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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Cabras e trânsito na capital da Guatemala


Capitais sempre são um problema para viajantes com carro. Grandes, barulhentas, super populosas e com um trânsito maluco, a melhor saída é evitá-las a qualquer custo. Fomos para a Ciudad do México sem o carro e apesar de termos virado sardinhas nos metrôs supercheios, não havia a preocupação com trânsito.
O ônibus está exatamente onde a placa não indica
Mas não pudemos evitar a Cidade da Guatemala. O Mauro precisava ir ao dermatologista e precisávamos trocar a pastilha de freio do Jumbo e achamos que a capital seria o melhor lugar para realizar essas duas coisas. Até foi, passamos no médico, compramos o remédio e trocamos as pastilhas do carro. Mas a cidade é um inferno!
O trânsito é muito louco, o pior por onde passamos até agora. Pior que SP? Sim, muito pior. Não existem placas, o sentido das ruas trocam de lado de uma hora para outra e fazem uma divisão de pista com muro de concreto em muitas vias, impossibilitando a mudança de faixa, te levando pra onde você não quer ir. Para piorar, os guatemaltecos dirigem muito devagar, quando andam a 30 km/h eles brecam, pois está muito rápido.

Cuidando do jumbo
Se a Cidade da Guatemala conquistou o posto do pior trânsito, ela também conquistou o primeiro lugar em “acontecimentos bizarros”da viagem. Enquanto estávamos parados no trânsito do centro da cidade, um pastor levava suas cinco cabras para pastarem pela calçada. O mais engraçado: vimos as cabras pastando pelo centro os dois dias que ficamos ali. Algo totalmente impensável! Mas valeu como despedida divertida de um dos melhores destinos da América Central, principalmente por causa do seu povo acolhedor.


Repare na cara da menina vendo as cabras comendo folhinhas


Procedimentos para saída da Guatemala:
Passamos a fronteira chamada Floridos de Guatemala para Honduras. Essa fronteira fica perto de Copan Ruinas, nosso primeiro destino em Honduras. Contra todos os prognósticos, foi uma das fronteiras mais tranquilas até o momento.
Pessoas: dar baixa no passaporte
Carro: cancelar a importação temporária do veículo na aduana.
Chegando na fronteira, estacione o carro do lado direito da estrada e atravesse a estrada para realizar esses dois tramites. A imigração e a aduana ficam uma ao lado da outra. O processo foi sem custo.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Antigua

Antigua com o Vulcão Água ao fundo


Declarada Patrimônio Mundial Cultural e Natural da Unesco, Antigua  tem uma história trepidante. Chacoalhada por diversos terremotos, a antiga capital da Guatemala sobreviveu e apesar de ter cedido o posto político para Ciudad da Guatemala, hoje é um destino agradabilíssimo. Rodeada por vulcões, La Antigua Guatemala é uma daquelas cidades coloniais que enchem os olhos dos visitantes: casinhas coloridas, igrejas e uma grande praça central que concentra o lazer dos habitantes e turistas.

Casinhas coloridas em Antigua


Arco de Santa Catalina
Muitos estrangeiros - muitos mesmo- procuram Antigua para fazer curso de espanhol. Não é nosso caso que estamos fazendo nosso intensivão nas ruas, puxando muito lero com os locais, errando muito e aprendendo mais ainda. Principalmente porque o espanhol americano é tão diferente de um país para outro que causa muitos enganos da nossa parte.
Um exemplo: bolo no México é torta. Na Guatemala, é pastel. Complicadíssimo principalmente se você está atrás de um para comemorar um ano de estrada e chega numa loja, na maior propriedade perguntando se eles tem tortas para cumpleaños e a moça vira e pergunta "que?". Socorro!
Tecidos guatelmatecos
Mas voltando a Antigua, ela é linda e principalmente, vibrante. Muito por causa de seu povo pois os guatemaltecos são um poço de simpatia. O que estávamos esperando do México, encontramos aqui!
Além disso, conta com um forte comércio de rua onde várias mestiças, vestidas e enfeitadas com suas roupas tradicionais, se espalham pelas principais ruas tentando vender seus produtos - lindos, por sinal.
As mulheres carregam os bebês nesses carregadores


O ponto forte fica por conta dos tecidos, alegres e com padrões interessantes. Impossível não se encantar com essas verdadeiras obras de arte! Se quiser fazer suas comprinhas em um lugar fechado, o Mercado de Artesanias faz as honras. Aproveite para decorar sua casa com as ricas cores da Guatemala, os preços são bons.
O Parque Central é a praça principal da cidade e o ponto de referência. Vale a pena parar alguns minutos para apenas observar a vida das pessoas.  Também na praça, acontecem os grandes eventos culturais. No fim de semana que ficamos houve um show de balé, apresentação de marimba e soltura de balões. Diferente do Brasil, onde soltar balão é crime, no céu da Guatemala eles passeiam livres, leves e soltos. Para gente, isso foi uma grande surpresa.

Acendendo os balões
Impensável no Brasil





O onipresente Água

Perto da cidade, numa colina fica o Cerro de La Cruz, com uma visão panorâmica da região. Não visitamos por causa da falta de segurança pois todos dizem ser frequentes os assaltos aos turistas que se aventuram a fazer esse caminho a pé. Hum, vamos dizer que também ficamos com preguiça de subir a tal colina e preferimos flanar pela cidade mesmo.

Os tres vulcões que circundam a cidade são o Água, Acatenango e Pacaya. Existem passeios que levam ao topo deles os mais animados e preparados. Novamente, não foi nosso caso que da cidade mesmo conseguiamos avista-los sempre que as nuvens deixavam.
Drinks a base de chocolate
Um local bem interessante para se visitar é o Choco Museo, um museu comercial bem organizado com a história do cacau e do chocolate desde os maias até a atualidade. No local, eles organizam pequenas oficinas para confecção do seu chocolate, desde a moagem dos grãos até a degustação. No local ainda funciona um pequeno bar com bebidas a base de chocolate.
Máscaras de madeira
Foi em Antigua que levamos um chacoalhão e não por causa de erupções. Visitamos despretensiosamente o Centro Cultural de España en Guatemala. Vimos uma mostra de ilustrações de Dali feitas para comemorar os 700 anos da "A Divina Comédia" de Dante Alighieri, mas que nunca acabaram sendo impressas.
Mas o choque veio com a exposição fotográfica de Rodrigo Abd, um fotógrafo argentino que retrata a realidade dura da Guatemala. O lado B de um país que está em guerra interna. As imagens são impactantes, como o artista realizou tais retratos? Algumas das imagens que mais marcaram foram a exumação das vítimas da guerra civil e o garimpo que fazem no esgoto da capital, centenas de pessoas garimpando as águas podres em busca de metal. Vik Muniz fez o lixo virar pop. Esse artista transformou o lixo em miséria. Foi um soco no estômago. Mas um soco bom.




Exumação da Guerra Civil Guatemalteca/ Foto de Rodrigo Abd (veja link acima)




quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Tikal, grande atração da Guatemala

Ruínas perdidas no meio da selva
Chegando em mais uma fronteira, já ficamos apreensivos.
Desnecessariamente, pois entrar na Guatemala vindo de Belize foi tranquilo. Acabou demorando muito tempo (duas horas) porque o sistema da Guatemala caiu e precisamos ficar esperando até ele voltar a funcionar.
Enquanto espera, aproveite para visitar o quiosque de informações turísticas. Eles sempre tem mapas para dar. Aproveite e pegue o mapa do parque de Tikal, distribuido gratuitamente nesse local - digo isso porque tentaram nos vender o mesmo mapa na entrada de Tikal e sem mapa, sua visita as ruínas fica complicada.

Portal de Flores
 Passada a fronteira, seguimos para Flores, uma simpática cidade localizada numa ilha do lago Petén Itzá. Almoçamos mas resolvemos seguir em direção a Tikal seguindo as dicas de vários viajantes: chegar a tardezinha (a partir das 16 horas) e acampar para aproveitar melhor o tempo. E assim fizemos.

As ruínas são caras, cerca de R$ 40 por pessoa. Depois de pagar pelas entradas para o dia seguinte, nos disseram que poderíamos assistir ao por do sol nas ruínas naquele mesmo dia. Infelizmente, perdemos o por do sol mas fomos dar uma caminhada mesmo assim para aproveitar o tempo. E vou te contar: nessa latitude, o cair da noite é na verdade um despencar. Não curtimos ficar no meio da selva no escuro e voltamos rapidinho para o camping.
Templo I de Tikal
Acampamos no Hotel Jaguar Inn que também tem um restaurante e uma internet sofrível mediante pagamento. Apesar de estar sob influência do clima tropical úmido, conseguimos ter uma noite tranquila no meio da selva, embalados pelos barulhos dos animais e pelo breu da noite.
A visita as ruínas veio logo no dia seguinte. Algunas pessoas acordam de madrugada para ver o sol nascer do alto das pirâmides mas não foi nosso caso. Ainda bem, pois o dia estava nublado e até choveu em alguns momentos durante o passeio.
Máscara em Tikal
Tikal não tem nada a ver com as outras pirâmides pré-colombianas. Localizada no meio da floresta tropical úmida, seus caminhos são verdadeiras trilhas, muitas vezes íngremes e muito escorregadias. A experiência de estar no meio da floresta e dar de cara com essas gigantes construções é de estar fazendo parte de um segredo bem escondido. Mas para que o seu passeio só tenha boas recordações é bom tomar alguns cuidados. Um deles é usar um calçado que não escorregue. Outro, passar repelente, o mais poderoso que você tem, aquele que você estava guardando para usar nos lugares longíncuos da América Central. Chegou a hora, não economize pois os mosquitos são implacáveis. Leve água. As distâncias são enormes, você sua feito um condenado, o desgaste físico aumenta por causa dessa umidade louca. E tenha um bom mapa ou contrate um guia. O sítio arqueológico é grande e você pode se perder.
Seguindo essas regrinhas, não deixe de conhecer:
- El Mundo Perdido: um complexo de 38 estruturas que rodeiam uma grande pirâmide de 32 metros de altura. Não apenas pelas construções, o lugar é interessante pelo seu astral, a energia lembrou Palenque.
A selva toma conta das ruínas
- Sete Templos: são pequenos templos, um ao lado do outro, com outras estruturas maiores a sua volta. Pode subir nos templos.
- Grande Praça: as principais atrações são as pirâmides I e II, localizadas uma de frente para outra. O templo I é conhecido como o templo do Grande Jaguar. Ao lado esquerdo do templo I está a Acrópolis do Norte, que apesar de não ser tão impressionante quanto as duas pirâmides, possui grande valor histórico por terem estruturas que evidenciam uma ocupação anterior a 400 AC. Essas estruturas foram reutilizadas pelos maias. Existem duas grandes máscaras esculpidas por esses povos antigos, uma delas extremamente bem preservada.
- Templo IV: subindo pelos degraus de madeira que levam quase ao topo da mais alta construção de Tikal (64 metros) tem-se a melhor panorâmica do sítio e de sua localização no meio da selva. Algumas outras construções apontando por cima das árvores trazem novamente a sensação de estar em um mundo perdido. Imperdível!

Macacos bem barulhentos
Existem outros templos espalhados pelo sítio arqueológico, altos, imponentes e misteriosos. Durante sua exploração, você vai escutar um som muito estranho vindo da mata. Muito alto, parece um tigre com fome. As primeiras vezes que você escuta, é inevitável procurar da onde vem esse barulho e até ficar meio preocupado. Acalme-se, não é nenhum monstro. São os macacos fazendo bagunça pela mata. Fique atento, dê uma olhadinha de vez em quando para o topo das árvores e você pode ver um, observando seus passos.

Procedimentos para entrar na Guatemala

Além de macacos, o esquisito peru selvagem.
Pessoas: apenas o passaporte válido; o visto que nos deram foi de 90 dias, válido para os 4 países (Guatemala, El Salvador, Honduras e Nicarágua)

Veículo: obrigatoriamente, voce irá passar pela area de fumigação. Após ter o carro fumigado, pagará numa casinha ao lado direiro Q $ 18. Feche os vidros pois a tal fumigação é feita com os passageiros dentro do veículo.
Com o recibo da fumigação em mãos, siga para a imigração do lado esquerdo da rodovia.
Após realizar sua entrada, vá ao guichê ao lado fazer a importação temporária do carro. Os documentos que você terá que apresentar(originais e cópias) são os seguintes: documento do carro, CNH, fumigação e passaporte com o visto de entrada. Após pagar a taxa de Q$ 160, o funcionário da alfândega irá até o seu carro e colará um adesivo no vidro. Pronto, seu carro já pode circular pela Guatemala legalmente.

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