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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Olinda

                O centro histórico de Olinda nos lembrou bastante o Pelourinho: ladeiras, casinhas coloridas, lojinhas de artesanato e igrejas, muitas igrejas. Assim como a Cidade Alta de Salvador, é reduto de artistas, pintores, músicos e boêmios. E assim como o Pelo, Olinda é lotada de guias, ou pessoas que se fazem passar por guias. Caso prefira alguém te guiando na hora de conhecer o centro histórico, tome o cuidado dele ser cadastrado junto a prefeitura. Não pense que por usar roupas iguais eles são regularizados não. Se eu fosse contratar guia, pegaria um perto do mirante, esses sim ligados ao turismo da cidade.
                No nosso caso, costumamos pesquisar com antecedência sobre o local que vamos visitar e na hora, preferimos fazer as atrações sozinhos, descobrindo os lugares por conta própria. Mas mesmo assim, gostamos de ter um mapa local e pegar algumas informações básicas com alguém. Por isso, procuramos Centros de Informação ao Turista oficiais, que geralmente tem disponível mapas e outros materiais da região além de ter pessoas capacitadas para atender o público. Foi assim em Salvador e fomos super bem atendidos. Em Olinda são dois os postos de atendimento ao turista: um se localiza na Praça do Carmo, logo na entrada do Centro Histórico, onde vários “guias”te impedem a qualquer custo de chegar próximo ao prédio e outro na esquina da Ladeira da Misericórdia com a Prudente de Morais, perto da famosa rua do Amparo (S8°00,881’ W34°51,169’), com bem menos assédio.
                Olinda é bastante conhecida também pelo seu carnaval. Os bonecões de Olinda são famosíssimos. Para vê-los fora de temporada, visite a Casa dos Bonecos Gigantes do Alto da Sé, que tem um museu onde estão expostos os bonecos usados nos dias de folia. O ingresso custa R$4,00 por pessoa.
                Não perca o recém inaugurado mirante, numa antiga caixa d’água, com subida ainda gratuita por elevador. De lá, a mais bela e completa vista de Olinda: de um lado o farol, de outro a Igreja da Sé, tudo enfeitado pelo belo mar pernambucano. No térreo, do lado de fora do elevador, um banheiro público excelente e também gratuito.
                Programe-se para conhecer as igrejas na parte da manhã, pois todas fecham na hora do almoço e algumas não reabrem mais. À tarde você pode bater perna no centrinho, visitando as lojinhas e bancas de artesanato e procurando algum atelier aberto – eles abrem de acordo com a boa vontade dos artistas.
                Recheada de lojinhas que vendem de tudo, de produtos seriados a obras exclusivas, Olinda é uma maravilha para quem adora uma feirinha de artesanato. São camisetas, chaveiros, quadros, redes, xilogravuras, chapéus entre outros produtos, vendidos na rua ou em lojas super charmosas.
                Também no período da tarde, as tapioqueiras comandam a gulodice dos turistas, fazendo tapiocas de tudo que é sabor. Não invente muito e prove a tradicional de côco com queijo (coalho, é claro!). E, se tiver pique, fique pro happy-hour no tradicional e animado Bar do Véio.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Recife

                Em Recife, ficamos na casa de amigos, que além de nos receberem de braços abertos, saíram para passear conosco. Aproveitamos o clima acolhedor e tiramos alguns dias de descanso, repondo as energias num lugar com pessoas próximas. Portanto, demos uma relaxada e descansamos à beça. 
                Recife é peculiar. A começar pela sua geografia. Desenhada pelos rios Capibaribe e Beberibe, a capital de Pernambuco é formada por várias ilhas, além da parte continental, tudo ligado por muitas pontes. De cada canto da cidade, uma paisagem diferente. Com mais de 1 milhão de habitantes e ruas estreitas, é uma verdadeira epopéia cruzar suas avenidas. Interessante que não foi somente em horários de ‘rush’, pegamos trânsito em Recife em todas as horas do dia, e achamos os recifenses mais agressivos ao volante do que estamos acostumados. Mas nada que um pouquinho de paciência e um carro bem grande não resolvam.
                Esse horário de ‘rush’ permanente não acontece apenas nas ruas. À procura de um cafezinho no frescor de um ar condicionado, fomos ao Shopping Center Recife numa segunda feira, três da tarde e nos deparamos com uma verdadeira multidão, digna de um dia de sábado nos shoppings de São Paulo. Perguntamos aos locais e eles confirmaram que os shoppings estão sempre lotados. Mas não souberam explicar o motivo.
                O centro histórico fica no Recife Antigo. São inúmeros casarões que contam a história da cidade, mas que infelizmente têm muito da sua beleza encoberta pela sujeira e descuido de anos. Existem projetos de revitalização do Recife Antigo, mas ainda não engataram. Portanto, contente-se em conhecer o antigo prédio da Alfândega transformado em shopping. Que por sinal é muito bonito: Internamente, os arcos de um antigo convento (antes de ser Alfândega, o prédio pertencia à Igreja) estão expostos, trazendo muita harmonia ao projeto de restauração. E no piso, alguns mosaicos com desenhos de Cordel inspirados na obra de Ariano Suassuna. Ali pertinho, o Marco Zero, um obelisco bem moderno de Francisco Brennand, contrasta com os prédios antigos.

                Por falar em Francisco Brennand, não perca a Oficina de Cerâmica Francisco Brennand. Apesar de distar  20 km do centro, vale a pena conhecer o acervo desse grande escultor brasileiro. Francisco Brennand é pernambucano e fez de uma antiga olaria, sua oficina onde modelou muitas esculturas que representam o homem na sua complexidade, o sexo como grande força geradora, a natureza de forma simbólica e personagens mitológicos. Ele compôs com a cerâmica um conjunto arquitetônico monumental! Um verdadeiro museu a céu aberto! Achamos impressionante também a imensa quantidade de obras criadas pelo artista, muitas de grandes proporções. Os jardins projetados por Burle Marx tornam o ambiente ainda mais agradável. Programa imperdível!
                No Mercado de São José é possível encontrar de tudo um pouco: desde pequenas cerâmicas a artigos para candomblé ao delicioso bolo-de-rolo, iguaria da cozinha pernambucana. No seu entorno se concentra um fortíssimo comércio popular. Por isso, evite ir de carro, pois tem poucas vagas de estacionamento e algumas ruas são tomadas pelos pedestres. Lembra um pouco a 25 de março paulistana.
                A praia mais bonita e o bairro bacana de Recife é a de Boa Viagem. Lá o mar clarinho deixa pouco espaço para os banhistas que são alertados por placas de aviso dos pontos com alta incidência de ataques de tubarão, recomendando-os a não entrar no mar. Mas já que não dá para nadar, é possível caminhar, correr e até andar de bicicleta na ciclovia que acompanha a praia. Ou ficar lagarteando num dos muitos quiosques de praia. Para quem gosta, uma feirinha de artesanato com muitas barraquinhas se localiza no começo da praia e funciona de quinta a domingo, no fim da tarde.

                Ao norte de Recife, em Itamaracá, visitamos o Projeto Peixe Boi. Nesse espaço, alguns tanques preservam vários espécimes fêmeas, machos e até filhotinhos. O Peixe Boi é um bicho muito grande! O mais pesado dos animais do projeto é uma fêmea que pesa 660 kg! Apesar de gigantesco, o peixe boi é um animal inofensivo. Por ser presa fácil e ter muita gordura em seu corpanzil, está na lista de animais brasileiros em risco de extinção. Ainda é possível assistir a um vídeo explicando mais sobre os mamíferos aquáticos e nessa, descobrimos que as baleias orcas e cachalotes na verdade não são baleias, são golfinhos!!! Vivendo e aprendendo...

Programe seu passeio!
Oficina de Cerâmica Francisco Brennand
Horário de funcionamento: de 2 ª a 5ª feira: das 8 `as 17 horas/ 6ª feira, das 8 `as 16
Sábados, domingos e feriados: fechado
End: Propriedade Cosme e Damião s/n, Várzea.
Entrada: R$ 10,00 (estudantes e professores pagam meia)

Mercado de S. José
Horário de funcionamento: 2ª à sábado: das 6 as 17:30/dom: das 6 as 12 horas
End: Praça D. Vital
Gratuito

Projeto Peixe-Boi
Horário de funcionamento: 3ª a domingo, das 10 as 16 horas.
End: Final da estrada do Forte, Itamaracá
Entrada: R$10,00 (estudantes e professores pagam meia)

domingo, 4 de dezembro de 2011

Litoral Sul de Pernambuco

                Saímos de Alagoas achando que seria difícil igualar a beleza de seu litoral, as praias de areia branquíssima ladeadas por coqueirais. Entramos em Pernambuco com poucas expectativas, afinal Recife não é famosa por suas praias e Porto de Galinhas não parecia tudo isso. Logo descobrimos que estávamos enganados.

          Nossa primeira parada em Pernambuco foi logo na Praia dos Carneiros, em Tamandaré. Menos badalada que sua vizinha Porto de Galinhas, é a praia mais linda de Pernambuco. Não se deixe enganar pelo jeitão de balneário da cidade. A beleza da praia é irretocável, com a areia branquinha, mar verdinho, coqueiros e uma simpática igreja que também tem vista pro mar. Um sonho!
                Os melhores pontos da praia estão em propriedade particular, o que dificulta o acesso. Se quiser, pode ficar em uma das barracas desse trecho. O preço não é muito amigo. Na Bora Bora cobram R$50,00 de taxa de estacionamento convertidos em consumação. Além do preço, não tem como saber se o que a barraca oferece agrada pois os carros são parados já na entrada da propriedade. Dessa forma, decidimos encontrar um acesso público e o encontramos próximo à igrejinha que fica de frente prá praia. A estrutura nesse ponto é mediana, com alguns mini-quiosques que servem porções simples em mesinhas pé na areia. Comemos um peixe frito maravilhoso a um preço mega honesto (R$25,00), mas lá não tinha banheiro. Pela praia, caminhando, é possível chegar a outros pontos, inclusive onde existe um rio que desemboca no mar e deixa a paisagem ainda mais bela.

Porto de Galinhas

                 A próxima parada seguindo para o norte foi em Porto de Galinhas. Famosíssima mais por causa dos resorts de luxo e da proximidade com Recife (81km) que pela beleza das praias, ela é muito procurada por turistas. Mas por outro lado, Porto de Galinhas tem uma estrutura bacana, com várias opções de hospedagem além de um centrinho cheio de lojas, restaurantes, sorveterias, tapiocarias, artesanato entre outros tipos de comércio que turista adora.
                As galinhas aparecem em todo canto, nas camisetas, bordados, móbiles, chaveiros, canetas. Também ficam espalhadas pela cidade na forma de esculturas esculpidas em caules de coqueiro. Mas o nome Porto de Galinhas aparentemente nada tem a ver com as penosas. Contam que antigamente, quando o tráfico negreiro foi proibido, esse porto continuava a receber escravos clandestinamente. E para avisar que havia negros escravos nos navios, o povo gritava “Nesse aqui tem galinha”.

                Além do centrinho e da praia, Porto tem passeios de jangada para recifes próximos para ver peixinhos com snorkel e máscara de mergulho. Por ficar próximo de Recife, fica bem mais cheia nos finais de semana quando os recifenses aproveitam a estrada duplicada para passar o dia em Porto de Galinhas.


Daqui, vamos direto pra Recife.
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