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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Lençóis Maranhenses

Já estamos naVenezuela, mas faltam alguns destinos para deixar o diário "em ordem". Vamos ver se conseguimos correr nessas atualizações....


Conhecido pelas famosas dunas de areias brancas e suas lagoas de água cristalina, os Lençóis Maranhenses são o destino certo para quem deseja conhecer uma paisagem única. A impressão é de estar andando em outro planeta ou na lua. Caminhadas com dunas muitas vezes na altura do joelho e sol implacável exigem boas pernas e muita disposição para quem deseja conhecer suas belezas. Claro, água, protetor solar, chapéu de abas largas e repelente contra mosquitos são também indispensáveis!


O Jumbo pequenininho na imensidão branca

As dunas represam a água da chuva, fazendo com que as lagoas não sejam perenes. Portanto, para conhecer a beleza dos Lençóis em sua totalidade, vá nos meses de cheia. Os moradores da vila nos disseram que os melhores são junho, julho e agosto, quando as lagoas estão bem cheias.
Lagoa da Gaivota

Nós fomos em dezembro e infelizmente vimos apenas a Lagoa da Gaivota com um pouco de água. Mas ter ficado na pequena cidade de Santo Amaro do Maranhão valeu a viagem. Geralmente os turistas preferem a cidade de Barreirinhas como ponto de apoio para conhecer a região. Não fomos até Barreirinhas mas todos nos disseram que lá se encontra a melhor infraestrutura, com hotéis e restaurantes mais bacaninhas. Mas optamos por ficar em Santo Amaro porque: primeiro, nossos amigos de São Luís nos disseram que seria uma experiência mais autêntica e única e segundo, para fazer os passeios pelas lagoas é bem mais perto, e com isso mais barato.
Santo Amaro do Maranhão - praça principal

Não nos arrependemos nem um pouco. Apesar do acesso complicadíssimo devido a “estrada” de dunas com travessias de rios (só carros 4X4 com snorkel) o que encontramos foi uma cidade localizada muito perto das principais atrações e um povo simpático, que vive feliz em completa simbiose com o Rio Alegre. E foi isso que mais nos marcou na pequena cidade de Santo Amaro, uma cidade tranqüila e com pessoas bastante amigáveis.


A areia do rio subiu na altura do  filtro!

Não existe rede de água encanada, portanto os moradores usam o rio para tomar banho, lavar roupa e brincar. Todo dia, mulheres e crianças tomam o rumo do rio. Enquanto as mães lavam a roupa, a criançada brinca. Depois todos tomam banho (os adultos de roupa, claro) e pronto! Hora de voltar para casa!
Que delícia! Brincadeira no rio!!

Não dê trela para quem disser que não existe onde ficar decentemente ou o que comer. Lógico, não existe nenhum restaurante gourmet por lá, mas existem lugares limpos e honestos para se alimentar. Para ficar, escolhemos a ótima Solar das Gaivotas, que tem vista panorâmica para o Rio Alegre, além de quartos com ar condicionado e chuveiro quente. Ótima para recarregar as energias após um dia de passeios!


Entardecer no Rio Alegre

A idéia inicial não era ir com o Jumbo para lá. Íamos deixá-lo no Sangue (um ponto na estrada antes do acesso de 34km por dunas) e pegar um transporte para Santo Amaro numa das Bandeirantes que fazem esse percurso diariamente. Mas quando chegamos em Sangue, ficamos sabendo que a próxima lotação iria demorar cinco horas para partir, e assim decidimos ir com nosso carro mesmo. Atolamos e resgatamos outros carros. Esse trecho é bem ingrato.  Conseguimos atravessar o rio sem o snorkel, mas foi por pouco! Para nossos amigos amantes de aventura off road, nosso tracklog desse trecho já está disponível.


Usando nosso guincho no resgate de um atolado.


Esse é um lugar que pretendemos voltar na época de cheia. Os Lençóis Maranhenses são um local mágico!
Caminhando pras nuvens... demais!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

São Luís

                Ponte José Sarney, Maternidade Marly Sarney, vila Sarney, Biblioteca José Sarney, Fórum José Sarney, Avenida José Sarney. Bem vindo a São Sarney, ops, São Luis, o condado da família Sarney.

José Sarney já decidiu que seu mausoléu será nesse prédio público, de frente para a Baia de São Marcos

                O poderio da família Sarney no estado do Maranhão e mais precisamente, na cidade de São Luis parece não ter fim. Hoje enquanto escrevo, já passamos por 17 estados brasileiros e onde vimos mais pobreza foi no estado do Maranhão.
                A capital São Luis está muito mal tratada. Como citado no início do texto, a família Sarney domina o cenário político, econômico e público. Com isso, o dinheiro reservado para melhorias (como asfalto, placas de trânsito,  prédios tombados, ajuda social entre outros) não é investido de forma correta. A briga política dentro desse estado é muito forte.

Descuido com os casarões
                Mas deixando a política de lado, vamos citar o que é possível fazer em São Luis. A Ponte José Sarney é a ligação dos bairros do litoral com o centro Histórico. Quando passar pela ponte, observe a maré. Quando chegamos a cidade, a maré estava super baixa. Até pensamos que tínhamos ido na época errada. Mas no final da tarde, a maré estava cheia. Descobrimos que a Baia de São Marcos (onde fica a cidade de São Luis) tem uma grande amplitude do mar, com quase 7 metros. Além de interferir na vida das pessoas – horário das embarcações e pesca- essa oscilação muda a paisagem, que ora fica seca e ora fica cheia.

Maré baixa
Maré alta


                







            No melhor ponto para se observar essa paisagem marítima, está o Palácio dos Leões, sede do Governo do estado. É um dos cartões postais da cidade e realmente, é o mais bonito e conservado prédio de São Luís.
Palácio dos Leões
                No Centro Histórico estão as famosas casas azulejadas. Recobertas com azulejos portugueses do lado de fora, as casas seriam mais charmosas se estivessem num estado de conservação melhor.


                Visite o Mercado da Praia Grande, também na área central. Além de inúmeros souvenirs, no interior do mercado várias lojinhas comercializam comidas e bebidas regionais. Destaque para o camarão seco (o Maranhão tem fartura de camarão), a tiquira (aguardente de mandioca) e peixes salgados.
                Saindo do roteiro do Centro Histórico, não deixe de passear pela avenida litorânea, recheada de quiosques a beira mar. A praia mais badalada é o Calhau, e além dos quiosques esse bairro tem restaurantes, hotéis e boa estrutura para turistas em volta da Lagoa da Jansen.
Lagoa da Jansen

                Outro local bem interessante fora do roteiro turístico, é o Bar do Léo. Escondido no bairro de Vinhais, esse boteco é tão atrativo por causa da coleção de CDs de seu dono. Com decoração peculiar, os pés das mesas são máquinas de costura antigas e nas paredes, uma porção de quinquilharias enfeitam o ambiente. Entre elas, um livro sobre Tambor de Roda, uma manifestação cultural maranhense que envolve dança e música mas que infelizmente não tivemos a oportunidade de ver. Não perca caso fique sabendo de alguma apresentação.
                Distante pouco mais de 20 km de São Luis, fica a praia da Raposa. A praia é um desbunde de linda. Basicamente, é uma praia de pescadores, onde a pesca é realizada na sua maioria através de currais. Mas a paisagem engloba ainda dunas que represam o mar quando este enche, criando piscinas quando ele vaza. Foi lá que compramos peixe fresquíssimo tirado do mar para fazer a famosa peixada. Se não tiver essa disposição, pode comer em algum restaurante rústico a beira da praia. Com certeza, o produto é fresco. Se quiser levar uma lembrancinha pode comprar renda de bilro no comércio local.

Como venta na Praia da Raposa! Essa foto é de Paulo Caruá

                Por falar em peixada, comemos muito bem em São Luís. A peixada é feita com pescada amarela que geralmente é cozida em com caldo de camarão e outros temperos e fica deliciosa! Acompanhada de farinha d’água então, de lamber os beiços! Recomendamos o restaurante Porto Seguro, de preços honestos (1/2 peixada serviu 3 pessoas e custou R$ 33,00). Fica no centro,perto do mercado de peixes, na Av. Vitorino Freire, 2.
Peixada escabeche com arroz de cuxá

                Mas de São Luís o que mais carregaremos para sempre com a gente são as pessoas. Os amigos que fizemos por lá, o Caruá, Geisa e sua família que nos adotaram e nos receberam em sua casa na noite de Natal. O maranhense é um povo carinhoso, acolhedor e simpático. Isso  Sarney nenhum tira!
Nossos amigos, Caruá e Geisa

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Chapada das Mesas - MA



                Fazia tempo que estávamos querendo conhecer a Chapada das Mesas. Não sei se por causa da distância ou por causa das lindas paisagens que víamos por fotos, esse destino tinha chamado nossa atenção. Localizada ao sul do Maranhão, essa chapada concentra inúmeras cachoeiras além de belas paisagens proporcionadas pelo morros que devido a erosão lembram mesas.
Finalmente, vimos as famosas mesas!

                Programa nessa região é que não falta. Além das cachoeiras, os amantes de 4x4 se deliciam em desafiantes trilhas por areais, os aventureiros podem fazer rapel e tirolesa (inclusive uma das maiores do Brasil, com 1200 metros de extensão), existem trekkings e começam a aparecer algumas trilhas de bike.
                A cidade principal é Carolina. Simpática e acolhedora, a cidade conta com casarões e mangueiras centenárias. Ficamos hospedados em um desses casarões. Com a história da família ilustrada nas paredes e recontada com orgulho pela quarta geração de moradores, a Pousada dos Candeeiros consegue satisfazer os viajantes. Tem wifi, um café na manhã no capricho, piscina, estacionamento, ar condicionado nos quartos e uma pequena cozinha onde hóspedes podem preparar pequenos lanches.

A charmosa Pousada dos Candeeiros, num casarão centenário

                Um aspecto que difere bastante da Chapada Diamantina é que todas as atrações são pagas. Aquelas que ficam dentro do Parque Nacional, custam R$ 5,00 e aquelas que ficam nos complexos localizados em áreas de amortecimento (assim chamado os locais em torno do PN), custam R$ 10 por pessoa. Costumam dizer que é uma taxa ambiental. Nós entendemos que é a entrada no local, já que os atrativos ficam em propriedade privada.

Apreciado no rio Tocantins, o pôr de sol é gratuito



Capelão
Caminho para o Santuário
                As cachoeiras mais famosas e mais visitadas ficam no complexo da Pedra Caída. São elas a do Santuário, a do Capelão e a da Caverna, todas elas de fácil acesso com passarelas e rampas. Eles também oferecem tirolesas (de 400, 600 e 1200 metros) e rapel. Tanto os esportes de aventura quanto as cachoeiras são pagos a parte. Se nada disso te interessa, é possível ficar curtindo o lugar nas suas piscinas naturais. A estrutura da Pedra Caída é muito boa, com restaurante, chalés e até heliponto. Para o próximo ano, o objetivo deles é crescer ainda mais. Estão construindo novos chalés, teleférico e outro heliponto.

Dodô
              


  No sentido de volta para Carolina, fica a Cachoeira do Dodô. O caminho é por areal e é interessante ter um carro alto e traçado. A queda é pequena, mas a cachoeira é linda e com ótimo banho.



               



Encanto Azul
No município de Riachão, a 130 km de Carolina, fica o complexo Santa Bárbara. Nele, você poderá conhecer a Cachoeira Santa Bárbara, uma linda queda dágua de 75 metros de altura e conhecer o Poço Azul, de águas cristalinas. A 7 km de muita areia dali (recomendamos fazer de 4x4) está o Encanto Azul, um poço formado por nascentes de águas transparentes e mornas. Leve óculos de mergulho para melhor apreciar os peixinhos.

                


A 33 km de Carolina, ficam as Cachoeiras de Itapecuru. Também conhecidas como gêmeas, ficam num organizado complexo turístico com bar, restaurante, playground e chalés para quem quiser estender sua visita. Rampas facilitam o acesso a idosos ou cadeirantes. Se quiser um pouco de paz, prefira dias de semana, quando é menos lotada de gente.

São bem parecidas mesmo!

                Se você quer viver uma aventura 4x4, visite as cachoeiras de São Romão e da Prata, dentro da área do Parque Nacional. As cachoeiras são pretexto para percorrer cerca de 120 km de muita areia e pedra. No percurso, passamos no meio de um vale do cerrado e ficamos cercados por várias formações interessantes, uma delas a do Dedo.  O ideal é não ir sozinho. Contrate um guia ou vá com mais carros acompanhando pois não existem placas e são muitas as trilhas. Como sempre, guardamos o tracklog pra você.

Cachoeira da Prata

                Não perca o Portal da Chapada, localizado às margens da MA230. É possível fazê-lo sozinho e sem pagar nada. Tem uma subida íngreme com muita areia e dependendo do estado dela dá pra fazer parte do percurso de 4x4. Quando ele parar, você continua a pé, chegando a uma pedra furada na forma do mapa do Tocantins de cabeça pra baixo. De lá, pode-se avistar várias mesas (inclusive o Morrão) e ter uma idéia da imensidão desse lugar. É o lugar ideal para contemplar a Chapada das Mesas.
Lindo esse mirante. Não perca!

                Existem muitas outras atrações que infelizmente, não pudemos fazer por falta de tempo e por causa do clima. E olhem que ficamos 5 dias por lá! Se você gosta de natureza, não perca esse destino! A Chapada das Mesas vale muito a pena!

Dicas:
-  a melhor época para se visitar a região é de julho a setembro, época sem chuvas e céu azul. Fomos em dezembro e pegamos muita chuva e tempo fechado;
- as principais formações são o Morro do Chapéu (365 metros), o Morro do Dedo e o Portal da Chapada
- existem várias agências que levam o turista até as atrações. Mas caso esteja de carro, é possível fazer quase tudo sozinho, pois praticamente todas as cachoeiras ficam em propriedades particulares, com boa estrutura.
- ir de 4x4 não é imprescindível mas dá maior autonomia
- leve sempre o trio chapéu, repelente e protetor solar
- dependendo do volume de água, é possível ficar atrás da queda da cachoeira de São Romão. Para nós, foi uma experiência fantástica!
Essa foto foi antes da gente se enfiar na parte de trás da cachoeira! Impactante essa de S. Romão

- Carolina carece de bons restaurantes. Mas foi lá que conhecemos o bacuri, uma fruta típica da região. Tomamos muito suco e sorvete dela, o sabor é marcante e adocicado. Era época de bacuri, as estradas de areia estavam tomadas por frutos, que muitas vezes, ninguém coletava. Ficamos apaixonados por essa fruta tão gostosa e recomendamos que você também a experimente.
Bacuri, boa como sorvete, suco, mousses e até pura.

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