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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

No fundo do mar..



Foto cortesia Jamie/ BYCD
Foi em Honduras que fizemos nosso curso de mergulho, Open Water Diver. Isso significa que estamos certificados para realizar mergulho com cilindro até 18 metros de profundidade.
Há muito tempo atrás, pensamos em fazer esse curso em Santos, mas desistimos depois de nos informar sobre os preços. Se você também quer fazer esse curso e terá a oportunidade de ir para Honduras, espere e faça lá. Você não vai se arrepender.
Escolhemos a ilha de Utila para fazer o curso. Utila é uma das Ilhas da Baia, ou Bay Islands como são mais conhecidas. É uma ilha pequena no caribe, com águas muito claras e calmas e muita fauna marinha. Famosa por ter como principal visitante o tubarão baleia, tem vários pontos para mergulhar. É um paraíso para mergulhadores!

Mas ficamos decepcionados com a ilha em si. Esperávamos que fosse algo parecido com Caye Caulker, em Belize mas não teve nada a ver. Tem poucas opções de restaurante, todos oferecendo muito frango ao invés de deliciosos peixes e frutos do mar e a ilha tem um trânsito meio amalucado de motos dirigidas por locais numas ruas muito estreitas. Para piorar, choveu muito a semana que passamos lá e estava com uma quantidade astronômica de mosquitos e sand flies (tipo de um pólvora com mais apetite). Ou seja, a primeira recomendação é: leve e passe muito repelente, principalmente ao entardecer.
Por do sol em Utila
Mas Utila cumpriu com louvor seu objetivo que era o curso de mergulho em si. A ilha tem uma infinidade de escolas de mergulho. Todas as que visitamos eram certificadas pelo PADI. Elas oferecem praticamente o mesmo pelo mesmo preço.  Vou explicar detalhadamente o que está incluído porque nós tínhamos dúvidas nas pesquisas que fizemos na internet. O “pacote”consiste em:

Primeiras aulas em espaço confinado: piscina ou mar raso
- curso teórico, com vídeos, exercícios, provinhas escritas.
- parte prática: dois mergulhos em piscina ou espaço confinado no mar onde você vai realizar as habilidades ensinadas no vídeo. Tirar e colocar a máscara, flutuar, simular falta de ar são algumas habilidades que você terá que aprender.
- quatro mergulhos em mar aberto, dois até 12 metros e dois até 18 metros onde além de ver peixes, você terá que repetir todas as habilidades ensinadas e praticadas no confinamento.
- dois mergulhos para se divertir (fun dive), sem realizar skills, apenas aproveitando as belezas do mar
- quatro noites de hospedagem. As hospedagens variam um pouco. Nós ficamos num apartamento com ventilador, banho quente e cozinha na própria escola. Recomendamos pois com chuva, é horrível ter que se deslocar para ir para escola de manhã cedo, principalmente tendo que se encontrar as 7 da manhã durante os quatro dias...
- o material (que pode ser impresso ou digital), um caderninho para anotar as informações sobre seus mergulhos, uma camiseta e a carteirinha que será enviada para sua casa.
- todo o equipamento está incluído: máscara, snorkel, bcd (colete responsável pela flutuação onde todo o equipamento é preso), reguladores, tanques de oxigênio, cinto com pesos, nadadeiras e roupa de neoprene.
Aulas de habilidades, chatas, mas super importantes.
Vou ser sincera: a primeira parte do curso, teoria: assistir a uns vídeos e algumas provas escritas, é muito chata. Fazer as habilidades (skills) é chato também pois você tem que nadar sem máscara e fazer outras coisas muito desconfortáveis várias vezes. E o curso será todo em inglês, é importante ter um conhecimento da língua.
Mas mergulhar é uma das experiências mais intensas que você pode fazer na sua vida. Os movimentos parecem os de um astronauta, lentos. A gravidade muda, você pode mergulhar de ponta cabeça, de barriga prá baixo, não importa! A velocidade do som é mais rápida.
Mergulhar é entrar num outro mundo, cheio de animais e plantas esquisitos e diferentes. É participar de algo que continua sendo um mistério para quem vê o mar na superfície. Tudo muda depois de colocada uma máscara no rosto.
Para nós, tudo mudou apenas com um óculos de natação mesmo, o “equipamento “que usamos na Venezuela para ver peixes em Morrocoy. Em Belize, já estávamos mais equipados, com máscara e snorkel, até um pé de pato meio mequetrefe. Dai para o mergulho com cilindro foi um pulo.
Tem riscos? Claro, um monte! Por isso a parte chata é tão importante. Você tem que aprender como resolver pequenos problemas dentro da água, como pedir ajuda e como ajudar os outros. Mas é um esporte seguro. O mais importante é respirar sempre já que o maior risco são com os pulmões.

Eu tive várias nóias do tipo: 18 metros de mar sobre meu corpo equivalem a mais de duas atmosferas me esmagando; esse ambiente não é o natural para seres humanos afinal de contas, não somos peixes; tive vários problemas para tirar água de dentro da minha máscara. Vários mesmo, que aqui entra a dica mais importante desse post, principalmente para gente preocupada como eu.
A escola que você escolhe deve ser muito boa. Como disse no começo, fomos a algumas escolas antes de optar pela Bay Island College of Diving. Foi uma das melhores escolhas da nossa viagem.
O equipamento deles havia sido trocado há poucos meses e estava super novo, as instalações são boas e os barcos são ótimos, com motor potente e muito espaço.

Mas o melhor são os profissionais. Todos foram demais com a gente. Caso nosso tanque estivesse com problema, davam na hora outro tanque para você. O tamanho da roupa está pequeno, temos outras, pode trocar. O respirador não está funcionando bem, troca. A mensagem é: estamos preocupados com você e temos estrutura para te deixar sempre seguro.
Heather, Jamie e Marina
O destaque fica por conta da nossa instrutora Heather. Estadunidense, jovem e muito, muito eficaz ela era confiante e me deixou muito tranquila. Precisei ter uma aula extra na piscina por causa da máscara e de algumas outras habilidades e lá estava ela, pronta para revisar, mesmo depois de dois mergulhos... Recomendo ardorosamente seu trabalho. Faria novamente o curso nessa escola sem nenhuma dúvida.
Mergulhar é mágico. A primeira vez que mergulhei, só pensava “o que estou fazendo aqui?”. Mas assim que começamos a passear e ver todos aqueles animais, mudei. Só pensava “Por que demorei tanto tempo para fazer isso?”

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O Paraíso é aqui !

Depois de atravessar a fronteira, seguimos para Belize City, onde encontramos um estacionamento seguro próximo ao terminal de embarque para as Cayes. As Cayes - pronuncia-se key, como chave em inglês - são pequenas ilhotas que se localizam antes das barreiras de corais. As duas mais famosas do litoral norte de Belize são a Caye Caulker e a Caye Ambergis (ou San Pedro).
Pegamos o táxi aquático para Caye Caulker sem saber o que encontrar. Assim que descemos do barco pensamos: o paraíso é aqui!
Mar, lindo mar!
Além das belezas naturais de sua costa, a Caye Caulker é um lugar muito tranquilo, a paz impera pelas ruas dessa pequena ilha.
Uma ilha que já foi bem maior até pouco tempo atrás, quando o furacão Hattie resolveu cortar a ilha quase pela metade. Hoje, nesse lugar chamado " The split", o bar Lazy Lizard serve de apoio para inúmeros turistas que desejam assistir o por do sol. Mas se você conseguir acordar bem cedinho pega o nascer do sol no mesmo local. Muito louco isso!


Barzinho no Split
A ilha é pequena, tem três ruas de largura. Não tem carro, se quiser pode pegar um táxi num dos muitos carrinhos de golfe que prestam esse serviço ou alugar uma bicicleta. Nós ficamos no chinelo mesmo e caminhando bastante pela ilha talvez fique cansado. Nada que um coqueiro não resolva.

Casa em Caye Caulker
Logo que chegamos encontramos uma hospedagem que tinha uma promoção pague 2 leve 3 e no final das contas, acabamos ficando 5 dias em Caulker. Cinco dias muito tranquilos.
Os passeios não ficam apenas por conta de mergulhos que sim, te levam até o Blue Hole. A grande atração é fazer snorkel. Para tanto, você precisa contratar um tour, o snorkel perto da costa não é tão bonito e pode ser perigoso - placas avisam sobre o perigo de ser atropelado por lanchas.
Nós resolvemos fazer um passeio de dia inteiro, das 10:30 as 15:30. Valeu muito a pena porque nosso guia, Sean, nos levou até o Hol Chan Marine Park, o Shark Ray Alley e o Coral Gardens. Nesses lugares pudemos ver muitos peixes. Muitos mesmo! Além dos peixinhos pequenos e coloridos que ficam em volta dos corais, nadamos com cardumes de Jack, um peixe curioso que sempre está por perto.


Snorkeling

Mas o ápice do snorkel está em nadar com arraias, tubarões e tartarugas. Foi emocionante! Vimos duas tartarugas - cabeçuda e verde. A cabeçuda chegou muito perto da gente, tão perto que ficou enroscada nas pernas da Marina e o Mauro teve que empurrá-la para conseguir uma foto!
Sai prá lá, dona tatá!

Os tubarões são da espécie lixa e mesmo sabendo que ele não pretende te comer, deu um medinho de entrar na água enquanto o Sean chamava os tubarões com pedacinhos de peixe. 


Você pularia nessa água?

Mas realmente eles são inofensivos e pudemos acariciá-los e pegá-los seguindo as instruções do guia. Ter nas mãos um animal fantástico como um tubarão foi uma sensação indescritível.
As arraias são lindas. Sempre fiquei encantanda no Aquário de Santos com elas nadando, mas parecem estar voando no mar. Nadar junto com elas foi muito emocionante e poder pegá-las também.
Sean com a arraia

A gente já tinha pegado gosto em fazer snorkel na Venezuela. Agora, ficamos encantados e quem sabe, não consigamos realizar um curso de mergulho com cilindro?
Fizemos somente um passeio de snorkel, os outros dias passamos na prainha do hotel relaxando, lendo e escrevendo para nosso blog.
Para comer, as melhores e mais frescas opções são peixes e frutos do mar. Estávamos na época da lagosta, portanto comemos algumas a preços módicos, para não dizer baixos, principalmente comparado com o Brasil. Proporcionalmente, a refeição mais cara é o café da manhã. Por um café da manhã com chá ou café e um sanduíche tipo um misto quente pagamos R$12, enquanto o prato com 2 lagostas inteiras grelhadas com arroz saía por R$18.
Em Caue Caulker, escutando a conversa entre o mar e os coqueiros uma dúvida se fez: por que no Brasil ninguém fala desse paraíso?


Tartaruga verde
Anota aí:
Caye Caulker: localizado no litoral norte de Belize, o acesso mais fácil é a partir de Belize City.
Umas das empresas que te leva até Caulker é o Water Taxi, com endereço on-line www.belizewatertaxi.com. Em out/2012 os preços eram:
Para Caulker: US$ 7,50 só ida e US$ 11,50 ida e volta, 8 saídas diárias.
Para San Pedro: US$ 12,50 ida e US$ 21,50 ida e volta.


Vista da pousada

Ficamos na Pousada Tropical, R$ 105 para três noites, com AC e banheiro no quarto. Cada noite por R$35 (ou US$17,50). Fechamos o passeio na própria pousada, com a Star Tours: 5 horas US$45 e 3 horas US$25; fizemos o passeio de dia inteiro e no valor estava incluindo suco e um sanduíche no almoço e frutas no meio da tarde. Como fechamos na pousada, tivémos 10% de desconto. Passeando pela vila, vimos que os preços para o mesmo serviço são tabelados.
Pronto para receber cafuné na barriga

O dólar americano é aceito em todos os lugares. O câmbio equivale 2 belizians para 1 dólar e é comum entregar dólares americanos e receber o troco em belizians. Vale sempre confirmar em qual moeda eles estão te cobrando antes de fechar uma compra.

Lagarteando no split

sábado, 3 de novembro de 2012

Cancún e Isla Mujeres



Mar no Caribe é assim mesmo

Paraíso de clima tropical, praias com areia fininha e branca e um mar azul caribe, Cancún não é destino de mochileiros ou viajantes independentes. A cidade foi planejada pelo governo mexicano e investidores privados como um centro hoteleiro de luxo. E para isso ela é ótima. Hotéis e resorts enfileirados no mais de 20 km de praias, lojas de griffe internacional e luxo que quase te fazem pensar que está em Miami. Mas é só sair da zona hoteleira para tropeçar na realidade mexicana de uma cidade de mais de 630 mil habitantes, conseguidos em pouco mais de 40 anos. Essa cidade não é turística, nem bonita e por isso a grande maioria dos turistas nem sai da zona hoteleira, e às vezes nem do hotel. Se você vai pra Cancún pra ficar na zona hoteleira, melhor nem tentar conhecer a cidade mesmo. Fique no seu hotel que você não perderá nada.
Praia Norte em Isla Mujeres
Mas nós além de estarmos longe de sermos turistas de luxo, estávamos em busca de coisas mais prosaicas como trocar o óleo e outros dois pneus do carro que não conseguimos fazer em Mérida. Mesmo depois de muita pesquisa, conseguimos só trocar o óleo, os pneus continuam rodando.

Mar no Hotel Garrafón, I. Mujeres
Se os mochileiros e viajantes independentes não se acham em Cancún, em 25 min de balsa, eles chegam em Isla Mujeres. Não só por encontrarem preços mais baixos, hostels e apartamentos para alugar. Mas também pela praia linda e pública, que ainda tem a vantagem de ter alguns pontos para snorkeling. O ambiente também não tem nada a ver com Cancún, também tem alguns gringos mas eles já se misturam com europeus e outros americanos.
A maior parte do movimento fica no norte da ilha, onde tem a melhor praia, com lojinhas, restaurantes, bares e hotéis. Mas o sul também tem os seus atrativos, com bons lugares para fazer snorkeling (recomendamos a praia do hotel Garrafón de Castilla, M$50 mas vale a pena) e praias um pouco mais tranquilas que no norte. 
snorkeling em Isla Mujeres
O transporte até lá que é o problema. Como na maioria dos lugares no México, eles cobram do turista mais do que dos locais. Os táxis queriam nos cobrar 4x o preço que cobram dos locais. Ficamos indignados e acabamos indo de ônibus mais 15 min a pé. E essa postura de exploração do turista é comum no México. Ainda em Isla, fomos numa lan house usar o telefone, que anunciava ligações nacionais a M$15. Na hora de pagar, tentaram nos cobrar M$25/min. Questionamos, dizendo que na placa estava escrito M$15 e fomos até lá pra mostrar. Ainda assim o dono insistiu, dizendo que nossa chamada havia sido para outra cidade e que o preço era de M$25. Mas a placa dizia Chamadas Nacionais M$15 e Internacionais M$25. Argumentamos novamente mostrando a placa com os preços e que chamada para outra cidade dentro do estado é nacional e não internacional. Sem dar o braço a torcer, e com a maior cara de pau, o dono diz que se os M$75 nos iriam fazer falta então não precisaríamos pagar nada. E foi o que fizemos, não pagamos não. O cara é desonesto e ainda tenta sair por cima. Eita mexicanos enrolões!

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