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segunda-feira, 1 de julho de 2013

Missões Jesuíticas Guaranis: Brasil e Argentina

As missões formadas pelos padres jesuítas fazem parte de uma história desconhecida para nós brasileiros. Não aprendemos muita coisa sobre esse movimento sócio-educativo-religioso que aconteceu no coração da Cuenca del Plata, uma área fértil nos territórios do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
São Miguel Arcanjo, no Brasil

Foram 30 reduções de índios guaranis integradas que formaram as Provincia Jesuítica de Misiones. Dessas, sete ficam em território brasileiro, 15 na Argentina e oito no Paraguai. Lembrando que no tempo das missões, o território desses países ainda não tinha sido delimitado pelo Tratado de Madrid e as fronteiras dos países que hoje possuem essas ruínas ainda não estavam definidas. Todo esse território estava sob domínio espanhol.
Os jesuítas tinham como principal objetivo no Novo Mundo a difusão da fé católica. Preocupados com a expansão do protestantismo, a Igreja Católica resolveu enviar para a América os padres jesuítas, incumbidos de convocar mais almas para o reino de Deus e assim, continuar maior em número de fiéis em relação a essa nova religião que crescia.
Os missionários que vinham para cá passavam por um alistamento parecido com os militares de hoje: deveriam se adaptar a qualquer ambiente do planeta e eram vetados caso apresentassem alguma limitação física. Diferente de outras ordens religiosas, os jesuítas eram o que chamamos de PPTO (pau prá toda obra). Visitando as ruínas das antigas reduções fica claro que os religiosos eram multiuso: entendiam de construção, de domesticação de plantas, de aproveitamento de recursos hídricos, de arte, de música, de ensino entre outras habilidades e junto aos índios guaranis, organizaram cidades que somadas ultrapassavam os 140 mil habitantes ao final de 150 anos de evangelização. Essa população era maior do que a de Buenos Aires na mesma época, por exemplo.
Mapa das missões
As missões estavam em pleno florescimento econômico e cultural quando o Tratado de Madrid estabeleceu novas fronteiras entre Portugal e Espanha, representadas hoje por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Portugal trocou Colonia del Sacramento – hoje Uruguai, pelas terras ao leste do rio Uruguai - hoje Rio Grande do Sul. Nessa troca, as sete missões localizadas nesse território passaram a fazer parte da colônia portuguesa.
Com isso, os guaranis se revoltaram porque estavam estabelecidos em tais missões há anos e estas estavam prósperas e organizadas. Não queriam sair desse território nem ficar sob o domínio dos portugueses. Além do mais, os bandeirantes continuavam capturando guaranis para o trabalho escravo e essa mão de obra gratuita e especializada seria uma ótima aquisição para as fazendas de café. Por sua vez, os jesuítas foram acusados de apoiá-los e dessa forma, uma agressiva campanha foi montada contra as missões. A Guerra Guaranítica estava armada.
A pior batalha aconteceu em 1756 em território hoje brasileiro onde 1500 indígenas foram massacrados em pouco mais de uma hora pelas tropas espanholas e portuguesas. Tal batalha recebeu o nome de Batalha de Caiboaté. Houve outras batalhas todas ganhas pelos europeus e esse foi o início do fim das missões.

As ruínas e o que visitar
Acima, pusemos um pequeno histórico do que foram as reduções na América, coisas que descobrimos nas visitas aos sítios arqueológicos. Demos uma resumida para não ficar muito chato mas acreditamos que é super importante saber o que aconteceu na nossa terra já que os jesuítas ajudaram a construir a identidade do povo brasileiro.
Nós conhecemos cinco reduções: no Brasil, São João e São Miguel e na Argentina, Santa Ana, Nuestra Señora de Loreto e San Ignacio Mini. Não fizemos Trinidad no Paraguai mas as recomendações de lá são muito boas.
Traçado das reduções
A urbanização das missões é praticamente a mesma. Cidades planejadas a partir de uma cruz que marcava o centro da missão e da praça. Em uma das laterais, sobressaia a Igreja junto com a casa dos padres, colégio e oficina de um lado e do outro o cemitério e o coti guaçu (casa das viúvas e órfãos). Ainda em volta da praça se encontrava a prefeitura, as casas dos indígenas e as terras para cultivo particular e coletivo. Atrás da Igreja havia a horta dos padres, onde eles cultivavam suas hortaliças e faziam aclimatações de plantas europeias ao Brasil.
O trabalho era dividido dessa forma: os homens faziam o trabalho rural, de carpintaria e de ferreria. As mulheres eram responsáveis pelos trabalhos domésticos, pelo cuidado com as crianças, cozinhavam e teciam. Os meninos iam para escola onde aprendiam com os missionários as primeiras letras e outros conteúdos escolares. Todos participavam de trabalhos artísticos e religiosos.
Rua larga entre as casas dos indígenas

Para manter a coesão popular, os jesuítas respeitaram o poder do cacique e aplicaram um rigoroso sistema produtivo. Cai por terra quem pensava que eram unidades comunistas; as reduções foram uma nova forma social mas com hierarquias bem definidas. 
As missões que visitamos no Brasil ficam em fácil acesso a partir da RS 285. Existem placas informativas na estrada. São João tem mais informações escritas do que ruínas. Poucas coisas restaram em pé. Foi um bom começo, nela pudemos entender a organização física da missão, que se repetiria em todas as outras visitadas. Nessa a entrada é gratuita e algumas placas informam o que você está vendo.
São João Batista 

São Miguel das Missões é a melhor preservada das reduções no Brasil. Descobrimos em outra visita que a igreja de São Miguel não precisou ser reerguida pois como essa é uma redução jovem, a técnica empregada na construção foi mais moderna.  São Miguel é impactante e muito linda ao entardecer. Como ponto negativo ficam as placas informativas, quase todas apagadas e pouco legíveis. Por ser a missão mais visitada no Brasil, deveria estar melhor conservada. Nas noites sem chuva ocorre o Espetáculo de Som e Luz, uma apresentação da Batalha de Caiobaté poetizada. Achamos poético demais e informativo de menos, saímos cheios de dúvidas da apresentação, sanadas com muita pesquisa na internet e nas visitas as ruínas da Argentina.
Espetáculo de Som e Luz

Em São Miguel existe ainda um pequeno museu com lindas obras barrocas guaranis, confeccionadas pelos indígenas através da supervisão dos religiosos. As obras são todas sacras.
Arte barroco guarani

Do lado argentino, a primeira missão visitada foi a de Santa Ana. Acompanhados de guia, tivemos uma explicação bárbara sobre a vida nas reduções. Foi uma verdadeira aula de história! O sítio está bem conservado e tem como destaque não ter sido reconstruído, mantendo características originais. O lugar ganha vida com o guia que pontua detalhes que passariam despercebidos por olhos leigos.
Repare no espaço  deixado pelas vigas de madeira do telhado

Depois seguimos para as ruínas de Nuestra Señora de Loreto que tem como destaque os banheiros (latrinas) encontrados apenas nesse sítio. Não se sabe se não existiam banheiros em outros sítios. Chovia muito e limitamos nossa visita às latrinas mesmo. 
Latrinas

As últimas ruínas que visitamos foram as de San Ignacio Mini, as mais famosas de todas as reduções jesuíticas guaranis. San Ignacio foi totalmente reconstruída, reerguida e com isso, perderam-se algumas características da época. Mesmo assim, esse sítio justifica ser o mais famoso do pedaço pois a sensação da dimensão das reduções é muito maior nesse lugar. Muitas placas informativas – em várias línguas- ajudam a compreensão.
Igreja de San Ignacio Mini

O museu é bárbaro, com muitas informações e obras desse período. Esse foi o lugar onde conseguimos fechar nosso conhecimento sobre as missões.

Dicas Anima:
- separe dois dias para fazer esse roteiro. Se incluir o Paraguai, reserve mais um dia.
- faria novamente todas as reduções que fizemos, uma complementou a outra.
- no Brasil, é possível pernoitar em São Miguel das Missões. A cidade é pequena mas oferece algumas acomodações e restaurantes. Nós optamos por um camping selvagem no estacionamento da redução.  Do lado Argentino, passamos uma noite em Posadas (essa é a cidade-base para se conhecer Trinidad no Paraguai), num hotel, e em San Ignacio, num camping na rodovia.
- dá prá incluir uma visita às reduções da Argentina numa viagem a Foz do Iguaçu. Fica um pouco corrido para fazer em um dia mas é bem possível.
- Posadas é uma cidade simpática, principalmente a região beira rio. Tem bons restaurantes e bares com vista para o Paraguai, que está na margem oposta.
- em São Miguel pagamos R$ 5,00 por pessoa pela entrada e mais R$ 5 para o espetáculo de luz. Na Argentina, compra-se um ticket na primeira redução que vale por alguns dias para as quatro missões abertas para visitação nesse país – San Ignacio Mini, Santa Ana, Loreto e Santa Maria La Mayor. Pagamos AR$ 40 por pessoa (preço especial para residentes da América Latina).
San Ignacio, Argentina
- ainda existe o espetáculo sombra e luz em San Ignacio Mini que aparentemente é melhor do que o brasileiro. Perdemos, pois quando chove o espetáculo é cancelado.
- o turista que visita o lado brasileiro é na sua maioria escolar do Rio Grande do Sul. Acreditamos que acontece isso por alguns motivos. Além da pouca divulgação, nossos sítios não possuem informações em outras línguas e esse tipo de visita é mais cultural que visual, precisa ter informação escrita para ser completo. Do lado argentino, muita diferença. Tem uma estrutura melhor para o visitante, com placas em outras línguas, folders entre outros. 
- a fronteira entre Brasil e Argentina foi tranquila, usamos a identidade e apresentamos o documento do carro e a carta verde na fronteira. Não esperávamos o valor do pedágio para cruzar o rio Uruguai, AR$ 120. Esse valor poderia ser pago em reais também. Cruzamos de São Borja (BR) para San Tome (AR).
Arte para aproximar os guaranis
- para gente, conhecer esse pedaço da história do Brasil foi uma grata surpresa. Ficamos admirados com a versatilidade dos jesuítas. A estratégia deles para propagar o catolicismo foi simples: mantiveram algumas características da cultura indígena, aprenderam sua língua e utilizaram a arte como elemento evangelizador. Além disso, a fé católica tem várias similaridades com as crenças guaranis – o monoteísmo é a principal delas e os jesuítas souberam usar isso ao seu favor. Mas as missões não foram apenas centros religiosos. Também promoveram uma nova organização do trabalho e se converteram em verdadeiras unidades de produção. Os missionários também são responsáveis pela domesticação da erva mate, amplamente cultivada e consumida na Bacia do Prata.  A importância das reduções para o Brasil é muito maior do que as placas apagadas de São Miguel tentam esconder.
- Você assistiu um fime chamado "As missões" com o Robert de Niro e Jeremy Irons? Não perca seu tempo. O filme possui erros históricos gigantes e além de tudo é chato. 

terça-feira, 18 de junho de 2013

Uruguai



Esse pequeno país que perde de território apenas para o Suriname na América do Sul, tem como principais manifestações culturais traços de Argentina e Brasil: o tango e o carnaval.   Mas diferentemente de seus conhecidos vizinhos, o uruguaio é um povo pacato. Esqueça a agitação de Buenos Aires ou o nervosismo de São Paulo. Montevideo, a capital, tem vida tranquila. Com apenas 1 milhão e 300 mil habitantes (a metade da população do país), prédios que remetem a uma época anterior, a cidade é grande o suficiente para ser visitada em um final de semana.

Sem o charme dos cafés portenhos e a praticidade das padarias brasileiras, Montevideo tem ritmo lento quando se trata de comer fora. Fomos a um bom restaurante.  Mas comemos supreendentemente bem nos carrinhos de lanches de rua. Não perca o chivito (uma espécie de x-tudo) e recomendamos também o suculento pancho com panceta, cachorro quente com bacon embrulhado na salsicha. O forte deles é o lanche de rua!
A melhor carne da vida


Para carnes existe o tradicional Mercado del Puerto na Ciudad Vieja, cheio de casas que fazem parrillas. Peça a pulpa (costela) ou fique no ancho (que corresponde ao ojo de bife argentino). O jeito do churrasco deles é diferente do nosso e do argentino. Eles utilizam a brasa da madeira e não o fogo. Misturando a técnica uruguaia com a brasileira, conseguimos comer a melhor carne da nossa vida: feita pelo Mauro num camping, um ojo de bife de bois uruguaios. Super bem acompanhado da excelente cerveja mexicana Negra Modelo.
Mercado do Porto

Ainda na Ciudad Vieja visitamos o bom Museo de Arte Precolombino Indígena que se localiza num edifício do séc. XIX. Nele encontramos um acervo com peças que pertenceram a diferentes culturas dos povos pré-colombianos na América Latina. As informações escritas estão ótimas.

A avenida 18 de julho vale ser percorrida a pé para se admirar bonitas construções como o Palacio Salvo e o Teatro Solis.
Palacio Salvo

Ainda na 18 de julho, não perca uma visita ao Mirante Panorâmico da Intendência de Montevideo. A entrada é gratuita e do 25 andar tem-se uma vista de toda a cidade com painéis ilustrativos auto explicativos. Lembre-se de retirar as entradas antes de subir no edifício no módulo de Informação turísitica localizado na Praça Libertad.

Domingo é dia de feira na rua Tristán Narvaja. Aqui você encontra de tudo: desde legumes e frutas a antiguidades. A feira é enorme, abraça várias ruas adentro e quanto mais afastado da 18 de julho, mais peculiar fica. Lá você encontra tudo que é coisa e os objetos estão agrupados sem ordem. Você pode encontrar lado a lado pelúcias velhas assim como ferramentas ou móveis. Até vidro de perfume vazio tem! Para quem quer montar negócio com objetos vintage, é o lugar certo de se ir!

Como ficamos num hostel em Punta Carretas, frequentamos bastante o shopping de mesmo nome principalmente para passear.  A região de agito fica ali próximo, no bairro de Pocitos.


Feira de domingo: muita quinquilharia


Bom lembrar que Montevideo é banhada pelo rio da Prata, apesar de parecer um grande mar. Para uma bela vista do skyline da cidade, vá à península que forma em Punta Carretas e pare perto do farol. Foi aqui que dormimos nossa primeira noite em Montevideo, numa área já conhecida por overlanders.
Skyline do farol


Montevideo não foi nosso primeiro destino no Uruguai. Saímos de Buenos Aires com o buquebus e chegamos em Colônia do Sacramento em uma hora.

Colônia é bonita, uma cidade colonizada por portugueses. Por isso tantos azulejos. As ruas de pedra lembram Parati.
Casa em Colonia do Sacramento


Tem muitos restaurantes e cafés movimentados durante o dia pois muita gente faz bate e volta a partir de Buenos Aires. Demos azar e pegamos uma tempestade fortíssima nos dois dias que ali ficamos.
Colônia


No caminho para o Brasil, paramos em Punta del Leste. Nossa expectativa para essa cidade estava alta e qual não foi nossa decepção quando lá chegamos e encontramos uma cidade fantasma.


O agito de Punta fica no verão. São três meses de vida e depois, muitos estabelecimentos fecham suas portas. Inclusive o Mc Donald´s da av. Gorlero estava fechado. Os apartamentos são de temporada e vimos prédios e mais prédios totalmente apagados. Um desperdício de espaço e recursos.

A cidade é bonita, fica no local onde o rio da Prata encontra o mar e é banhada pelos dois. A orla é bem cuidada, com algumas esculturas interessantes como das sereias e a mão.
Solta o nosso Jumbo


O entardecer é especialmente bonito apreciado de Punta Ballena onde também se localiza o Museo Taller Casapueblo de Carlos Paéz Vilaró. Visitamos por indicação de todos que visitaram Punta  mas recomendamos com moderação; apesar da entrada bem paga, o local é mais um espaço comercial do que um museu. A construção toda em barro pintada de branco com vista para o mar é o destaque.
Casapueblo


Foi uma passada rápida pelo Uruguai. E tivemos a sorte de poder assistir um concerto com o melhor violinista da atualidade: Itzak Perlman. Saimos enlevados com suas notas. Só por isso, o Uruguai já valeu a pena!
Na expectativa do concerto

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Buenos Aires

A capital argentina é uma queridinha para gente. Tanto que dessa vez, resolvemos ficar uma semana só nela, aproveitando toda a urbanidade que sentíamos falta. Vamos incluir nisso cinema, cafés, parques e restaurantes.


Para facilitar a mobilidade dentro da cidade, deixamos o Jumbo estacionado bem longe do centro, num local interessante para overlands. O nome do espaço é Andean Roads, local que aluga motorhomes. Apesar da longa distância, o preço e o espaço seguro compensaram. 
Alugamos um apartamento para nossa estadia. A experiência de estar numa cidade como se fosse um morador dela é muito interessante. Comprar pão, frequentar supermercados e andar de ônibus faz com que a integração com os locais seja muito rápida. No final das contas, sai elas por elas alugar apartamento e ficar num hotel. Lembrando que você vai lavar a louça de tudo que usar, arrumar a cama diariamente, etc. Para quem estava vivendo no Jumbo há meses, a quitinete era gigante! E tinha muito conforto também. Para alugar apartamentos no exterior indicamos esse site: homelidays. 
Já conhecíamos Buenos Aires de outras viagens. Então a “necessidade” de visitar alguns pontos turísticos não existia e por isso, focamos em atividades que realmente gostaríamos de fazer.
Milongando
Uma das coisas que decidimos fazer foi aula de tango nas milongasRecomendamos pelo menos uma noite numa milonga. Nesses clubes, os porteños aparecem para dançar e se divertir até virar o dia. É muito lindo vê-los dançar! Além disso, algumas noites tem show de música. Nós vimos o grupo Otros Aires, um tango eletrônico à moda de Gotan Project. Fomos no La Viruta mas existem dezenas de espaços milongueiros, é só pesquisar na net. 
Ainda sobre a noite porteña, a Calle Baez, localizada no bairro Cañitas tem um bar encostado no outro. Essa região é a certa para quem quer badalar.
Restaurantes bons em Buenos Aires não faltam. Estamos numa cidade cosmopolita onde uma parrila é tão boa quanto sushis, massas, comida árabe e vegetariana. Tem para todos os gostos e bolsos. Geralmente, come-se muito bem com bem menos, comparado com o Brasil. Aproveite essa festa gastronômica e organize algumas experiências em restaurantes. Indicamos fervorosamente um restaurante de bairro absolutamente fora de roteiros turísiticos: Rio Alba, em Palermo (Cerviño x Fray Justo). Ojo de Bife perfeito, ideal para dividir, porção de legumes grelhados e crepe de Dulce de leche divina. Quer mais? Com vinho, menos de R$100 para o casal.

Ojo de bife

Bom lembrar que os horários dos porteños são diferentes: saem tarde para almoçar e jantar. Isso significa restaurantes abertos a partir às 20 horas e movimento total umas dez da noite. Ajuste-se se não quiser dar com a cara na porta!
Carrinho de choripan
Os cafés são uma instituição na capital. Estão incrustados na vida dos argentinos como as padarias para os paulistas. O comum é consumir a mesma coisa não importa a hora: facturas (croissants), café com leite e um suco de laranja pequeno. Vimos algumas pessoas comendo esse café da manhã inclusive durante a noite. Rapidamente nos integramos a esse saudável hábito. Recomendamos o Café Martinez (rede), o Ibérico (ótimo chocolate quente com churros) e o La Puerto Rico, esse último em San Telmo e detentor do posto de melhor espresso de Buenos Aires no padrão Anima de qualidade. Não tenha pressa, peça o jornal da cafeteria (eles sempre tem um monte de jornais e revistas) ou participe de alguma conversa com os frequentadores.
Uma comida de rua imperdível é o choripan. Nada mais é que linguiça (chorizo) no pão. Simples e matador de fome, os carrinhos se espalham pela cidade. Provamos nosso primeiro em Mendoza e aqui repetimos a dose!
Não perca a oportunidade de tomar um bom sorvete. A Freddo é uma sorveteria semi artesanal que está em todo o canto. É boa e tem umas promoções de um quarto de litro tentadoras. Preste atenção aos cartazes. Outras duas excelentes são a Una Altra Volta e Persicco, essas artesanais. Nós acostumamos a pedir sempre um quarto. Vale mais a pena e podemos escolher até três sabores.
Delicioso

Pronto, vamos parar de falar em comida. Vamos para o tópico compras. A Argentina está numa situação complicada política e economicamente. O câmbio “azul” está valendo bem mais que o oficial e isso está causando uma confusão danada na economia. Já foi muito barato para fazer compras. Agora, continua sendo porque tudo no Brasil é muito caro mas deixou de ser o motivo principal de uma viagem a Buenos Aires. Para quem não consegue sair sem uma sacolinha na mão, a Córdoba continua sendo o paraíso de outlets. Levi’s, Cacharel e outras famosas dão as caras com bons preços. O garimpo é fundamental, sempre!
A Galeria Pacífico tem as lojas mais chiques e os preços mais caros mas é um ótimo passeio. Além disso, conta com ótimos banheiros gratuitos e para quem está dando aquele role pela Calle Florida e ficou apertado, é só entrar na Pacífico.
Galeria Pacífico

Dessa vez, fizemos apenas dois museus, o Malba e o Belas Artes. O Malba tem um acervo maravilhoso da arte na América Latina. É lá que vive o Abaporu da Tarsila do Amaral, a obra mais emblemática do modernismo brasileiro. Também conta com obras de Di Cavalcanti, Diego Rivera e Frida Kahlo. O dia mais barato para visitá-lo é as quartas feiras. Professores têm desconto apresentando identificação.
O Belas Artes pareceu mais sombrio dessa vez. Escuro e com reflexos de luz em alguns quadros, ainda conta com um acervo interessante. Destaque para as exposições temporárias, em outra sala anexa. Na época da visita estava uma sobre papéis. O Belas Artes é gratuito.
Outro passeio cultural que pode envolver boas compras é a livraria El Ateneo. Usando o espaço de um teatro antigo, é um luxo! Passamos um par de horas lendo alguns livros nas cadeiras espalhadas pela livraria. Dentro ele ainda tem um café. Fica na Santa Fé, pertinho da Recoleta.
A Recoleta por sinal continua muito bem obrigada, com ruas agradabilíssimas para um passeio a pé. Além do famoso cemitério e a Igreja del Pilar, conta com lojas de roupas de alta costura. Bom para olhar.
Recoleta

Os argentinos possuem bastante habilidade manual e criatividade para realizar trabalhos artísticos. Na feira que rola em San Telmo aos domingos você encontra de tudo: antiguidades e lindos artesanatos. Essa feira se estende por várias quadras. Uma dica é descer em San Telmo e depois seguir caminhando até a Plaza de Mayo.
Feirinha de San Telmo

Por sinal, prepare-se para andar, andar e andar. Buenos Aires é boa de conhecer caminhando. Só assim é possível apreciar a arquitetura e entrar no dia a dia dessa grande cidade. Um bom par de tênis é o ideal para isso, deixe o saltinho para o tango da noite...
Se essa caminhada toda não te satisfez, Palermo conta com parques para todos os gostos. Quem correr? Vai lá. Quer alugar uma bike, skate, patins e qualquer outra coisa com rodinhas? Vá para lá. Alimentar patinhos? Lá também. Jardim japonês ou roseiral? É lá, é lá!
Passeador de cachorros, profissão comum em Bs As

Evita
E como se locomover em Buenos Aires? Transporte coletivo é a melhor e mais barata forma. Só tem um detalhe: ônibus não aceitam notas, apenas moedinhas. O ideal mesmo é comprar um cartão porque a passagem fica bem mais barata do que pagando com moedas. E é super fácil para recarregar. Esse cartão é integrado ao metrô, pode usar tanto um quanto o outro que não tem erro. Para saber qual ônibus pegar, existe o guia T, vendido em bancas de jornal mas dessa vez preferimos usar a internet e pesquisar com antecedência quais linhas pegar. Veja aqui nesse site.
O taxi também é barato mas fique de olho no troco, se não vem alguma nota falsa. Alguns turistas reclamaram de lhes passarem notas falsas no táxi. Na verdade, é bom ficar esperto sempre.

Aproveite essa linda cidade! E saiba que apesar de toda arrogância de nossos hermanitos, existe um povo simpático e acolhedor, que gosta de conversar, de ajudar, de te dar informação errada e de te provocar. O mais perto do Brasil que pudemos encontrar em nossas andanças pela América! Nos sentíamos praticamente em casa.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Novamente, Chile!


Moai
Após Mendoza nosso próximo destino foi no Chile: Viña del Mar, uma cidade graciosa, na beira do Pacífico. Viña e sua quase irmã, Valparaíso são destinos de fim de semana para os santiaguinos. Apesar da proximidade, Viña é muito mais arrumadinha que sua vizinha Valpo.
Tentamos visitar o daMuseu de Arqueologia e História Francisco Fonck mas estava fechado. Mesmo assim pudemos nos deliciar com algumas obras em sua porta que convidam o visitante a querer conhecer mais dentro do museu. Uma dessas peças é uma estátua de moai da Ilha de Páscoa.
Agora, imperdível é a La Sebastiana, casa onde Pablo Neruda viveu com seu grande amor, Matilde. A casa é pura poesia. O poeta preencheu todos espaços da casa. A poltrana chamada Las Nubes, o quadro de homem que comprou para fazer companhia a outro de mulher, o bar. Tudo tem história. A casa fica localizada no Cerro Florida, em Valparaíso, com vista privilegiada para a baía. A visita é audioguiada e não é permitido tirar fotos dentro da casa (P$ 4000,00).
Mirante na La Sebastiana
Com gostinho na boca de Neruda, resolvemos visitar outra casa sua na Isla Negra. Nessa, as coleções mais importantes são vinculadas ao mar: mascarones de proa, réplica de veleiros, conchas, etc. Neruda era um marinheiro de terra. Foi aqui que ele escreveu o Canto Geral. A casa fica na beira da praia onde também está seu túmulo. Sobre essa casa Neruda escreveu: “A casa foi crescendo, como a gente, como as árvores...”. O valor da entrada é o mesmo da Sebastiana, mas nessa o guia é pessoal.
Os sinos também fazem parte de sua coleção

Ainda há outra casa em Santiago, mas essa não visitamos. Se tivesse que escolher apenas uma para visitar seria a Sebastiana em Valparaíso.
Mercado Central: nada de mais
Seguimos para a capital do país, Santiago. Apesar de capital, Santiago é muito mais tranquila que outras capitais por onde passamos. Conseguimos até estacionar o carro numa rua do centro! Conhecemos o Palacio de la Moneda (onde mora o presidente), a Plaza de Armas, o Mercado Central, a Catedral mas o que chamou mais nossa atenção foi o café com piernas.
Como assim, café com pernas? Eu nunca tinha ouvido falar nisso, o Mauro que veio todo me avisando que no centro de Santiago existem cafeterias que se chamam café com piernas porque nelas os balcões vazados deixam os clientes apreciarem as pernas das atendentes que sempre estão com as pernas de fora. Claro que eu fui junto, queria saber que história é essa do café vir acompanhado de pernas e descobri que não tem nada demais. As moças realmente usam uma roupa que deixa as pernas de fora, botam uma meia calça e um sapato alto e servem café. Sinceramente, vimos moças com roupas mais curtas na rua, não tem nada de outro mundo. Mas os café vivem cheios, principalmente de homens. Que tomam um cafezinho (e diga-se de passagem, o café estava muito bom) e ainda dão umas olhadinhas nos lindos pares de pernas que ficam desfilando na sua frente. Fomos ao Café Haiti, no Paseo Ahumada. Mas existem outros como o Prietto.  
 
Nesses cafés não têm mesas
                                                                                                                                                                   
Bom esse foi o café que nós fomos, tradicional. Vimos outros “cafés” com vidro preto na porta que o café com pernas é mais, digamos, quente. Não sei nem quero saber o que acontece lá dentro.
Também aproveitamos Santiago para consertar o carro. Para peças automotivas, procure a Av. 10 de julho. Tem tudo de peças e muitas lojas de serviço.
Onde arrumamos nosso carro
Todas as noites que ficamos na capital dormimos num Copec, um posto de gasolina. Com wifi e banho quente foi o melhor e mais barato lugar que encontramos para ficar acampados.
Dando continuidade a visitas em vinícolas, resolvemos visitar duas no Chile. Uma foi a Concha y Toro, bem próxima a capital. A visita foi ótima. Foi na Concha y Toro que pudemos experimentar todas as variedades de uva que eles utilizam pois eles mantém umas vinhas para experimentação. Experimentar a uva Malbec e a uva Tanah diretamente da parreira ajuda a perceber diferenças.
Barris da Concha y Toro

Eles tem um restaurante correto lá dentro e acabamos tomando muito mais vinho que queríamos, já que ganhamos um monte de cortesias. Resultado: tiramos uma soneca no estacionamento da vinícola. Lado bom de andar sempre com a casa nas costas!
Degustação 

Seguindo a Pan Americana rumo ao sul do país, visitamos a vinícola Santa Cruz, uma das melhores experiências que tivemos com vinho até o momento. Foi lá que aprendemos a decifrar um vinho. Excelente!
Vinicola Santa Cruz

Um pouco mais ao sul, paramos para visitar uma bela cachoeira que tem na região que chama-se Salto del Laja. O acesso é gratuito e você não pode se banhar. Contente-se em apenas admirá-la.
Salto del Laja

Pessoas no final do arco-íris

Fronteira
A estrada que sai de Mendoza e vai para o Chile passa pelo Parque Nacional Aconcágua, o topo das Américas, cume americano mais alto com 6.960 metros. Destino de muitos escaladores, o Aconcágua não é para qualquer um. Muito tentam e poucos chegam ao seu cume. Nós apenas tivemos um relance rápido dele numa paradinha que demos na entrada do parque. Decidimos não realizar nenhum passeio já que íamos cruzar a fronteira no mesmo dia e fronteiras sempre são uma incógnita.
Estrada lenta e sinuosa
Oficialmente aberto nosso zigue-zague Argentina/Chile, o Paso Fronterizo Los Libertadores que liga Mendoza a Viña del Mar foi o mais tranquilo de toda viagem. As aduanas e imigrações acontecem juntas para quem está indo para o Chile, em território chileno, após passar um túnel. Todo o trâmite de saída e entrada acontece nos mesmos postos, quase não saímos de dentro do carro. Apenas para vistoria do Chile, o que foi muito rápido e profissional. Para brasileiros todo o trâmite é sem custos, tanto imigração quanto aduana.
Depois de tudo pronto veio o problema: demoramos horrores na estrada porque estão refazendo a estrada. A sorte que demos foi que para quem estava indo para as cidades chilenas a estrada estava aberta. No outro sentido a estrada estava fechada e abria somente a noite. Caso passe por esse trecho, favor se informar com as autoridades chilenas sobre horários (ruta 60).

Pablo Neruda
Acho que o Neruda era bom de lábia...
Nascido no sul do Chile, seu nome de batismo é Neftali Ricardo Reyse Basoalto. Ele escolheu o nome de Pablo Neruda em homenagem a um poeta tcheco. Neruda ganhou um Nobel pela sua obra o que fez que o Chile tenha dois nóbeis em literatura: Neruda e Gabriela Mistral. Além de poeta, Neruda era diplomata, ligado ao partido comunista, foi candidato a presidente do Chile e senador. Na época da ditadura militar em seu país, teve que se exilar na Europa numa fuga épica pelos Andes chilenos para a Argentina. Neruda se casou três vezes mas aparentemente teve várias outras namoradas. Sua última esposa, Matilde, foi responsável por desencadear novos e lindos poemas de amor.Visitar as casas de Neruda no país que ele nasceu e amou traz o poeta muito próximo aos seus fãs. Elas são testemunhas de como o poeta devia ser uma pessoa especial.
Neruda morreu em 1973, logo após o golpe militar liderado por Pinochet. Apesar de estar com câncer, sua morte ainda é motivo de discussões pois muitos acham que ele pode ter sido envenenado. Um mês após nossa visita a Isla Negra, seu corpo foi exumado e será estudado para esclarecer sua causa mortis.
Bom, essa foi uma pequena biografia do Neruda. Para conhece-lo melhor, sugiro ler alguns de seus poemas. As odes são uma boa maneira de iniciar além dos poemas de amor, simplesmente divinos. As casas onde ele morou também ajudam a compreender mais desse grande poeta.  E também existe um bom filme “O carteiro e o poeta”.
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