarés, etc.
Para quem vai até Manaus, vale muito a pena dar uma esticada até Presidente Figueiredo e conhecer algumas de suas muitas cachoeiras. Todas são pagas (o valor varia de R$ 5 a R$ 10 pp) pois ficam em propriedades particulares. Na falta de praia próxima, as pessoas normalmente vão nessas cachoeiras para passar o dia e trazem lanches e bebidas, apesar de na maioria delas possuir serviço de restaurante. 
Visitamos a Cachoeira dos Pássaros, que fica numa estrada vicinal à AM 240. Linda, com ótimo poço para banho, tirolesa e corda para pular no rio. Foi aqui que provamos o peixe matrinxã, muito saboroso.
Outra cachoeira que visitamos foi a do Asframa, sem poço mas com um delicioso banho na cachoeira. Acampamos ali mesmo (R$ 10,00 pp) e o dono, Sr Joaquim, foi extremamente receptivo.
Para quem estiver com crianças, visite o Acqua Park, no km 101 da BR 174. Além de piscinas e toboáguas possui parede de escalada,  arvorismo e lago. A entrada custa R$ 15 e crianças até 6 anos não pagam.
Ficou com vontade de conhecer? Nesse post, temos mais informações.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Trâmites para o embarque do carro no Brasil

                O trecho entre Belém e Manaus foi feito por hidrovia. Embarcamos o Jumbo numa espécie de balsa no porto de Belém e fomos buscá-lo em Manaus após sete dias. Durante esse período, ficamos em Belém e no dia que o Jumbo chegou em Manaus, nós fizemos esse trecho de avião, com umas milhas que estavam para expirar.
                Depois de ampla pesquisa realizada em Belém sobre o tramite para embarcar o Jumbo, acabamos fechando com a TLC Navegação. Tratamos com o Tomaz no telefone (91)8300-0593 ou 9206-8665. Ele foi o agente que contratamos. A empresa transportadora foi a Linave. Pesquisamos bastante pois o comum é colocar o carro numa carreta. Mas devido a altura, o Jumbo não poderia ir na carreta, teria que ir no chão, e nem todas as empresas conseguiam realizar o transporte dessa forma. Descobrimos também que diferente de informação obtida em SP, as balsas Belém/Manaus tem saída diária. Basta procurar. Saiba que a dificuldade para pessoa física  é maior. Por isso, é mais fácil contratar agentes.

Entregando o Jumbo para o Sr. Tomaz .

                Apesar do receio de ficar tanto tempo longe do nosso carrinho, deu tudo certo e ele chegou exatamente do jeitinho que foi. Para evitar furtos, tiramos tudo de dentro da cabine e guardamos no baú do Jumbo e ficamos com os objetos de maior valor (eletrônicos e equipamento fotográfico) e documentos.
                Para realizar esse trecho, você vai precisar:
- de um documento pessoal, tipo CNH, RG ou passaporte
- do documento do carro original
- pagar a taxa para o pessoal da transportadora (realizamos um DOC), no nosso caso, R$ 1800,00
                Eles farão uma vistoria no veículo para garantir que na retirada ele esteja da mesma forma que na entrega. Não esqueça de solicitar o recibo de pagamento para retirar o veículo em Manaus
                A pior parte foi retirar o Jumbo no porto de Manaus, pois o porto da Linave fica uns 20 km do centro. Demoramos uma hora e quinze chacoalhando num coletivo sem ar condicionado e com o motorista mais pancada que já vimos. Além de correr feito um doido, escutava música gospel no último volume. Juro, foi a experiência mais surreal da viagem até agora. Fora que ninguém sabia exatamente onde ficava o tal do porto.

O Jumbo com seus coleguinhas de viagem, já em Manaus

                Felizmente, conseguimos achar o tal do porto e encontramos o Jumbo pronto para continuar nossa aventura americana.
                Anote o nome de outras empresas que descobrimos que também fazem esse trecho:
Macamazon
Sanave
Rodofácil

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Belém do Pará

Passamos quase duas semanas em Belém do Pará. Essa pausa longa foi necessária pois foi nesse período que enviamos o Jumbo para Manaus de barco e optamos ficar em Belém ao invés de Manaus por não conhecer ainda a cidade e por não termos simpatizado com Manaus numa visita anterior. Decisão mais que acertada, pois adoramos ter passado esse longo período na cidade considerada o Portal da Amazônia.

Casa das 11 janelas

Não conseguimos dizer o que foi que mais gostamos em Belém. Se o fato da cidade ser muito preservada, com prédios públicos imponentes e cheia de praças arborizadas, com alamedas permeadas de altas mangueiras. Uma cidade grande mas fácil de se localizar, fácil de se movimentar principalmente de ônibus, com grande frota e muitas linhas de coletivo.
A culinária paraense deliciosa, peculiar, cheia de novos e fortes sabores também teve um grande peso na nossa admiração por Belém. Provamos tudo: maniçoba, tacacá, arroz paraense, pato no tucupi e o açaí, alimento que não falta na mesa do paraense. Eles comem de forma diferente da que estávamos acostumados no sudeste, processam puro e cada um faz a mistura que mais gosta. Gostamos mais do açaí paraense com açúcar, gelo e tapioca e comemos puro ou acompanhado de camarão. Bizarro? Não, delicioso!!! E o jambu, uma folha de sabor forte e levemente anestésica, utilizada em vários pratos regionais, como o tacacá, mas eles usam até em pizza. Um ótimo lugar para experimentar tudo isso é o Portinha (Rua Dr. Malcher, 464), uma lanchonete super exclusiva: além de ser minúscula, realmente uma portinha, abre somente de sexta a domingo, das 17 as 22 horas, se a comida não acabar antes.

Comemos um bom açai por preço justo no mercado Ver-o-Peso

E as frutas? Cupuaçu, pupunha, tucumã, pitomba, murici, bacuri, buriti, acerola, taperebá, graviola e tantas outras deliciosas, cheirosas e lindas além dos nomes super sonoros.
Frutas diferentes

Onde encontrar tudo isso? No Ver-o-peso, o mercado ao ar livre mais famoso e completo da região. Além de comida, você encontra artesanato marajoara e ervas. O povo do Pará tem uma erva para cada mal, uma coisa de louco! São milhares de plantas e raízes perfumadas com diferentes funções. Compramos além do óleo de copaíba e andiroba, uma mistura de ervas para a passagem de ano, que usamos para tomar banho nós e o Jumbo.
Farmácia natural

Ali perto, encontra-se o Estação das Docas, três armazéns do porto restaurados com restaurantes, bares, lojinhas e cinema. Comparamos com o Puerto Madero em Buenos Aires pelo charme e aproveitamento de um local antes degradado e hoje revitalizado. Pra ajudar, o ambiente é climatizado, ou seja, um oásis na quente e úmida Belém. Vá lá e para se refrescar mais ainda, tome um sorvete Cairu, o melhor sorvete da viagem até agora.

Estação das Docas

Não deixe de visitar as igrejas de Belém. A Basílica de Nazaré é ricamente decorada sem ostentação. Ela é responsável pela organização do Círio de Nazaré, uma das mais fortes manifestações religiosas do Brasil que acontece em outubro.
Basílica de Nazaré

Outra igreja que merece uma visita é a Catedral da Sé. Localizada na praça homônima que ainda tem outros pontos turísticos: a Casa das Onze Janelas, o Forte do Presépio e o Museu de Arte Sacra.

Quer passear e curtir a natureza? Vá ao Parque Emilio Goeldi (Rua Magalhães Barata, 376, de 3ª a domingo, das 9 as 17 horas, R$2,00 por pessoa), um parque zoobotânico incrustado no meio da cidade. São muitas espécies de árvores e plantas amazônicas nesse pequeno espaço. Novamente, ficamos impressionados com o tamanho das árvores. Gigantescas! Bom para se visitar com crianças pequenas pois possui animais, como onças pintadas e macacos.
No Emilio Goeldi

Outro lugar onde é possível contemplar a natureza é o Mangal das Garças na beira do Rio Guamá. Entre seus atrativos, um mirante para contemplar a bela paisagem.
Mangal das Garças

Em nossas andanças, descobrimos o Mercado São Braz, com muitos produtos regionais e lanchonetes. Achamos mais limpinho que o Ver-o -peso e comemos duas vezes por lá. O destaque ficou pela cooperativa de artesanato regional, com preços bem em conta e atendimento dos próprios artesãos.
Mercado São Braz

Não podíamos deixar de falar do carimbó, a dança de roda típica do Pará. Pudemos participar de uma ver uma apresentação, existe uma com horário marcado: vá a Praça da República no domingo por volta das 11 horas e se informe próximo às bancas que vendem instrumentos musicais.
Ficamos satisfeitos pela nossa escolha de passar esses 12 dias em Belém. Gostamos muito dessa cidade vibrante, com tantas referências amazônicas.

Não perca o sorvete de carimbó, da Cairu


Dicas
- dividimos nossa hospedagem em duas, para ter duas experiências distintas. Ficamos no hotel Formule 1 e depois no Amazonia Hostel. Ambos econômicos e bem localizados, mas completamente diferentes: no hostel você tem uma socialização com outros hóspedes e no hotel uma infraestrutura maior, com banheiros privativos sempre com água e quartos padronizados.
- como fomos no inverno, choveu todas as tardes em Belém. Geralmente, nem guarda chuva segura, pois era muito forte. O negócio era se abrigar e esperar a chuva passar, o que não demorava muito.

- nós caminhamos muito pela cidade e em nenhum momento nos sentimosinseguros. Mas todos os locais nos alertaram a não caminhar sozinhos, principalmente a noite, em determinados lugares.
- descobrimos uma rua com vários barzinhos com música ao vivo onde os locais fazem happy hour: a travessa Almirante Wandenkolk. Quem quiser balada, vá ao escondido Mormaço, que fica num píer na beira do rio Guamá

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Lençóis Maranhenses

Já estamos naVenezuela, mas faltam alguns destinos para deixar o diário "em ordem". Vamos ver se conseguimos correr nessas atualizações....


Conhecido pelas famosas dunas de areias brancas e suas lagoas de água cristalina, os Lençóis Maranhenses são o destino certo para quem deseja conhecer uma paisagem única. A impressão é de estar andando em outro planeta ou na lua. Caminhadas com dunas muitas vezes na altura do joelho e sol implacável exigem boas pernas e muita disposição para quem deseja conhecer suas belezas. Claro, água, protetor solar, chapéu de abas largas e repelente contra mosquitos são também indispensáveis!


O Jumbo pequenininho na imensidão branca

As dunas represam a água da chuva, fazendo com que as lagoas não sejam perenes. Portanto, para conhecer a beleza dos Lençóis em sua totalidade, vá nos meses de cheia. Os moradores da vila nos disseram que os melhores são junho, julho e agosto, quando as lagoas estão bem cheias.
Lagoa da Gaivota

Nós fomos em dezembro e infelizmente vimos apenas a Lagoa da Gaivota com um pouco de água. Mas ter ficado na pequena cidade de Santo Amaro do Maranhão valeu a viagem. Geralmente os turistas preferem a cidade de Barreirinhas como ponto de apoio para conhecer a região. Não fomos até Barreirinhas mas todos nos disseram que lá se encontra a melhor infraestrutura, com hotéis e restaurantes mais bacaninhas. Mas optamos por ficar em Santo Amaro porque: primeiro, nossos amigos de São Luís nos disseram que seria uma experiência mais autêntica e única e segundo, para fazer os passeios pelas lagoas é bem mais perto, e com isso mais barato.
Santo Amaro do Maranhão - praça principal

Não nos arrependemos nem um pouco. Apesar do acesso complicadíssimo devido a “estrada” de dunas com travessias de rios (só carros 4X4 com snorkel) o que encontramos foi uma cidade localizada muito perto das principais atrações e um povo simpático, que vive feliz em completa simbiose com o Rio Alegre. E foi isso que mais nos marcou na pequena cidade de Santo Amaro, uma cidade tranqüila e com pessoas bastante amigáveis.


A areia do rio subiu na altura do  filtro!

Não existe rede de água encanada, portanto os moradores usam o rio para tomar banho, lavar roupa e brincar. Todo dia, mulheres e crianças tomam o rumo do rio. Enquanto as mães lavam a roupa, a criançada brinca. Depois todos tomam banho (os adultos de roupa, claro) e pronto! Hora de voltar para casa!
Que delícia! Brincadeira no rio!!

Não dê trela para quem disser que não existe onde ficar decentemente ou o que comer. Lógico, não existe nenhum restaurante gourmet por lá, mas existem lugares limpos e honestos para se alimentar. Para ficar, escolhemos a ótima Solar das Gaivotas, que tem vista panorâmica para o Rio Alegre, além de quartos com ar condicionado e chuveiro quente. Ótima para recarregar as energias após um dia de passeios!


Entardecer no Rio Alegre

A idéia inicial não era ir com o Jumbo para lá. Íamos deixá-lo no Sangue (um ponto na estrada antes do acesso de 34km por dunas) e pegar um transporte para Santo Amaro numa das Bandeirantes que fazem esse percurso diariamente. Mas quando chegamos em Sangue, ficamos sabendo que a próxima lotação iria demorar cinco horas para partir, e assim decidimos ir com nosso carro mesmo. Atolamos e resgatamos outros carros. Esse trecho é bem ingrato.  Conseguimos atravessar o rio sem o snorkel, mas foi por pouco! Para nossos amigos amantes de aventura off road, nosso tracklog desse trecho já está disponível.


Usando nosso guincho no resgate de um atolado.


Esse é um lugar que pretendemos voltar na época de cheia. Os Lençóis Maranhenses são um local mágico!
Caminhando pras nuvens... demais!

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