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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Tikal, grande atração da Guatemala

Ruínas perdidas no meio da selva
Chegando em mais uma fronteira, já ficamos apreensivos.
Desnecessariamente, pois entrar na Guatemala vindo de Belize foi tranquilo. Acabou demorando muito tempo (duas horas) porque o sistema da Guatemala caiu e precisamos ficar esperando até ele voltar a funcionar.
Enquanto espera, aproveite para visitar o quiosque de informações turísticas. Eles sempre tem mapas para dar. Aproveite e pegue o mapa do parque de Tikal, distribuido gratuitamente nesse local - digo isso porque tentaram nos vender o mesmo mapa na entrada de Tikal e sem mapa, sua visita as ruínas fica complicada.

Portal de Flores
 Passada a fronteira, seguimos para Flores, uma simpática cidade localizada numa ilha do lago Petén Itzá. Almoçamos mas resolvemos seguir em direção a Tikal seguindo as dicas de vários viajantes: chegar a tardezinha (a partir das 16 horas) e acampar para aproveitar melhor o tempo. E assim fizemos.

As ruínas são caras, cerca de R$ 40 por pessoa. Depois de pagar pelas entradas para o dia seguinte, nos disseram que poderíamos assistir ao por do sol nas ruínas naquele mesmo dia. Infelizmente, perdemos o por do sol mas fomos dar uma caminhada mesmo assim para aproveitar o tempo. E vou te contar: nessa latitude, o cair da noite é na verdade um despencar. Não curtimos ficar no meio da selva no escuro e voltamos rapidinho para o camping.
Templo I de Tikal
Acampamos no Hotel Jaguar Inn que também tem um restaurante e uma internet sofrível mediante pagamento. Apesar de estar sob influência do clima tropical úmido, conseguimos ter uma noite tranquila no meio da selva, embalados pelos barulhos dos animais e pelo breu da noite.
A visita as ruínas veio logo no dia seguinte. Algunas pessoas acordam de madrugada para ver o sol nascer do alto das pirâmides mas não foi nosso caso. Ainda bem, pois o dia estava nublado e até choveu em alguns momentos durante o passeio.
Máscara em Tikal
Tikal não tem nada a ver com as outras pirâmides pré-colombianas. Localizada no meio da floresta tropical úmida, seus caminhos são verdadeiras trilhas, muitas vezes íngremes e muito escorregadias. A experiência de estar no meio da floresta e dar de cara com essas gigantes construções é de estar fazendo parte de um segredo bem escondido. Mas para que o seu passeio só tenha boas recordações é bom tomar alguns cuidados. Um deles é usar um calçado que não escorregue. Outro, passar repelente, o mais poderoso que você tem, aquele que você estava guardando para usar nos lugares longíncuos da América Central. Chegou a hora, não economize pois os mosquitos são implacáveis. Leve água. As distâncias são enormes, você sua feito um condenado, o desgaste físico aumenta por causa dessa umidade louca. E tenha um bom mapa ou contrate um guia. O sítio arqueológico é grande e você pode se perder.
Seguindo essas regrinhas, não deixe de conhecer:
- El Mundo Perdido: um complexo de 38 estruturas que rodeiam uma grande pirâmide de 32 metros de altura. Não apenas pelas construções, o lugar é interessante pelo seu astral, a energia lembrou Palenque.
A selva toma conta das ruínas
- Sete Templos: são pequenos templos, um ao lado do outro, com outras estruturas maiores a sua volta. Pode subir nos templos.
- Grande Praça: as principais atrações são as pirâmides I e II, localizadas uma de frente para outra. O templo I é conhecido como o templo do Grande Jaguar. Ao lado esquerdo do templo I está a Acrópolis do Norte, que apesar de não ser tão impressionante quanto as duas pirâmides, possui grande valor histórico por terem estruturas que evidenciam uma ocupação anterior a 400 AC. Essas estruturas foram reutilizadas pelos maias. Existem duas grandes máscaras esculpidas por esses povos antigos, uma delas extremamente bem preservada.
- Templo IV: subindo pelos degraus de madeira que levam quase ao topo da mais alta construção de Tikal (64 metros) tem-se a melhor panorâmica do sítio e de sua localização no meio da selva. Algumas outras construções apontando por cima das árvores trazem novamente a sensação de estar em um mundo perdido. Imperdível!

Macacos bem barulhentos
Existem outros templos espalhados pelo sítio arqueológico, altos, imponentes e misteriosos. Durante sua exploração, você vai escutar um som muito estranho vindo da mata. Muito alto, parece um tigre com fome. As primeiras vezes que você escuta, é inevitável procurar da onde vem esse barulho e até ficar meio preocupado. Acalme-se, não é nenhum monstro. São os macacos fazendo bagunça pela mata. Fique atento, dê uma olhadinha de vez em quando para o topo das árvores e você pode ver um, observando seus passos.

Procedimentos para entrar na Guatemala

Além de macacos, o esquisito peru selvagem.
Pessoas: apenas o passaporte válido; o visto que nos deram foi de 90 dias, válido para os 4 países (Guatemala, El Salvador, Honduras e Nicarágua)

Veículo: obrigatoriamente, voce irá passar pela area de fumigação. Após ter o carro fumigado, pagará numa casinha ao lado direiro Q $ 18. Feche os vidros pois a tal fumigação é feita com os passageiros dentro do veículo.
Com o recibo da fumigação em mãos, siga para a imigração do lado esquerdo da rodovia.
Após realizar sua entrada, vá ao guichê ao lado fazer a importação temporária do carro. Os documentos que você terá que apresentar(originais e cópias) são os seguintes: documento do carro, CNH, fumigação e passaporte com o visto de entrada. Após pagar a taxa de Q$ 160, o funcionário da alfândega irá até o seu carro e colará um adesivo no vidro. Pronto, seu carro já pode circular pela Guatemala legalmente.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Em território brasileiro

Saimos de Caulker sob uma tempestade tropical muito forte. Com o mau tempo, decidimos seguir para Dangriga no litoral sul de Belize, seguindo recomendações do guia. Sinceramente, nem perca seu tempo: não sei se foi a chuva, Dangriga não vale a pena. A cidade é muito feia e oferece pouco apoio ao turista - poucos restaurantes péssimas opções de hospedagem.
Passamos a noite numa vila entre Dangriga e Belmopan, a capital, onde precisávamos passar na Embaixada do Brasil para justificar nosso voto.

Como foi bom passar na Embaixada! Após nove meses, colocamos nosso pezinho no Brasil e pudemos conversar em português com o vice consul, Sr. Gerôncio, uma simpatia! Ficamos muito a vontade de novo na nossa terrinha! Apesar de não resolvermos nossa justificativa para as eleições municipais, recebemos a orientação sobre como proceder.
Belmopan não tem nada interessante, somente as embaixadas. Agora a pergunta: por que será que a embaixada dos EUA é tão gigante? São três quadras de embaixada! Num país minúsculo!
De Belmopán seguimos para Spanish Lookout, cuma cidade colonizada pelos menonitas, muito diferente do resto de Belize. A cidade é próspera, vive da extração de petróleo e os habitantes são descendentes de alemães.
San Ignácio, terminal internacional de ônibus
Próximo de Lookout, está a cidade de San Ignacio. San Ignacio é a última "cidade grande" antes da fronteira com a Guatemala. Resolvemos passar a noite nela e aproveitamos para visitar as ruínas maias de El Pilar.

El Pilar no meio da floresta
Fica próximo a cidade, uns 18 km mas o acesso é ruim, melhor fazer com um 4x4. O complexo El Pilar fica na fronteira com a Guatemala, tem até uma parte do sítio arqueológico que está naquele país. Na estrada para o sítio, até pensamos que seria uma roubada, no meio da floresta, numa trilha esburacada, no meio do nada.
No final, foi uma experiência única.
As ruínas maias do México foram reconstruídas e apesar de todo o encanto de Palenque e Chichen Itzá, foram modificadas. Além de serem super turísticas, claro.
El Pilar está quase toda encoberta. Apenas uma pequena parte das ruínas está à mostra, partes de uma casa com um quarto, e algumas paredes, chamado de Tzunu' un. Dizem que a terra que cobre as ruínas também as protegem.
Éramos os únicos visitantes do sítio. Apesar de poucas pessoas visitarem El Pilar, o sítio é bem mantido. Mas possui poucas placas explicativas e você precisa usar sua imaginação para tentar visualizar o que tem por baixo daqueles montículos de terra.
Saimos de Belize no dia seguinte, por Benque Viejo. Do lado esquerdo da estrada está a imigração. Para saída, é necessario pagar Bel. 37,50 por pessoa. Neste mesmo prédio, voce dará baixa na importação temporária do veículo - eles irão carimbar seu passaporte. É bom trocar algum dinheiro com os cambistas cadastrados pois na entrada da Guatemala você precisará de quetzales.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Chichén Itzá


Com certeza, a mais famosa das pirâmides maias, Chichén Itzá tem seus méritos. Um deles, é a proximidade a Cancun. Outra é que depois de construída e utilizada pelos Maias foi conquistada pelos toltecas que adicionaram seu estilo ao que já exisitia. Portanto, Chichen Itza tem tanto elementos da arquitetura puuc quanto cultos a Quetzalcóatl, a serpente emplumada dos toltecas.

Pirâmide de Kukulcán

O primeiro grande prédio é uma das mais harmônicas pirâmides que vimos até agora, El Castillo. Também chamada de Pirâmide de Kukulcan, ela foi construída para representar o calendário maia e é famosa pelo movimento de uma serpente em seus degraus, uma ilusão criada pela sombra e sol visível apenas nos equinóceos da primavera e do outono. Antigamente, podia subir e acessar seu interior. Hoje isso está proibido.
vencedor do jogo com a faca na mão


Muito bacana também é o Gran Juego de Pelota. Além dos anéis de pedra por onde deveria passar a bola, vários painéis esculpidos na pedra mostram o que acontecia nesses jogos de bola, inclusive um jogador segurando uma faca numa mão e uma cabeça na outra.

Próximo fica o Tzompantli (plataforma dos crânios). Os toltecas era adeptos ao sacrifício humano e nesse local ficavam as cabeças dos prisioneiros mortos expostas. As paredes desse altar são ricamente ornadas com esqueletos e águias comendo corações. Imagina o quão intimidador era passar por esse local e ver o que podia acontecer com você.

Um outro local muito interessante é o Caracol, um prédio construído para funcionar como um observatório astronômico, o único que vimos em forma circular.
sobre a plataforma ficavam os crânios das vítimas dos sacrifícios
Caminhando para a direita, você chega ao Edificio as Monjas e a Igreja, dois edifícios ornados com máscaras de Chaac. Esses são edificios da época maia, não foram alterados nem destruídos pelos toltecas.
Muito outros prédios e cenotes interessantes fazem parte dessa visita a Chichén Itzá. Você pode programar umas quatro horas de visita. Além disso, Chichén tem um intenso comércio local de artesanato. Coisas muito bonitas, mas enche um pouco a paciência ter que responder cada uma das solicitações dessas centenas de ambulantes.
Assim como em Uxmal, Chichén custou M$ 249. Também com uma venda casada mas, pior do que em Uxmal, o show noturno está cancelado. Mas mesmo assim, continuam cobrando no preço do ingresso integral, incluindo o show noturno inexistente.
Esse tipo de comportamento exploratório desanima e tira um pouco do brilho do lugar. Mas, estamos no México e caso não queira ter esse tipo de aborrecimento, é melhor escolher outro país para passar as férias.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Um trecho corrido


De Palenque seguimos para Campeche, no litoral. As estradas da Península de Yucatán estavam com muitos bloqueios policiais. Fomos parados na maioria mas sem grandes desdobramentos.
Tinhamos quatro opções para acampar em Campeche. Todas péssimas. Numa delas, a descrição dos viajantes falava que ficava num subúrbio. Brasileiros sabem a diferença de favela e subúrbio, aquilo era favela. Depois de quase 3 horas de pesquisa, acabamos desistindo de campings e partimos para um hostel localizado dentro dos muros da cidade.
De longe, a melhor opção é ficar hospedado dentro das muralhas. A cidade fora é horrorosa, cheia de buracos, sem nenhum atrativo. Mas dentro, parece que fomos transportados para outro local. Todas as casas parece que foram reconstruídas. Coloridas e alegres, tinhamos a clara impressão de estarmos dentro de uma redoma de vidro. E gostamos muito disso!


Apesar de toda a reconstrução, Campeche ainda está caminhando no atendimento ao turista. Por exemplo, tivemos dificuldade em encontrar um restaurante que coubesse no bolso e atendesse ao paladar. Mas valeu a passagem, a cidade da redoma é bem bonitinha.


Acabamos nos hospedando no Hostel del Pirata. Nota 5 para o hostel: o banho não tinha água quente e durante o meu banho, nem água tinha. Fiquei ensaboada no meio do banho e o Mauro foi pedir para religarem a água.


Sobrevivemos e no dia seguinte seguimos para Uxmal, a principal pirâmide maia da rota puuc. Essa região da península desenvolveu algumas caracterísitcas na sua arquitetura mais detalhadas, com motivos geométricos.


Uxmal é um sítio arqueológico muito bonito. Para nós, dois são os destaques principais: o Quadrángulo de las Monjas e o Palacio do Governador. O Quadrangulo é composto por 4 prédios construídos em épocas diferentes. Estudiosos divergem quanto ao uso desse espaço mas a beleza das fachadas é impressionante. Muitas máscaras de Chaac, o deus da chuva para os maias e algumas referências a serpente emplumada enfeitam a arquitetura. No dia da nossa visita, um grupo estava realizando alguma atividade que misturava dança e meditação.

O Palacio do Governador é uma verdadeira obra de arte no estilo puuc. É um prédio com 97 metros de comprimento, com muitos mosaicos na fachada.


Ainda tem como destaque a Pirâmide del Adivino, construída sob uma base oval. Bonita, porém os outros dois prédios chamaram mais nossa atenção.

Mas nada justifica o preço abusivo (Mex 249) e a venda casada com o show noturno na pirâmide. Você compra o ingresso e ele " dá direito " a um show noturno que pode ser cancelado dependendo do clima. Demos azar, choveu e o show foi cancelado. Na compra do ingresso você paga o preço integral, não existe a opção sem o show de luzes. Mas se quiser ir apenas a noite, o preço é Mex 58. Extorsivo? Viva o México!


Dormimos no camping/estacionamento do Canah-Nah Restaurant Bar e saimos cedinho para Mérida, onde tinhamos um monte de coisas do carro e nossas para resolver.
Em Mérida, mandamos lavar nossas roupas (por quilo, como no Brasil) e trocamos dois pneus do Jumbo. Eles já tinham rodado mais de 50.000 km e estavam gastos. Só não trocamos todos porque eles não tinham outros dois. Também fizemos um adesivo para o carro do Spot, uma forma de tentar intimidar policiais corruptos e assaltos.
Mérida é uma cidade grande mas simpática. Tem um centro preservado e movimentado mas realmente não pudemos aproveitar nada porque essas "coisinhas" levaram o dia inteiro e saimos somente a noite para jantar.
Mas essa rotina de manutenção do carro e nossa faz parte, precisamos parar em algum lugar de vez em quando para deixar tudo em ordem! Bem tudo, tudo, é impossível, mas pelo menos resolver algumas pendências...

domingo, 28 de outubro de 2012

Palenque


A serpenteante estrada entre San Cristobal e Palenque, é muito mais famosa pelos seus perigos que por sua beleza. O estado de Chiapas, onde ficam as duas cidades é a base dos Zapatistas, grupo paramilitar que luta pelos direitos indígenas, que são 1/4 da população local. Esses caras não são de brincadeiras e além de ocupação de cidades, conflitos armados com o exército mexicano, tem vários relatos de violência e assaltos de turistas por zapatistas nessa região. Mais frequentes são pedágios não oficiais cobrados na estrada.
A alternativa a esse trecho de estrada é uma volta enorme de mais de 6 horas, com várias serras (desnível de mais de 1500m). Mas nós fizemos como fazemos sempre: conversamos com os locais e perguntamos sobre as condições das estradas e de segurança. E também viajamos sempre de dia.
Todos a quem perguntamos, seja informações turísticas, posto de gasolina, no camping ou outros viajantes, nos disseram para seguir sem medo e foi o que fizemos. E foi mesmo tranquilo, apesar das muitas lombadas (chamadas de topes por aqui), advertência que já tínhamos recebido. É mesmo muita curva e lombada, mesmo pra quem está acostumado com a Rio-Santos. Em 2 ou 3 pontos, havia uma "barreira" que não era mais que um cordão com algumas bandeirinhas ou pedaços de pano colorido de um lado a outro da etrada e com algumas crianças e jovens segurando-a. Não sabemos se é isso que os gringos chamam de pedágio ou barreira zapatista. Nós nem diminuímos a velocidade e a molecada simplesmente abaixava a cordinha para passarmos. Ao invés de pedágio, preferimos ajudar o pessoal comprando alguns produtos da beira da estrada: bananas, coco fresco com limão e pimenta e castanhas cozidas.
Grafites pró-zapatistas

Chegando em Palenque, não perca tempo na cidade, vá direto para a zona do parque arqueológico, onde tem vários hotéis, pousadas e restaurantes. Mas atenção, antes da zona arqueológica, você precisa entrar num parque nacional. Esse parque é pago somente por turistas, os locais são isentos. Mas os guardas da portaria saem às 16:30 e após esse horário a entrada fica livre.
Templo do Sol

As ruínas de Palenque foram as que mais gostamos no México. Pirâmides misteriosas restauradas mas cercadas e ainda meio cobertas pela selva, lindas, super propocionais e com uma energia super legal.
Templo das Inscrições

Infelizmente os lugares mais legais estão fechados ao turismo: o Templo das Incrições e a Cripta do Pakal. Mas mesmo assim achamos que valeu super a pena subir nas pirâmides do Templo do Sol e do Templo da Cruz. Recomendamos também ir no ótimo museu que tem logo depois da saída. Além de vários objetos de Palenque, todos bem organizados e com as devidas explicações, eles tem também uma réplica do sarcófago de Pakal.

No lado esquerdo, exemplos da escrita maia

Palenque foi uma cidade maia, civilização pré-colombiana mais desenvolvida, com uma escrita totalmente formada e grandes avanços em astronomia e em matemática. Nesse campo aliás, vale notar o sistema numérico vigesimal e a utilização do zero. Sua arquitetura e arte são fascinantes. Apesar de já termos lido sobre eles e visto a sala maia no museu de antropologia na cidade do México, a sensação de caminhar pela cidade entre todas as ruínas é indescritível.
Estudantes realizando seus desenhos - Templo do Conde

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Oaxaca e San Cristóbal de las Casas



Cansados depois de muito andar na Cidade do México e de um longo dia de estrada, chegamos em Oaxaca querendo mais descansar do que passear. Mas também não conseguimos ficar só parados no quarto do hotel ou camping.
Aproveitamos o domingo movimentado no Zócalo, linda praça arborizada de Oaxaca e ficamos um tempão num restaurante, depois num café, só vendo o tempo passar: os vendedores de balão e de artesanato, os casais com filhos e os senhores de chapéu e bengala. Parecia que estávamos dentro do quadro " Sonho de uma tarde de domingo"! Foi com um certo esforço que saímos para dar uma volta no centro antigo e no mercado.


Praça em Oaxaca

Em Oaxaca que experimentamos pela primeira vez o tradicional mole negro, feito com chocolate e que normalmente acompanha peito de frango ou de perú. Comemos em dois lugares diferentes, no café da praça e no mercado, e preferimos a versão mais popular e bem mais barata do mercado. Também foi lá que vimos o chocolate feito na hora, com a trituração dos grãos do cacau e a mistura com especiarias e açúcar. Tão bom que vai valer um outro post pra ele.


Frango com mole

Depois de um dia perambulando pelos cafés e restaurantes da cidade, nos sentimos prontos para mais uma ruína prehispanica. Monte Albán (Mex 57) fica nos arredores da cidade, no topo de um monte, e por isso mesmo a vista de lá é linda. Mas as ruínas em sí não achamos tão legais. O mais diferente são várias figuras talhadas em pedra apelidadas de "Os dançantes" pelas posições não usuais mostradas. Mas parece que ao invés de dança ou qualquer tipo de festa, as figuras representam a castração, tortura e sacrifício de chefes rivais vencidos em batalhas pelos Zapotecas, habitantes de Monte Albán.


Os dançantes castrados

Mirante do Monte Albán

Já havíamos gostado de Oaxaca, mas a surpresa em San Cristóbal de las Casas foi ainda melhor. Com a vantagem de que San Cristobal é menor e menos movimentada do que Oaxaca, que é a capital de seu estado. Várias ruas de pedestre com casas coloniais restauradas e coloridas te convidam para um passeio. E a simpatia extra da cidade, pelo menos pra nós, é a igreja dedicada a São Cristóvão, padroeiro dos viajantes.
A simpática San Cristóbal de las Casas

Mais do que em outros lugares do México, vimos muito artesanato e especialmente muitas jóias feitas com âmbar, que é minerado ali perto. O âmbar é uma resina fossilizada, e apesar de ser vegetal e não mineral, é tratado como uma pedra preciosa. Mas diferente dessas, algumas peças de âmbar podem conter insetos que ficaram presos nelas por milhares de anos. Muito legal, mais ou menos como no filme Jurassic Park, lembra?

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Teotihuacan


Imponente, importante e fácil de chegar, o sítio arqueológico de Teotihuacan é o mais visitado do México.
Estávamos bem ansiosos para conhecê-lo, pois não sobrou quase nada da capital azteca erguida sobre o lago Texcoco. Os espanhóis demoliram tudo, construindo sobre ela suas casas, palácios e igrejas. Mas Teotihuacan sobreviveu.
O sítio é enorme e não tem nenhuma sombra. Leve chapéu, protetor solar e sombrinha ou guarda chuva. Apesar de pedirmos, também não nos entregaram nenhum mapa na entrada e recomendamos chegar já com o seu (por sorte nosso guia tinha um mapinha de lá), pois ficar perambulando sem rumo não é legal.
A gigantesca Pirâmide do Sol
Nós entramos e fomos direto pra Pirâmide do Sol, atraídos como que magneticamente por ela. Subimos os quatro lances de escadas íngremes quase sem pensar e logo estávamos no topo, ou na parte mais alta que os turistas podem chegar. De cima dela, ficamos encantados vendo todo o complexo sistema de pirâmides, edifícios e muitas escadarias entre eles. A frustração foi saber que a pirâmide do sol não foi restaurada, mas sim reconstruída e nesse processo, acabaram fazendo-a com cinco níveis ao invés dos quatro originais.  Depois disso acabamos perdendo um pouco da magia do lugar.

Mas seguimos para o Palacio de los Jaguares, Templo de los Caracoles Emplumados e o Palacio de Quetzalpapátotl, local onde presumivelmente habitavam sacerdotes e admiramos desenhos em estuque incrivelmente preservados.
Pintura no Templo dos Caracoles Emplumados
Apesar de ser mais baixa que a pirâmide do sol, o topo da Pirâmide da Lua está na mesma altura daquela, pois ela foi construída sobre um terreno mais alto. Também achamos a Pirâmide da Lua mais bonita, simétrica e proporcional que a do Sol.


Pirâmide da Lua ao fundo.

Depois de andar meia hora no sol, saímos do parque pela porta 4 para visitar o Palacio de Tepantitla. Quando chegamos na porta, um guarda nos informou que o museu estava fechado. Surpresos, conferimos em nosso guia que estávamos dentro do horário de funcionamento. Mas fomos informados que apesar disso, a responsável havia saído para almoçar e não tinha ninguém no lugar dela. Assim se quiséssemos visitá-lo deveríamos esperar uns 45 min até que ela voltasse. Desistimos dessa e resolvemos procurar a Cueva Astronomica, usada pelos sacerdotes para marcações astrológicas ligadas ao calendário e ao ciclo agrícola. Há ! E quem disse que encontramos? Seguimos nosso mapa, perguntamos mas ninguém nem sabia da existência dela, ou pelo menos não quiseram nos ajudar.



Calzada de los Muertos - de cansados, ufa!
Depois dessa caminhada toda, fomos para o ar condicionado do museu nos refrescar um pouco. O museu não é muito grande , mas tem uma boa vista panorâmica climatizada da Pirâmide do Sol.
Serpente emplumada

Mais descansados e refrescados, seguimos a Calzada de los Muertos para visitar La Ciudadela, um complexo que acreditavam ser as residências dos governantes. O lugar é bonito, um quadrilátero com 15 pirâmides sendo que ao leste, está o Templo de Quetzalcóatl. Interessante que um dos governantes construiu uma outra pirâmide na frente dele para escondê-lo. Sua fachada é linda, adornada com várias esculturas da serpente emplumada. 


Templo de Quetzalcóatl

Apesar de todos os problemas, as ruínas de Teotihuacan são impressionantes e merecem uma visita. Se você está na cidade do México, pode ir até Teotihuacán com uma excursão organizada de 1 dia ou pegar um coletivo na Estação Terminal Autobuses del Norte, sala 8, para San Juan Teotihuacán/ Piramides por uns R$5,00. Pergunte pelo onibus que passa nas ruínas e não na cidade de San Juan. A viagem dura uns 45 min, sem trânsito. Para voltar, pegue o coletivo no mesmo ponto onde desceu, retornando à Central Autobuses del Norte, com acesso às linhas de metrô.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Nossa primeira pirâmide azteca


Saímos de Patzcuaro às 9h com destino a Tula de Allende, preparados pra 6h de estrada, como mostrava nosso GPS. O programa era visitar as ruínas de Tula e ficarmos na cidade, aproveitando pra lavar nossas roupas.
Mas apesar de ser recente, nosso mapa Garmin da América do Norte está bem desatualizado na parte do México. Acabamos pegando uma estrada que não estava no mapa, bem pedagiada como sempre, e levamos menos de 3h pra chegar. Decidimos visitar as ruínas antes do almoço e depois procurarmos onde comer e dormir. Enquanto passávamos pela cidade, já perdemos a vontade de ficar por lá, pois ela é horrível. Mas com certeza nas ruínas, um local turístico, teria algo melhor pra comer. Será?
Entramos nas ruínas pela porta Sul e passando no pequeno museu que tem no caminho, já demos de cara com um chac-mool super bem conservado, mas sem a cabeça. Chac-mool são pequenos altares de pedra, mais ou menos como uma mesa de centro, na forma de uma pessoa com a barriga pra cima. Sua função era aparentemente para receber oferendas, mas também pode ter sido usado para fazer sacrifícios animais e humanos.


Chac-mool esperando um coração

No museu também descobrimos que na verdade Tula foi a capital Tolteca. Portanto não é aztec. Os toltecas são antecessores dos aztecas e ainda hoje não se sabe ao certo sua origem.
A pirâmide de  Tula fica num ponto alto com uma linda vista pro vale. E a presença de oito atlantes de pedra em seu topo dá um ar super místico ao lugar. Enquanto estávamos lá vimos pessoas meditando ao seu redor.

Atlantes
Em sua base ainda tem algumas partes preservadas dos desenhos em estuque que originalmente a cobriam inteira. Em alguns pontos ele está melhor conservado e dá pra ver até alguns restos das cores originais.
Nosso guia recomendava visitar o museu próximo da entrada norte e então seguimos pra la, torcendo pra encontrarmos uma vilinha cheia de bares e restaurantes ou lanchonetes, só pra descobrir a roubada que foi entrar pelo lado sul. Mais de 1km de sol depois, conseguimos tomar uma lata de fanta laranja. Mas pelo menos esse museu valeu a pena. Pequeno mas bem organizado, com várias peças toltecas, todas com placas explicativas e um chac-mool ainda melhor conservado que o primeiro. Mas já era mais de 3h e a fome apertava. O açúcar da fanta laranja foi digerido em segundos e estávamos com fome.


Águia comendo coração, relevo comum na cultura tolteca.

Passamos novamente na cidade e ficamos com ainda menos vontade de comer por lá. Acabamos conseguindo comer numa conveniência Oxxo de posto de gasolina, que é onipresente no México. De lá decidimos seguir mais 1h até Teotihuacán, onde tínhamos uma indicação de camping. E foi ótimo porque o camping Teotihuacan Trailer Park é bem melhor que a média mexicana e a proprietária Doña Mina é super simpática e atenciosa.


Atlantes cuidando do vale

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