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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

México, última parada: Chetumal

Paramos por uma noite em Chetumal pois havíamos enviado para lá o licenciamento do carro pro ano 2012. Se não fossse por isso, provavelmente não teríamos passado lá. Aproveitando que estávamos em Chetumal e que lá existe um consulado de Belize, resolvemos passar para tirar uma dúvida muito importante: afinal, brasileiros precisam de visto para entrar em Belize?
Bye bye México!
Uma coisa simples, não? Que no máximo demoraria uma hora caso precisássemos do visto. Para verem  que como resolver pequenas coisinhas podem virar um grande problema, demoramos mais de três horas rodando a cidade e não encontramos o bendito consulado.
Sim, pesquisamos antes o endereço na internet e milagrosamente o GPS funcionou e nos levou direitinho até lá. Mas era o endereço de uma família comum, localizado num bairro super residencial. Partimos para outra, desconfiados que o consulado deveria tem mudado de endereço. No guia da Lonely Planet havia uma seta indicando a direção que ficava o ditocujo. Passamos umas 8 vezes na mesma rua, e nada. Resolvemos perguntar para um taxista, uma missão quase impossível porque eles simplesmente não paravam para nos atender. Uma alma caridosa nos disse que o consulado ficava naquela rua mas tinham se mudado. Para onde? Ah, ninguém sabe, ninguém viu.
Resolvemos passar num órgão oficial do governo mexicano e perguntamos para uma funcionária que nos disse que ficava na esquina da rua Cancun com a rua Laguna de Bacalar.
Tal esquina não existia, pois as ruas eram paralelas, não se cruzavam. Passamos nessas duas ruas, de cabo a rabo. E nada.
Chegando ao hotel, falamos com a moça da recepção que tinha o último endereço e um telefone. A informação era parecida com a da funcionária do governo, um pouco mais precisa. Juro, acho que eles devem ter camuflado o consulado, passamos várias vezes pela rua e não o encontramos. Ela nos disse que já estava fechado - funciona até as 13 horas, mas ligou para lá e falamos com uma funcionária que confirmou com o consul a informação que tinhamos: a partir de meados de setembro, brasileiros NÃO precisam de visto para entrar em Belize.
Isso três horas depois de rodarmos iguais dois perus antes de Natal, perdidos pela cidade.
Depois dessa resolvemos passar nos correios - que chamam de telegrafos aqui no México, apesar de estar escrito correo na placa, vai entender? Foi outra complicação mas depois de uma hora e 15 minutos conseguimos enviar uns cds com arquivos pessoais para casa.
Segue o endereço do Consulado de Belize em Chetumal: Rua Genova (entre Isla Cancun e Laguna Bacalar), local 369. Telefone: 2853511


O que será que quer dizer essa placa na estrada em Chetumal?
A fronteira
Psicológicamente, já estávamos preparados para uma longa fronteira. Graças a Deus, todo o processo de saida do México e entrada em Belize durou 1 hora. Mas sabemos que não será sempre assim. Vamos aos documentos, taxas e outras informações:
Saída do México: Chetumal fica a 10 km de Belize. Existem placas indicando duas fronteiras e optamos em passar pela Subteniente Lopez. Do lado direito da rodovia você pára na imigração para fazer sua saída do país. Vamos ignorar o fato que o funcionário pediu propina para a gente e afirmar que não existe nenhuma taxa para ser paga na sua saída. Caso peçam dinheiro para você também, ignore ou grite. Dai fomos fazer a saída do carro que fica num prédio logo a frente, do lado esquerdo. O Mauro estacionou o carro e eu fiquei por lá. Uma funcionária devolveu os U$ 400 que demos como garantia na entrada, tirou o adesivo do carro e conferiu o chassi. Pronto, estávamos livres do México.

domingo, 4 de novembro de 2012

Playa del Carmen e Tulum



De Cancun, seguimos para Playa del Carmen. Playa, como é carinhosamente chamada é uma espécie de Búzios só que com o mar do Caribe. Apesar de ter o mesmo mar de Cancun, Playa tem uma praia muito mais acessível. Qualquer pessoa consegue chegar, sem precisar pagar por isso. Muito mais democrática.


Playa


Além disso, é extremamente charmosa. A 5th é uma rua paralela à praia lotada de restaurantes, bares, cafés e lojinhas que distraem até o menos consumista dos viajantes. Cansou da praia, pula prá 5th!
Playa tem uma oferta grande de hotéis e hósteis. Pesquisamos alguns e optamos em ficar no Hostel Grand Playa, um lugar novo muito bom. O único senão foi o ar condicionado que não funcionou como esperado.
Saindo do hostel e caminhando para a esquerda, na esquina, está uma taqueria com os melhores tacos que provamos no México. Bons e com preços honestos, em um dia fizemos as duas refeições no mesmo local. Um verdadeiro achado!
Dia seguinte, zarpamos para conhecer os cenotes. A região da Península de Yucatan não possui cursos de água superficiais. Os rios são subterrâneos e os lugares expostos para o acesso a esses túneis mais profundos são os cenotes. Olhando, é um grande poço de águas cristalinas. Muita gente faz mergulho em cavernas no cenote. Não foi nosso caso que apenas exploramos suas águas com snorkel. No caminho para Tulum existem vários cenotes. Escolhemos um para visitar, o Cenote Cristalino mas ele estava fechado (iria reabrir as 14 horas) e acabamos por visitar o Jardim do Éden. A estrutura é muito básica mas o cenote é lindo!


Cenote Jardim do Éden

Refrescados, seguimos para Tulum onde já havíamos decidido não visitar as ruinas. Almoçamos uns tacos horrorosos e depois seguimos para a praia, apesar do tempo totalmente encoberto que estava nesse dia.
Demos sorte e apesar de todas as nuvens, vimos um grupo de pescadores realizando pesca de sardinha com tarrafa que seriam utilizadas como isca. Impressionante a habilidade e os olhos desses pescadores!


Tulum num dia bem nublado

Fizemos uma pesquisa de hotéis em Tulum e quando estavamos decididos a voltar para Playa encontramos um que cabia no nosso bolso, inclusive com internet wifi boa, banho quente e ar condicionado! Passamos a noite em Tulum pois no outro dia seguiriamos para Chetumal, nossa última cidade mexicana.

sábado, 3 de novembro de 2012

Cancún e Isla Mujeres



Mar no Caribe é assim mesmo

Paraíso de clima tropical, praias com areia fininha e branca e um mar azul caribe, Cancún não é destino de mochileiros ou viajantes independentes. A cidade foi planejada pelo governo mexicano e investidores privados como um centro hoteleiro de luxo. E para isso ela é ótima. Hotéis e resorts enfileirados no mais de 20 km de praias, lojas de griffe internacional e luxo que quase te fazem pensar que está em Miami. Mas é só sair da zona hoteleira para tropeçar na realidade mexicana de uma cidade de mais de 630 mil habitantes, conseguidos em pouco mais de 40 anos. Essa cidade não é turística, nem bonita e por isso a grande maioria dos turistas nem sai da zona hoteleira, e às vezes nem do hotel. Se você vai pra Cancún pra ficar na zona hoteleira, melhor nem tentar conhecer a cidade mesmo. Fique no seu hotel que você não perderá nada.
Praia Norte em Isla Mujeres
Mas nós além de estarmos longe de sermos turistas de luxo, estávamos em busca de coisas mais prosaicas como trocar o óleo e outros dois pneus do carro que não conseguimos fazer em Mérida. Mesmo depois de muita pesquisa, conseguimos só trocar o óleo, os pneus continuam rodando.

Mar no Hotel Garrafón, I. Mujeres
Se os mochileiros e viajantes independentes não se acham em Cancún, em 25 min de balsa, eles chegam em Isla Mujeres. Não só por encontrarem preços mais baixos, hostels e apartamentos para alugar. Mas também pela praia linda e pública, que ainda tem a vantagem de ter alguns pontos para snorkeling. O ambiente também não tem nada a ver com Cancún, também tem alguns gringos mas eles já se misturam com europeus e outros americanos.
A maior parte do movimento fica no norte da ilha, onde tem a melhor praia, com lojinhas, restaurantes, bares e hotéis. Mas o sul também tem os seus atrativos, com bons lugares para fazer snorkeling (recomendamos a praia do hotel Garrafón de Castilla, M$50 mas vale a pena) e praias um pouco mais tranquilas que no norte. 
snorkeling em Isla Mujeres
O transporte até lá que é o problema. Como na maioria dos lugares no México, eles cobram do turista mais do que dos locais. Os táxis queriam nos cobrar 4x o preço que cobram dos locais. Ficamos indignados e acabamos indo de ônibus mais 15 min a pé. E essa postura de exploração do turista é comum no México. Ainda em Isla, fomos numa lan house usar o telefone, que anunciava ligações nacionais a M$15. Na hora de pagar, tentaram nos cobrar M$25/min. Questionamos, dizendo que na placa estava escrito M$15 e fomos até lá pra mostrar. Ainda assim o dono insistiu, dizendo que nossa chamada havia sido para outra cidade e que o preço era de M$25. Mas a placa dizia Chamadas Nacionais M$15 e Internacionais M$25. Argumentamos novamente mostrando a placa com os preços e que chamada para outra cidade dentro do estado é nacional e não internacional. Sem dar o braço a torcer, e com a maior cara de pau, o dono diz que se os M$75 nos iriam fazer falta então não precisaríamos pagar nada. E foi o que fizemos, não pagamos não. O cara é desonesto e ainda tenta sair por cima. Eita mexicanos enrolões!

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Chichén Itzá


Com certeza, a mais famosa das pirâmides maias, Chichén Itzá tem seus méritos. Um deles, é a proximidade a Cancun. Outra é que depois de construída e utilizada pelos Maias foi conquistada pelos toltecas que adicionaram seu estilo ao que já exisitia. Portanto, Chichen Itza tem tanto elementos da arquitetura puuc quanto cultos a Quetzalcóatl, a serpente emplumada dos toltecas.

Pirâmide de Kukulcán

O primeiro grande prédio é uma das mais harmônicas pirâmides que vimos até agora, El Castillo. Também chamada de Pirâmide de Kukulcan, ela foi construída para representar o calendário maia e é famosa pelo movimento de uma serpente em seus degraus, uma ilusão criada pela sombra e sol visível apenas nos equinóceos da primavera e do outono. Antigamente, podia subir e acessar seu interior. Hoje isso está proibido.
vencedor do jogo com a faca na mão


Muito bacana também é o Gran Juego de Pelota. Além dos anéis de pedra por onde deveria passar a bola, vários painéis esculpidos na pedra mostram o que acontecia nesses jogos de bola, inclusive um jogador segurando uma faca numa mão e uma cabeça na outra.

Próximo fica o Tzompantli (plataforma dos crânios). Os toltecas era adeptos ao sacrifício humano e nesse local ficavam as cabeças dos prisioneiros mortos expostas. As paredes desse altar são ricamente ornadas com esqueletos e águias comendo corações. Imagina o quão intimidador era passar por esse local e ver o que podia acontecer com você.

Um outro local muito interessante é o Caracol, um prédio construído para funcionar como um observatório astronômico, o único que vimos em forma circular.
sobre a plataforma ficavam os crânios das vítimas dos sacrifícios
Caminhando para a direita, você chega ao Edificio as Monjas e a Igreja, dois edifícios ornados com máscaras de Chaac. Esses são edificios da época maia, não foram alterados nem destruídos pelos toltecas.
Muito outros prédios e cenotes interessantes fazem parte dessa visita a Chichén Itzá. Você pode programar umas quatro horas de visita. Além disso, Chichén tem um intenso comércio local de artesanato. Coisas muito bonitas, mas enche um pouco a paciência ter que responder cada uma das solicitações dessas centenas de ambulantes.
Assim como em Uxmal, Chichén custou M$ 249. Também com uma venda casada mas, pior do que em Uxmal, o show noturno está cancelado. Mas mesmo assim, continuam cobrando no preço do ingresso integral, incluindo o show noturno inexistente.
Esse tipo de comportamento exploratório desanima e tira um pouco do brilho do lugar. Mas, estamos no México e caso não queira ter esse tipo de aborrecimento, é melhor escolher outro país para passar as férias.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Um trecho corrido


De Palenque seguimos para Campeche, no litoral. As estradas da Península de Yucatán estavam com muitos bloqueios policiais. Fomos parados na maioria mas sem grandes desdobramentos.
Tinhamos quatro opções para acampar em Campeche. Todas péssimas. Numa delas, a descrição dos viajantes falava que ficava num subúrbio. Brasileiros sabem a diferença de favela e subúrbio, aquilo era favela. Depois de quase 3 horas de pesquisa, acabamos desistindo de campings e partimos para um hostel localizado dentro dos muros da cidade.
De longe, a melhor opção é ficar hospedado dentro das muralhas. A cidade fora é horrorosa, cheia de buracos, sem nenhum atrativo. Mas dentro, parece que fomos transportados para outro local. Todas as casas parece que foram reconstruídas. Coloridas e alegres, tinhamos a clara impressão de estarmos dentro de uma redoma de vidro. E gostamos muito disso!


Apesar de toda a reconstrução, Campeche ainda está caminhando no atendimento ao turista. Por exemplo, tivemos dificuldade em encontrar um restaurante que coubesse no bolso e atendesse ao paladar. Mas valeu a passagem, a cidade da redoma é bem bonitinha.


Acabamos nos hospedando no Hostel del Pirata. Nota 5 para o hostel: o banho não tinha água quente e durante o meu banho, nem água tinha. Fiquei ensaboada no meio do banho e o Mauro foi pedir para religarem a água.


Sobrevivemos e no dia seguinte seguimos para Uxmal, a principal pirâmide maia da rota puuc. Essa região da península desenvolveu algumas caracterísitcas na sua arquitetura mais detalhadas, com motivos geométricos.


Uxmal é um sítio arqueológico muito bonito. Para nós, dois são os destaques principais: o Quadrángulo de las Monjas e o Palacio do Governador. O Quadrangulo é composto por 4 prédios construídos em épocas diferentes. Estudiosos divergem quanto ao uso desse espaço mas a beleza das fachadas é impressionante. Muitas máscaras de Chaac, o deus da chuva para os maias e algumas referências a serpente emplumada enfeitam a arquitetura. No dia da nossa visita, um grupo estava realizando alguma atividade que misturava dança e meditação.

O Palacio do Governador é uma verdadeira obra de arte no estilo puuc. É um prédio com 97 metros de comprimento, com muitos mosaicos na fachada.


Ainda tem como destaque a Pirâmide del Adivino, construída sob uma base oval. Bonita, porém os outros dois prédios chamaram mais nossa atenção.

Mas nada justifica o preço abusivo (Mex 249) e a venda casada com o show noturno na pirâmide. Você compra o ingresso e ele " dá direito " a um show noturno que pode ser cancelado dependendo do clima. Demos azar, choveu e o show foi cancelado. Na compra do ingresso você paga o preço integral, não existe a opção sem o show de luzes. Mas se quiser ir apenas a noite, o preço é Mex 58. Extorsivo? Viva o México!


Dormimos no camping/estacionamento do Canah-Nah Restaurant Bar e saimos cedinho para Mérida, onde tinhamos um monte de coisas do carro e nossas para resolver.
Em Mérida, mandamos lavar nossas roupas (por quilo, como no Brasil) e trocamos dois pneus do Jumbo. Eles já tinham rodado mais de 50.000 km e estavam gastos. Só não trocamos todos porque eles não tinham outros dois. Também fizemos um adesivo para o carro do Spot, uma forma de tentar intimidar policiais corruptos e assaltos.
Mérida é uma cidade grande mas simpática. Tem um centro preservado e movimentado mas realmente não pudemos aproveitar nada porque essas "coisinhas" levaram o dia inteiro e saimos somente a noite para jantar.
Mas essa rotina de manutenção do carro e nossa faz parte, precisamos parar em algum lugar de vez em quando para deixar tudo em ordem! Bem tudo, tudo, é impossível, mas pelo menos resolver algumas pendências...

domingo, 28 de outubro de 2012

Palenque


A serpenteante estrada entre San Cristobal e Palenque, é muito mais famosa pelos seus perigos que por sua beleza. O estado de Chiapas, onde ficam as duas cidades é a base dos Zapatistas, grupo paramilitar que luta pelos direitos indígenas, que são 1/4 da população local. Esses caras não são de brincadeiras e além de ocupação de cidades, conflitos armados com o exército mexicano, tem vários relatos de violência e assaltos de turistas por zapatistas nessa região. Mais frequentes são pedágios não oficiais cobrados na estrada.
A alternativa a esse trecho de estrada é uma volta enorme de mais de 6 horas, com várias serras (desnível de mais de 1500m). Mas nós fizemos como fazemos sempre: conversamos com os locais e perguntamos sobre as condições das estradas e de segurança. E também viajamos sempre de dia.
Todos a quem perguntamos, seja informações turísticas, posto de gasolina, no camping ou outros viajantes, nos disseram para seguir sem medo e foi o que fizemos. E foi mesmo tranquilo, apesar das muitas lombadas (chamadas de topes por aqui), advertência que já tínhamos recebido. É mesmo muita curva e lombada, mesmo pra quem está acostumado com a Rio-Santos. Em 2 ou 3 pontos, havia uma "barreira" que não era mais que um cordão com algumas bandeirinhas ou pedaços de pano colorido de um lado a outro da etrada e com algumas crianças e jovens segurando-a. Não sabemos se é isso que os gringos chamam de pedágio ou barreira zapatista. Nós nem diminuímos a velocidade e a molecada simplesmente abaixava a cordinha para passarmos. Ao invés de pedágio, preferimos ajudar o pessoal comprando alguns produtos da beira da estrada: bananas, coco fresco com limão e pimenta e castanhas cozidas.
Grafites pró-zapatistas

Chegando em Palenque, não perca tempo na cidade, vá direto para a zona do parque arqueológico, onde tem vários hotéis, pousadas e restaurantes. Mas atenção, antes da zona arqueológica, você precisa entrar num parque nacional. Esse parque é pago somente por turistas, os locais são isentos. Mas os guardas da portaria saem às 16:30 e após esse horário a entrada fica livre.
Templo do Sol

As ruínas de Palenque foram as que mais gostamos no México. Pirâmides misteriosas restauradas mas cercadas e ainda meio cobertas pela selva, lindas, super propocionais e com uma energia super legal.
Templo das Inscrições

Infelizmente os lugares mais legais estão fechados ao turismo: o Templo das Incrições e a Cripta do Pakal. Mas mesmo assim achamos que valeu super a pena subir nas pirâmides do Templo do Sol e do Templo da Cruz. Recomendamos também ir no ótimo museu que tem logo depois da saída. Além de vários objetos de Palenque, todos bem organizados e com as devidas explicações, eles tem também uma réplica do sarcófago de Pakal.

No lado esquerdo, exemplos da escrita maia

Palenque foi uma cidade maia, civilização pré-colombiana mais desenvolvida, com uma escrita totalmente formada e grandes avanços em astronomia e em matemática. Nesse campo aliás, vale notar o sistema numérico vigesimal e a utilização do zero. Sua arquitetura e arte são fascinantes. Apesar de já termos lido sobre eles e visto a sala maia no museu de antropologia na cidade do México, a sensação de caminhar pela cidade entre todas as ruínas é indescritível.
Estudantes realizando seus desenhos - Templo do Conde

sábado, 27 de outubro de 2012

A bebida dos deuses



Você gosta de chocolate? Muito ou pouco? Não importa o quanto, quando visitar Oaxaca não perca as lojas que preparam o chocolate na hora para você.
O chocolate nasceu das mãos dos Maias, que com as sementes do cacau faziam uma bebida amarga, que se chamava xocoatl. As sementes do cacau eram tão valiosas que valiam como moeda e apenas os ricos tinham direito de tomar essa iguaria. Já naquela época, a bebida era conhecida por dar energia e ser afrodisíaca.

A semente torrada parece café


Hoje, o chocolate como conhecemos não deve lembrar muito o chocolate da época dos maias, pois é acrescido de açúcar e leite. Mas com as alterações que ele sofreu, caiu no gosto popular e hoje é apreciado por todos, sem discriminação.
Tivemos a oportunidade de conhecer os chocolates belgas, a ultra sofisticação do produto maia, saboroso e macio. Eles são famosos por sua qualidade no mundo inteiro.
Mas qual não foi nossa surpresa em conhecer o chocolate feito na hora na cidade de Oaxaca. Uma prensa simples moe as sementes de cacau torradas. Junto a semente, eles colocam alguns paus de canela e favas de baunilha, para dar tempero. Essa moagem produz um líquido escuro e forte (pudemos provar).

Moedo as sementes com canela

Numa outra prensa, colocam esse líquido com o açúcar (a quantidade varia se quer mais amargo ou mais doce) e dai, sai uma pasta muito perfumada, pronta para o consumo puro ou dissolvida no leite.
Sério, ficamos encantados nessa loja. Tudo muito simples e feito na hora. Tudo muito lindo e muito mágico. Tudo muito perfumado e fascinante.

Produto final

Eles tem um provador dessa pasta além de venderem copos de malteada, uma espécie de chocolate frio batido, o melhor que já tomamos! Sério que naquela loja, fiquei com dúvidas de qual o melhor chocolate do mundo.
Chocólatras do mundo, se passarem pelo México incluam Oaxaca no roteiro! 

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Oaxaca e San Cristóbal de las Casas



Cansados depois de muito andar na Cidade do México e de um longo dia de estrada, chegamos em Oaxaca querendo mais descansar do que passear. Mas também não conseguimos ficar só parados no quarto do hotel ou camping.
Aproveitamos o domingo movimentado no Zócalo, linda praça arborizada de Oaxaca e ficamos um tempão num restaurante, depois num café, só vendo o tempo passar: os vendedores de balão e de artesanato, os casais com filhos e os senhores de chapéu e bengala. Parecia que estávamos dentro do quadro " Sonho de uma tarde de domingo"! Foi com um certo esforço que saímos para dar uma volta no centro antigo e no mercado.


Praça em Oaxaca

Em Oaxaca que experimentamos pela primeira vez o tradicional mole negro, feito com chocolate e que normalmente acompanha peito de frango ou de perú. Comemos em dois lugares diferentes, no café da praça e no mercado, e preferimos a versão mais popular e bem mais barata do mercado. Também foi lá que vimos o chocolate feito na hora, com a trituração dos grãos do cacau e a mistura com especiarias e açúcar. Tão bom que vai valer um outro post pra ele.


Frango com mole

Depois de um dia perambulando pelos cafés e restaurantes da cidade, nos sentimos prontos para mais uma ruína prehispanica. Monte Albán (Mex 57) fica nos arredores da cidade, no topo de um monte, e por isso mesmo a vista de lá é linda. Mas as ruínas em sí não achamos tão legais. O mais diferente são várias figuras talhadas em pedra apelidadas de "Os dançantes" pelas posições não usuais mostradas. Mas parece que ao invés de dança ou qualquer tipo de festa, as figuras representam a castração, tortura e sacrifício de chefes rivais vencidos em batalhas pelos Zapotecas, habitantes de Monte Albán.


Os dançantes castrados

Mirante do Monte Albán

Já havíamos gostado de Oaxaca, mas a surpresa em San Cristóbal de las Casas foi ainda melhor. Com a vantagem de que San Cristobal é menor e menos movimentada do que Oaxaca, que é a capital de seu estado. Várias ruas de pedestre com casas coloniais restauradas e coloridas te convidam para um passeio. E a simpatia extra da cidade, pelo menos pra nós, é a igreja dedicada a São Cristóvão, padroeiro dos viajantes.
A simpática San Cristóbal de las Casas

Mais do que em outros lugares do México, vimos muito artesanato e especialmente muitas jóias feitas com âmbar, que é minerado ali perto. O âmbar é uma resina fossilizada, e apesar de ser vegetal e não mineral, é tratado como uma pedra preciosa. Mas diferente dessas, algumas peças de âmbar podem conter insetos que ficaram presos nelas por milhares de anos. Muito legal, mais ou menos como no filme Jurassic Park, lembra?

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Cidade do México


Ficamos hospedados no camping de Teotihuacan e fizemos bate-volta três dias seguidos para a Cidade do México. Apesar de ficar apenas 50 km de distância, no final achamos que essa não foi uma boa escolha: teria sido muito menos cansativo e não muito mais caro ficar num hotelzinho em Cidade do México mesmo.
A famosa Pedra do Sol
A capital do México possui 20 milhões de habitantes. Isso sem contar as milhares de pessoas que moram na grande México, que fazem bate e volta como nós, com a diferença que é todo o dia. Com essa quantidade de habitantes, tudo sempre está lotado. O metrô, por exemplo, independente do horário sempre estava cheio, abarrotado para ser mais precisa. Também pagando o equivalente a R$ 0,50 a passagem, é assim mesmo que deveria estar. 


Ultramotorista de Taxi !
Taxis nós não pegamos, mas ficamos com vontade, só pela cor simpática de Ultraseven deles !!!

Cidade grande, poluição, gente, barulho com isso tudo junto, seguimos as dicas de todos que visitam a Cidade do México e ficamos sem carro, dependendo de transporte público para ir e vir, que apesar de sempre estar cheio, tem uma abrangência boa. O ideal é pegar um mapa do metrô logo no primeiro dia. O nosso ganhamos da D. Mina no camping mas existem postos de informação ao turista no zócalo que te fornecem de graça.

Tentaram mas as tradições indígenas se mantém
O Zócalo é o melhor ponto para começar a conhecer a capital. Lá estão a Catedral, o Templo Mayor e o Palacio Nacional. Prá gente, o Templo Mayor foi mais interessante que o Museu de Antropologia. O Templo maior era o coração da antiga cidade dos mexicas, Tenochtitlán. Lá havia um enorme templo construído em camadas. Cada novo governante era responsável por construir um novo nível na pirâmide e nas escavações foram encontrados muitos objetos de oferendas aos deuses. Também nesse local é que foi encontrada a famosa Pedra do Sol que está no Museu de Antropologia. No templo maior também ocorriam todos os tipos de sacrifício - animal, humano e auto sacrifício. Era o local que os mexicas acreditavam ser o centro do planeta por isso, era extremamente importante para esse povo. Durante a colonização, os espanhóis fizeram questão de destrui-lo quase todo - só sobraram algumas ruínas dele para contar história e construir uma catedral praticamente em cima, grande e imponente como sinal da nova fé que deveria ser seguida.


Altar de sacrifícios do Templo Mayor; ao fundo, a catedral

Do Templo Mayor você vê a catedral. Por dentro, muito ouro e muitos santos. O destaque fica com a imagem de El Señor del Veneno, uma imagem de Cristo negra acompanhada de uma lenda que eu achei meio confusa sobre envenenamento de um bispo. 


El Señor del Veneno

Do lado esquerdo da catedral, fica o Palácio Nacional (entrada gratuita). Vale a pena fazer uma visita pois lá tem vários painéis do artista Diego Rivera que contam a história do México. Chegamos tarde e o palácio fecha cedo (16:30). Vá com tempo pois numa sala tem a explicação dos painéis que ajuda a compreendê-los.


Olha o tamanho do mural

O tal Zócalo mesmo estava fechado, em reforma ou com algum evento e não pudemos visitá-lo.
Visitamos e recomendamos o Museu Painel Diego Rivera que possui um afresco enorme contando a história do México a partir de um sonho. O nome é "Sonho de uma tarde de domingo na Alameda Central" e apesar da legenda identificando todos os personagens, com a explicação de tivemos de um dos seguranças, o quadro ficou mais vivo. Muito interessante que esse afresco estava num hotel que foi destruído por um terremoto e depois disso, o levaram para o local onde se encontra hoje, construindo o museu a sua volta.


Lindo, expressivo e histórico
Quanto aos outros museus, nos decepcionamos mais uma vez. O de Antropologia tem a Pedra do Sol e junto com ela toda explicação do que significa e onde ficava (basicamente era um ringue onde os gladiadores lutavam até um morrer). Tem bastante coisas sobre os Maias também mas achamos o museu pouco explicativo e um pouco confuso. Juro que esperava mais.
Quem vai no museu para ver cópias?



Simpático se seu uso não fosse para o auto sacrifício
O outro que visitamos foi o de Arte Moderna. Não recomendamos porque tem apenas uma sala com exposição permanente que estava fechada (desconheço o motivo). Só sei que não nos avisaram, pagamos a entrada com tarifa normal, visitamos uma exposição fotográfica (cuja melhor foto era do Sebastião Salgado) e subimos para a tal sala permanente que estava fechada. O maior desrespeito do mundo. Depois dessa, decidimos que o México não era lugar de ir em museus e abortamos as visitas aos da Frida que ficavam super longe com muito receio de chegar e dar com a cara na porta (gato escaldado tem medo de água, certo?) Quer visitar museu, vá para a Europa ou EUA. A exceção fica por conta dos museus de Tula, Templo Mayor e Palenque que são boas surpresas não só pelo preço já estar incluido no ingresso, mas principalmente porque estavam abertos e tem boas peças e explicações.
Para flanar e ver boas lojas e restaurantes, visite os bairros de Polanco e Zona Rosa, verdadeiros oásis na capital. Polanco tem diversos cafés interessantes além dos batidos Starbucks. De uma chance a si mesmo e passe na rede de cafés The Italian Coffee, e prove um capuccino gelado.
Um pouco mais afastado, fica o Santuário de nossa Senhora de Guadalupe, padroeira das Américas. O mexicano é um povo de muita fé e a igreja estava lotada de fiéis. Só achamos um pouco pequena comparando com Nossa Senhora Aparecida. Não faço ideia de como fica nos dias de festas.

Essa é a reprodução da N.S. de Guadalupe
Um passeio muito, muito legal mesmo é o Xochimilco. Fica super longe para quem como nós prefere chegar pelas próprias pernas. Acho que gastamos 1 hora e meia para chegar até o porto de onde saem os barquinhos. Xochimilco guarda a geografia natural da Cidade do México com canais entre pequenas ilhas artificiais e guardadas as diferenças, é como uma veneza mexicana. O passeio é num barquinho multicolorido movido a vara mas o grande diferencial é que rola um super comércio aquático: são vendedores de batatinha, refrigerante, prata e até mariachis que se aproximam do seu barquinho tentando vender seu serviço. Achamos super simpático e recomendamos. Mas vale pechinchar o preço, acabamos pagando menos da metade da "tabela" escrita na entrada do porto.


Xochimilco

A Cidade do México ou simplesmente México como é chamada pelos locais tem bons programas. Mas é preciso garimpar.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Teotihuacan


Imponente, importante e fácil de chegar, o sítio arqueológico de Teotihuacan é o mais visitado do México.
Estávamos bem ansiosos para conhecê-lo, pois não sobrou quase nada da capital azteca erguida sobre o lago Texcoco. Os espanhóis demoliram tudo, construindo sobre ela suas casas, palácios e igrejas. Mas Teotihuacan sobreviveu.
O sítio é enorme e não tem nenhuma sombra. Leve chapéu, protetor solar e sombrinha ou guarda chuva. Apesar de pedirmos, também não nos entregaram nenhum mapa na entrada e recomendamos chegar já com o seu (por sorte nosso guia tinha um mapinha de lá), pois ficar perambulando sem rumo não é legal.
A gigantesca Pirâmide do Sol
Nós entramos e fomos direto pra Pirâmide do Sol, atraídos como que magneticamente por ela. Subimos os quatro lances de escadas íngremes quase sem pensar e logo estávamos no topo, ou na parte mais alta que os turistas podem chegar. De cima dela, ficamos encantados vendo todo o complexo sistema de pirâmides, edifícios e muitas escadarias entre eles. A frustração foi saber que a pirâmide do sol não foi restaurada, mas sim reconstruída e nesse processo, acabaram fazendo-a com cinco níveis ao invés dos quatro originais.  Depois disso acabamos perdendo um pouco da magia do lugar.

Mas seguimos para o Palacio de los Jaguares, Templo de los Caracoles Emplumados e o Palacio de Quetzalpapátotl, local onde presumivelmente habitavam sacerdotes e admiramos desenhos em estuque incrivelmente preservados.
Pintura no Templo dos Caracoles Emplumados
Apesar de ser mais baixa que a pirâmide do sol, o topo da Pirâmide da Lua está na mesma altura daquela, pois ela foi construída sobre um terreno mais alto. Também achamos a Pirâmide da Lua mais bonita, simétrica e proporcional que a do Sol.


Pirâmide da Lua ao fundo.

Depois de andar meia hora no sol, saímos do parque pela porta 4 para visitar o Palacio de Tepantitla. Quando chegamos na porta, um guarda nos informou que o museu estava fechado. Surpresos, conferimos em nosso guia que estávamos dentro do horário de funcionamento. Mas fomos informados que apesar disso, a responsável havia saído para almoçar e não tinha ninguém no lugar dela. Assim se quiséssemos visitá-lo deveríamos esperar uns 45 min até que ela voltasse. Desistimos dessa e resolvemos procurar a Cueva Astronomica, usada pelos sacerdotes para marcações astrológicas ligadas ao calendário e ao ciclo agrícola. Há ! E quem disse que encontramos? Seguimos nosso mapa, perguntamos mas ninguém nem sabia da existência dela, ou pelo menos não quiseram nos ajudar.



Calzada de los Muertos - de cansados, ufa!
Depois dessa caminhada toda, fomos para o ar condicionado do museu nos refrescar um pouco. O museu não é muito grande , mas tem uma boa vista panorâmica climatizada da Pirâmide do Sol.
Serpente emplumada

Mais descansados e refrescados, seguimos a Calzada de los Muertos para visitar La Ciudadela, um complexo que acreditavam ser as residências dos governantes. O lugar é bonito, um quadrilátero com 15 pirâmides sendo que ao leste, está o Templo de Quetzalcóatl. Interessante que um dos governantes construiu uma outra pirâmide na frente dele para escondê-lo. Sua fachada é linda, adornada com várias esculturas da serpente emplumada. 


Templo de Quetzalcóatl

Apesar de todos os problemas, as ruínas de Teotihuacan são impressionantes e merecem uma visita. Se você está na cidade do México, pode ir até Teotihuacán com uma excursão organizada de 1 dia ou pegar um coletivo na Estação Terminal Autobuses del Norte, sala 8, para San Juan Teotihuacán/ Piramides por uns R$5,00. Pergunte pelo onibus que passa nas ruínas e não na cidade de San Juan. A viagem dura uns 45 min, sem trânsito. Para voltar, pegue o coletivo no mesmo ponto onde desceu, retornando à Central Autobuses del Norte, com acesso às linhas de metrô.
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