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terça-feira, 1 de novembro de 2011

Receitas com amigos: as alcachofras de Gonçalves

Conhecer e reencontrar amigos fez parte dessa primeira semana de viagem.
Primeiro em Gonçalves, Ocid e Carla, no seu Santo Canto, com seus orgânicos e cachorros. Fazia anos que o Mauro não via a Carla Beschizza.  Mas parecia que a gente se encontrava sempre, tal a sinergia. Assistimos filme juntos, visitamos plantações. Ficamos íntimos de Gonçalves. Graças a esses doisJ

Ocid

Carla Carciofini


Depois, em São Francisco Xavier, Nicolau e Alda, amigos de longa data, de tantas casinhas. Até de carro! Foram eles que compraram nossa trackerzinha. Amigos do peito, foi ótimo tê-los encontrado. Quem sabe em outro ponto da viagem?

Alda e Nico


Aproveitando, falando de amigos, casinhas e plantações, vou dar inicio ao registro de algumas comidinhas que vamos fazendo pelo caminho. Na casinha  2 do Nicolau, numa outra ocasião, fiz um camarão com alho di-vi-no. Impossível lembrar a receita. Tinha rolado umas caipirinhas que ajudaram no tempero mas apagaram da memória. Se eu tivesse registrado um dia depois, talvez. Mas hoje? Só lembro que ficou na memória de todos que estavam naquela verdadeira Festa de Babette.

Presentãos pros amigos: orgânicos


Portanto, vou aproveitar a frescura do fato e registrar a tempo de detalhes:


Alcachofras da Nina
Pois é, elas tem meu nome mesmo. Porque é uma mistura de duas receitas, da minha mãe e da tia Wilma. Essa eu fiz em Gonçalves. Covardia, pois lá as alcachofras praticamente estavam vivas, As vimos no pé, duas horas antes. Foram escolhidas a dedo. Bem repolhudas! O Mauro prefere as pequenas, pois diz que é mais macia. Mas essa observação não se aplicou as colhidas na hora de Gonçalves. Caso compre as suas na feira, de uma chacoalhada no cabinho. Se ela estiver flexível, está mais nova. Se estiver durona, é mais velha. Prefira as novas.
Que delícia, observado meu futuro almoço

Lave bem as folhinhas. Elas ficam grudadas no meio, mas insista com delicadeza. Tem gente que gosta de cortas as pontinhas. Eu não corto, só abro. Ponha para cozinhar numa panela com um pouco de vinagre, folhinhas para cima. O ponto de cozimento é quando puxar uma folhinha e ela soltar fácil.
Enquanto elas cozinham, você prepara a farofa: farinha de pão grossa (faço no liquidificador e separo a fina pra milanesa), queijo ralado, azeitona e bacon picadinhos, sal e pimenta do reino moída na hora. Mistura tudo com a mão mesmo. Quando cozidas, colocar essa farofa de forma generosa nas folhinhas (essa parte é chata) e regar com azeite do bom, sem miséria. Levar ao forno por uns quinze minutos, senão ela resseca.

Colocar a farofa com amigos fica mais gostoso!


Para quem nunca comeu uma alcachofra na vida, a graça está em chupar as folhinhas, que nessa receita vem acompanhada dessa deliciosa farofinha. Despreze  os espinhos e curta o coração, o filé mignon dos vegetais.
Fácil, né? Vamos ver o que vai rolar no resto da viagem!
Bom apetite!

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Jumbo Off Road

Nossa opção por um 4x4 foi realmente correta. Nestes últimos dias, fizemos dois trechos que seriam bem mais difíceis em um carro sem tração.
O primeiro, relativamente fácil, foi o trecho entre Gonçalves e São Francisco Xavier. Esse trecho de terra não constava nos mapas mas conversando com os locais, confirmamos que existia essa ligação e que estava em boas condições. O caminho todo foi bem tranqüilo, só no final chegando em São Francisco, a estrada fica bem esburacada e logo em seguida, um declive acentuado e longo com pedriscos deve judiar daqueles que precisam segurar o carro no freio (o que não era nosso caso hehehe). Geralmente as cidades da Serra da Mantiqueira como Gonçalves, Monte Verde, Camanducaia, São Bento de Sapucai e São Francisco são interligadas por estradinhas de terra que acompanham o sobe e desce das montanhas. Cada curva, uma paisagem nova. Um ótimo passeio para carros, motos e bicicletas.


Informações super precisas!

O segundo foi o trecho da Estrada Real que liga Cunha a Parati. Esse, é um pouco mais complicado, principalmente em dias de chuva. Tudo bem que estávamos num dia seco, mas cruzamos com carros como Palio, Gol e Ka pelo caminho mas não imaginamos como alguém em sã consciência coloca seu carro nesse tipo de terreno, a estrada detona demais os carros baixos. Nosso maior receio foi um trecho onde uma pedra limita a altura das viaturas. Mas a altura do Jumbo (2,26m) passou numa boa. Para quem gosta de buraqueira, lamaceira e terrenos acidentados, é pura alegria. Pena, pena mesmo que o tempo em Parati estava nublado e não pudemos admirar as paisagens nas curvas da Serra. Mas atenção: nem imagino como fica em época de chuva. Provavelmente, intransitável até para 4x4s.


Na Estrada Real

De resto, estamos em Trindade/RJ, no camping do Sossego (R$ 10,00 pp/ S 23°20,869’ W 044°43,309’), ouvindo as ondinhas do mar. E sendo interrompidos por figuras que querem saber “Que projeto é esse, meu irmão?”
PS: veja neste link, o arquivo com o tracklog do trecho que fizemos entre Gonçalves e São Francisco Xavier. 

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Gonçalves, um começo perfeito!

Se todas as cidades por onde passarmos forem como Gonçalves, nunca chegaremos ao Alasca. Vamos acabar ficando pelo caminho. Encravada na Serra da Mantiqueira, Gonçalves é uma cidade pequena mas múltipla; atende quem quer descansar e quem quer passear com a mesma simpatia.
A 1400 km de altitude, seu clima é temperado, com invernos frios e verões agradáveis. Nessa época do ano, nosso termômetro chegou a registrar 11,6 graus na madrugada.

Programa é o que não falta. Se você quer aventura, aqui tem:canoying, cascading, rapel, trekkings, cavalgadas, passeios 4x4, bóiacross e cachoeiras, tudo isso você encontra aqui. Quer fazer esses passeios? Fala com o Alex, da Tribo da Montanha. Eles são os responsáveis pelos esportes de aventura da região.
Agora, se você quer sossego, aqui também tem! Com muita mata ainda nativa, a cada curva da cidade a região presenteia nossos olhos com paisagens bucólicas e tranquilas. Ideal para uma caminhada sem pressa em uma das muitas estradas de terra.

Gonçalves também tem se destacado no meio dos orgânicos. A Orgânicos da Mantiqueira realiza uma feira de orgânicos todos os sábados de manhã. Nessa feira, pode-se comprar os alimentos (todos certificados e sem agrotóxicos) direto do produtor, fresquinhos. Nesse mesmo espaço, um galpão que fica bem próximo ao Centro, você pode tomar um café da manhã completo a preço justo. Além disso, a empresa comercializa cestas para solteiros ou famílias e as entrega em São Paulo e região. Veja mais detalhes no site http://www.organicosdamantiqueira.com.br/!

Além disso, nas imediações da cidade, pode-se comprar muitos produtos regionais, direto dos produtores. Fique atento nas placas de beira da estrada. Nós, por exemplo,  conseguimos umas alcachofras de outro mundo...
Na praça da Matriz, dois lugares se destacam: o Bar do Marcelo, com uma variedade inigualável de cachaças, também comercializa cervejas, licores e vinhos de qualidade. O dono, Marcelo, possui muito conhecimento dos seus produtos e mostra muito domínio e gosto com o que faz. O outro lugar é a padaria São Francisco que além da padaria, aproveitou os porões da casa para fazer um espaço no estilo taberna, para os clientes degustarem vinhos e queijos. Também da padaria, uma biblioteca livre, faz livros girarem pela cidade. Numa iniciativa louvável, os livros estão à disposição para serem lidos por lá ou levados para casa. A pessoa não precisa se comprometer a trazê-los de volta. Sabe que deu certo? Além das pessoas trazerem os livros de volta, elas trazem mais livros de casa, aumentando gradativamente o acervo da padoca.

Visitamos também a Senhora das Especiarias. Essa não fica na praça, mas todo mundo sabe onde é, afinal Gonçalves tem menos de 5 mil habitantes. As donas criaram receitas de geléias sem conservantes com vários de sabores diferentes e muito bons. Se você gosta de misturar o sabor de doce com salgado, experimente a de pimenta com alecrim.
Como chegar: Saindo de SP, são duas opções: Via Carvalho Pinto, todo asfaltada, pegando uma saída um pouco depois da divisa SP/MG ou pela Fernão Dias, pegando a saída para Cambuí e seguindo em direção a Córrego de Bom Jesus. Depois de Córrego, o asfalto cede espaço para a terra e as curvas e aclives se acentuam, proporcionando vistas maravilhosas!
Onde ficar: a rede hoteleira é boa, com pousadas charmosas. E se você gostar, é bem comum na região o aluguel de chalés para uma hospedagem mais longa. Nós ficamos no sítio Santo Canto (estrada Gonçalves-Costas km 2,5 f 35-3654-1487/ 9839-1365. GPS S 22°39.848’W045°52.383’), do Ocid e Carla num chalé com lareira e rede na varanda voltado para a mata, onde está incluída a noite de milhões de estrelas e a sinfonia dos passarinhos pela manhã. O que achamos bem original foi acompanhar o trabalho deles com o cultivo de mudas para agricultura orgânica numa espécie de berçário de alimentos.


O que comer: orgânicos! Você estará na terra deles e é uma maravilhosa maneira de se inserir na cultura local, conversando com os produtores. Folhas, raízes e frutas são os principais produtos. Mas atenção se estiver programado uma estada mais longa, os restaurantes da cidade costumam fechar às 20h durante a semana, quando muitos nem abrem. Um que experimentamos no horário do almoço foi o do Chiquinho: comida caseira e gostosa.
Quanto tempo: um final de semana ou a vida toda. Quatro dias são o suficiente para conhecer a região com calma. Mas para quem mora em São Paulo capital, é uma ótima pedida para finais de semana pois a fica a 204km pela Carvalho Pinto. Mas programe-se para chegar a tempo da feirinha dos orgânicos!

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